Enquanto Alana entrava pelo portão da mansão carregando a mala, ela viu a figura alta do homem parada diante da janela que ia do chão ao teto.
Pelo vidro, o olhar penetrante dele recaiu sobre ela.
Como uma fera no escuro à espreita da presa, seus olhos brilhavam com uma luz sinistra.
Do momento em que ele mandou a mensagem até Alana chegar, tinham se passado quase duas horas.
Essas duas horas foram uma tortura pra Alana.
Pra Daniel, o fogo no peito crescia a cada segundo.
— Sra. Craig, a senhora ainda sabe o caminho de volta pra casa.
Ele tinha um cigarro entre os dedos.
O cinzeiro ao lado estava abarrotado de bitucas — parecia um ouriço.
Alana largou a mala, calçou os chinelos e foi em direção a ele.
— Você mandou alguém me seguir?
Daniel deu uma risada curta:
— Você não tem tanta importância assim. Não vale meu tempo.
Quem teria mandado a foto pra Daniel?
A imagem de uma pessoa surgiu na cabeça de Alana.
— Então quem te mandou a foto?
— Oi? Você não consegue nem se explicar e já tá tentando virar o jogo perguntando de onde eu tirei as fotos?
O homem estava claramente de mau humor — e agora não era hora de ficar nisso.
O cigarro entre os dedos queimava devagar, deixando um rastro de cinzas.
A fumaça densa o envolvia por completo, e a raiva dele atravessou aquelas camadas de fumaça e bateu direto na bochecha de Alana.
— Não éramos só eu e o Eduardo— tinha outras pessoas também.
Alana tentou explicar.
Mas quando seu olhar encontrou os olhos do homem — cheios de raiva, desprezo e deboche — a garganta fechou e as palavras simplesmente sumiram.
Daniel estava com um fogo por dentro, sentindo-se traído.
Ele ergueu a mão e agarrou o pescoço fino de Alana, os lábios quase roçando sua bochecha.
— Você tá todo dia comigo à noite e secretamente janta com outros homens. Alana, você não sente nojo de si mesma?
Alana sentiu uma dor aguda no peito. A pessoa que ele estava descrevendo era realmente repugnante.
Mas essa pessoa não era ela de verdade.
Ele nem ao menos deu a ela a chance de se explicar.
— Se é assim, por que você voltou? Pra deixar ele resolver sua bagunça e ver até onde ele vai por você?
Sem perceber, Alana agarrou os pulsos dele com as duas mãos, ofegante, enquanto os olhos foram gradualmente se umedecendo.
— Não é o que você tá pensando.
O clima estava pesado. A mansão enorme estava mergulhada num silêncio de cemitério.
O celular dela tocou no bolso — mas o toque animado soava como uma marcha fúnebre, sem ajudar em nada.
A mão de Daniel deslizou pela cintura dela e tirou o celular do bolso.
"Irmão Eduardo".
Essas duas palavras acenderam ainda mais a raiva nos olhos dele.
— Atende. — Ele enfiou o celular na mão de Alana, afrouxando um pouco o aperto no pescoço pra ela conseguir falar.
Alana não tinha nada a esconder. Ela deslizou o dedo na tela e ativou o viva-voz.
— Alana, você chegou em casa? — Era a voz da amiga. — A gente acabou de chegar aqui!
Não era ele. A voz da amiga foi suficiente pra provar que eles dois não tinham jantado sozinhos.
— Cheguei. — A voz de Alana foi diminuindo, a respiração irregular. — Tá ficando tarde, vai descansar.
A amiga não percebeu nada de errado:
— Certo, você também descansa!
A ligação encerrou e Alana olhou pra Daniel:
— A Suzi também estava lá essa noite. Não éramos só eu e o irmão Eduardo.

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