Alana encarou a mãe, cujo tom carregava sempre o peso de uma acusação silenciosa.
— E se o motivo da minha tristeza estiver relacionado ao Daniel? — perguntou ela, testando os limites daquela lealdade familiar.
— Não seja insensível — sentenciou Areta, sem hesitar. — Não é fácil para um homem carregar o mundo nas costas lá fora. Você precisa ser a paz dele, Alana. Seja atenciosa, seja compreensiva.
Nos últimos dois anos, a frieza de Daniel nunca passou despercebida por Areta, mas sempre que Alana tentava desabafar, recebia o mesmo sermão. Alana se perguntava, com um amargor crescente, se o seu destino era se tornar um espelho da mãe: uma parceira submissa, mestre em interpretar humores e expressões alheias apenas para ser tolerada dentro de casa.
— Volte para casa, peça desculpas e não o magoe — aconselhou Areta, num tom falsamente gentil. — No fim das contas, as mulheres dependem dos homens. Você não come e se veste bem graças a ele?
Aquelas palavras trouxeram de volta a voz desdenhosa de Daniel: "Uma mesada de 500 mil para regar plantas e dormir comigo não é o suficiente?". O coração de Alana doeu. Ela poderia ter suportado a arrogância dele enquanto acreditava que havia afeto, mas jamais permaneceria por conveniência sabendo que o lugar que deveria ser seu estava sendo ocupado por Mariela no escritório dele.
— Mãe, como você pode menosprezar as mulheres desse jeito? — A interrupção veio de Edgar, o irmão mais novo de Alana, que descia as escadas.
Edgar era o protegido, o filho homem que Areta tanto lutara para ter para consolidar sua posição como a "Sra. Bratz". Alana olhou para ele com gratidão, mas sabia que nem o apoio do irmão mudaria a mente da mãe. Se ela contasse sobre a infidelidade de Daniel agora, Areta provavelmente diria que a culpa era de Alana por não ter "segurado" o marido. Por isso, ela engoliu o anúncio do divórcio.
— Por que o papai me ligou com tanta urgência? — perguntou ela, ansiosa para partir.
— Ele trouxe especialidades locais de uma viagem. Leve para os seus sogros hoje mesmo — respondeu a mãe, antes de engatar em outro discurso. — E tem mais: vocês estão casados há dois anos e nada de gravidez. Seu pai quer que eu te leve ao médico. Ele viu as notícias sobre aquela festa que o Daniel deu para a tal Mariela e está preocupado com a sua posição na família Craig.
A menção à gravidez foi como uma facada. Alana lembrou-se das noites em que Daniel lhe entregava pílulas anticoncepcionais, alegando que "não queria distrações" naquele estágio da carreira. Ironicamente, hoje ela se sentia aliviada por não ter esse vínculo eterno com ele.
— O Daniel é um homem excepcional, não faltam mulheres se atirando aos pés dele — continuou Areta, implacável. — Tenha um filho logo para garantir que esse casamento se torne público e seguro.
Para conseguir sair dali sem mais confrontos, Alana fingiu concordar com a consulta médica. Edgar, percebendo o desconforto da irmã, ofereceu carona em seu supercarro.

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