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Oito Segundos para o Arrependimento do CEO romance Capítulo 51

O olhar de Daniel era afiado como uma lâmina.

Ele a observou atravessar a rua sem desviar os olhos nem por um segundo — frio, calculista, perigoso. E quando Alana finalmente entrou no carro e a porta se fechou entre eles, ela ainda sentia aquele olhar pousado sobre a nuca como uma sombra.

— Eduardo... vamos embora — ela sussurrou, quase sem voz.

O SUV arrancou com uma inversão brusca, os pneus raspando o asfalto a centímetros do Maybach. Bruno enxugou discretamente o suor da testa. Em anos servindo ao Presidente Daniel, jamais tinha visto um esforço dele terminar em fracasso.

É claro. Nas novelas, os personagens secundários sempre perdem porque não conseguem calar a boca na hora certa. Se Daniel não tivesse dito aquelas duas palavras a mais, Alana já estaria perdida para Eduardo — e ninguém poderia fazer nada.

— Sr. Daniel... devemos ir embora? — Bruno ousou perguntar.

— Você vai para a cadeia se ficar parado? — Daniel não desviou os olhos do carro à frente. — Vamos ver onde eles estão indo.

Correr atrás de uma mulher pessoalmente. Isso custava caro — não em dinheiro, mas em dignidade.

A família Grost vai pagar por Eduardo mais cedo ou mais tarde, Daniel pensou, os lábios pressionados numa linha fina. Ele abaixou a cabeça para os documentos na tela, tentando trabalhar. Mas o que antes era simples agora parecia escrito em outro idioma. As palavras não faziam sentido. Os números fugiam dos olhos.

Ele fechou o computador com mais força do que pretendia, pressionou as pontas dos dedos contra a testa e sentiu a dor latejante se espalhando.

Muito bem, Alana. Sua voz mental era gelada. Você realmente se atreve a entrar no carro de outro homem bem na minha frente? Nem no banco da frente, pelo menos — mas mesmo assim. Ficou arrogante porque alguém está de olho em você?

Ele guardou aquilo bem fundo. Não faria nenhuma cena por causa de uma mulher — isso seria rebaixar a si mesmo. Ele tinha outros métodos.

— Sr. Daniel — Bruno quebrou o silêncio —, eles entraram no condomínio dela.

O Maybach parou diante da entrada do Jardim. Bruno esperou, sem respirar.

— Não vou entrar — Daniel disse por fim, a voz baixa e definitiva.

Ele não daria a Alana a satisfação de saber que havia chegado até ali. Mas quando viu o SUV desaparecer pela cancela, seus olhos ficaram completamente vazios — da cor do gelo.

Dentro do SUV, o clima era diferente.

Edgar esperava por Alana com uma impaciência que mal conseguia disfarçar. Assim que ela entrou, ele já estava examinando o pescoço dela — procurando marcas novas, qualquer sinal que indicasse o que tinha acontecido na noite anterior. Só quando não encontrou nada além das marcas antigas é que relaxou os ombros e a soltou.

— O que aquele cão do Daniel estava fazendo aqui? — ele rosnou, olhando pela janela com um ódio que parecia querer rachar o vidro.

— Eu também não sei — Alana respondeu, honesta.

Dizer que foi coincidência seria ingenuidade demais. Mas a alternativa — admitir que Daniel havia ido atrás dela — era algo que ela não estava pronta para encarar. Então ela escolheu não pensar nisso.

— Nem me fale nesse estraga-prazeres! — Edgar cortou o assunto com desdém. — Onde está o garoto? Você conseguiu pegá-lo?

— Sim.

O nome Everaldo Manzo — perdão, Edgar — trouxe à tona imagens que Alana ainda não conseguia sacudir da cabeça: ele chorando, abraçado a ela, naquele primeiro momento frágil e assustador depois que saiu do armário. Ela conseguia prever muitas coisas, mas isso não tornava a dor menos real. Assim como saber que Daniel não a amava não impedia que o coração doesse quando ele a olhava como se ela fosse invisível. Assim como saber que Eliote e Areta nunca a tratariam como filha não tornava a frieza deles menos sufocante.

Algumas verdades a gente conhece com a cabeça, mas o coração ainda não recebeu o recado.

— Por que eles não trouxeram nada para este lugar desolado...? — Edgar continuou, indignado.

— Está ficando tarde — Eduardo a interrompeu com calma, sem erguer a voz. — Vamos comer alguma coisa.

Alana não estava com fome. Estava com frio — o tipo de frio que vem de dentro, depois de horas esperando do lado de fora sem saber o que vai acontecer. Ela apertou o casaco contra o corpo.

— Vamos comer na minha casa.

— Ótimo! — Edgar declarou alegremente, como se a decisão não fosse dele. — Meu irmão cozinha.

Eduardo não protestou. Apenas olhou para Alana pelo retrovisor — por um segundo, apenas um — e então desviou o olhar.

— Eu encontro um lugar. Pode deixar que eu pago — ele disse.

— Não precisa. — Alana olhou pelo espelho e confirmou que o Maybach ainda estava lá, dois carros atrás, seguindo-os. A decisão foi fácil. — Vamos para casa mesmo.

Mas quando pensou em Eduardo enfiando o paletó no cabide e indo direto para a cozinha sem que ninguém pedisse, ela sentiu um peso no peito que não era exatamente culpa — mas chegava perto.

— Passei dois anos no exterior sem comer nada que me lembrasse de casa — Eduardo falou, quase para si mesmo, como se estivesse explicando algo óbvio. — Acabei aprendendo a cozinhar por necessidade. Agora é difícil me acostumar com o que vem de fora. Prefiro fazer eu mesmo.

Alana não respondeu. Mas aceitou.

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