Como Daniel havia conseguido convidá-la para jantar achando que ela aceitaria?
As palavras soaram estranhas demais para serem sinceras — e Alana as reconheceu exatamente pelo que eram.
Ela respondeu sem hesitar:
Por favor, transmita meus agradecimentos. Mas o jantar é desnecessário — não preciso disso.
Tudo o que ela podia fazer em relação a Daniel era coexistir civilizadamente até que o divórcio fosse assinado. Fingir que não havia desconforto entre os dois estava além do que ela conseguia oferecer.
— O que foi? — Eduardo a viu parada com o celular na mão, olhar distante, e se aproximou naturalmente.
Sem que ela percebesse, ele havia se posicionado entre ela e a multidão barulhenta da exposição — um braço encostado na parede atrás dela, criando um espaço só deles no meio do caos.
— Nada. — Alana guardou o celular e ergueu o rosto. — Vamos continuar. Este lugar é enorme — termina logo que eu te pago o almoço.
Eduardo sorriu — um sorriso raro, que mudava completamente a paisagem do seu rosto.
— Não vou competir com você hoje. — Ele a conduziu para a galeria à esquerda. — Vou te dar a honra de me convidar.
— Se você pagar a conta de novo, não aceito mais nenhuma gentileza sua nem da Youzi.
Riram os dois. E seguiram em frente.
.....
No Grupo Scroop, Bruno estava suando sem conseguir esconder.
Não ousou transmitir a resposta de Alana verbalmente. Simplesmente colocou o celular na frente de Daniel e recuou um passo.
Quem no mundo recusa Daniel?
E não era só a recusa — as palavras de Alana tinham uma precisão cirúrgica. Educadas na superfície, devastadoras por baixo. Uma insinuação velada de hipocrisia que qualquer pessoa inteligente captaria na primeira leitura.
Daniel leu.
O escritório ficou em silêncio absoluto.
No início do inverno, antes do aquecimento entrar em funcionamento, o ambiente já era frio. Mas naquele momento ficou de um gelo diferente — o tipo que não vem da temperatura, mas de dentro de um homem que está contendo algo muito grande com muito esforço.
Bruno sentiu a frieza atravessar a roupa.
— O que ela quer dizer com isso? — Daniel riu de repente, com raiva, e devolveu o celular com um movimento brusco. — Ela não sabe o que é bom para ela?
— Talvez a senhora esteja de mau humor — Bruno tentou, escolhendo cada palavra como se desarmasse uma bomba. — Daí a escolha... um pouco inadequada das palavras.
Daniel não gostou da explicação. O leve sorriso irônico que havia surgido nos seus lábios desapareceu devagar, até que não restou nada — só a linha reta, fechada, e aquele frio que emanava dele para o ambiente inteiro.
Bum bum.
Alguém bateu na porta. Daniel não respondeu. A pessoa bateu de novo. E de novo.
Até que Mariela empurrou a porta e entrou.
— Daniel, por que você não dava sinal de vida? — Ela tinha uma pasta na mão. — Este documento precisa da sua assinatura urgente.
Virou as páginas até o local marcado, estendeu para ele — e só então, olhando melhor, franziu a testa.
— Você está pálido. O que aconteceu?
Daniel não respondeu. Pegou a caneta e assinou.
Mariela se virou para Bruno com um olhar interrogativo.
Bruno sorriu sem jeito.
— Não é nada grave. O presidente Daniel convidou a Sra. Alana para jantar... e ela recusou.
— Ah. — Mariela processou a informação. — Ela foi à exposição de design hoje, foi por isso que recusou. Não estava ocupada com outra coisa.
Daniel parou de escrever.
— Que exposição?
— Uma grande exposição de design de interiores nos arredores da cidade. Um amigo meu foi e, sabendo que eu quero reformar o apartamento, me mandou algumas fotos. Por coincidência, capturou a designer Alana num dos cliques.
Ela pegou o celular, abriu a galeria e entregou para Daniel.
Na tela: Alana e Eduardo, lado a lado no meio da multidão. Ele havia se inclinado levemente em direção a ela, sussurrando algo, apontando para algum ponto à frente. Mesmo entre dezenas de pessoas, os dois se destacavam com uma naturalidade que incomodava.
— Não me engano, é ela? — Mariela sorriu, com aquele tom leve de quem acha que está sendo engraçada. — Só a vi algumas vezes, mas é impossível não reconhecê-la. Daniel, você tem ótimo gosto. Ela combina perfeitamente com você.
— Que bom — Daniel disse, cada palavra saindo devagar, como se estivesse sendo arrancada à força. — Porque eu acho que ela e Eduardo formam um par perfeito.

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