Alana não entendia. Ela era a esposa de Daniel — não era completamente natural pedir que o casamento fosse reconhecido publicamente?
Como Daniel conseguia fazer aquela expressão, como se ela estivesse delirando e se aproveitando dele?
Ele a privou do direito a um título e a um emprego, a forçando a se tornar empregada doméstica a seu serviço.
Ela ficou assistindo ele e outra mulher, inseparáveis, o dia todo diante das câmeras.
Era tão fácil intimidá-la assim?
É fácil demais, Alana respirou fundo, engolindo o ressentimento e a raiva.
A família estava na lona, e Edgar estava doente e precisava de dinheiro. Eram apenas cem mil — mas pra ela era um peso enorme.
Ela não teve escolha a não ser deixar Daniel a manipular por causa daquele dinheiro.
— Não estou pedindo reconhecimento público. Então, por favor, não me obrigue a largar o emprego. Posso cuidar do que precisar em casa, quando necessário.
A luz iluminava o rosto do homem, dando-lhe uma aparência fria e distante.
Ele disse, com um ar de quem não podia se importar menos:
— Quem disse que me importo?
Ela tinha cuidado dele por dois anos — e ele pedir que ela largasse o emprego não era por achar que ela havia cuidado bem. Era só um hábito. Ela largaria isso mais cedo ou mais tarde.
Dito isso, ele se virou e subiu as escadas.
Ele não insistiu pra que Alana pedisse demissão.
Alana concluiu que ele provavelmente não queria tornar o casamento público.
Será que eu levei a melhor? Ela baixou a cabeça, os lábios se movendo levemente, num sorriso amargo.
A discussão lá embaixo não pareceu afetar o humor de Daniel.
Depois de tomarem banho e se deitarem, a luz do quarto foi apagada.
Com o quarto no escuro, antes mesmo que Alana conseguisse se ajeitar, um braço quente pousou na sua cintura.
Ela não conseguia entender o homem que, apenas uma hora antes, estava discutindo com ela lá embaixo — e agora, ali no escuro, tinha aquele brilho nos olhos.
Seus lábios roçaram o lóbulo da orelha dela, a respiração quente, como se fosse queimar a pele.
Alana ficou incomodada com aquelas investidas.
Ele falou de repente, com a voz rouca:
— Enquanto você for minha esposa, vai se comportar como tal. Entendeu?
— Entendi. — A voz de Alana saiu suave e gentil — o tipo de voz capaz de derreter qualquer coração.
No escuro, um sorriso de satisfação surgiu nos olhos fundos de Daniel.
Não importava quanto Alana aprontasse — ele sempre conseguia tê-la sob controle. Era o suficiente.
Nas primeiras horas da madrugada, Daniel finalmente relaxou e foi ao banheiro tomar banho.
Alana se levantou devagar, as pernas doloridas, e pegou o remédio na mesinha de cabeceira.
Dessa vez, Daniel não a lembrou de tomar o remédio.
Ela já havia aprendido a tomar sozinha, na hora certa.
Depois de tomar o remédio, ela pegou o celular e procurou pelo Concurso de Design, encontrando o portal de inscrição individual.
As inscrições já estavam abertas havia algum tempo — e o prazo final era no dia seguinte, às 8h da manhã.
Ela se inscreveu sem hesitar.
Três meses serão puxados. Se não ganhar o campeonato, pelo menos vou ganhar experiência.
Mas se ganhasse o prêmio de um milhão, ela se tornaria conhecida no mercado.
As despesas médicas mensais deixariam de ser um problema.
Daniel, sem querer, sempre consegue me empurrar a aproveitar cada oportunidade que aparece.
O barulho da água no banheiro parou, e Daniel saiu enrolado numa toalha.
Ao vê-la guardar o celular, o olhar dele fechou:
— Tão tarde assim, resolvendo coisa de trabalho?
— Não. — Alana virou a tela pra ele. — Eu vi uma notícia.
Daniel capturou a palavra "inscrição" na imagem com precisão.
Sem dizer nada, ele levantou o cobertor fino e se deitou.
Alana largou o celular e foi ao banheiro.
.......
Depois de encerrar a ligação com Alana, a amiga jogou o celular de volta pro irmão.

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