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Possessivo: A Babá Que Ele Nunca Deveria Tocar romance Capítulo 2

— A Laura é uma criança… hm… levada. A babá dela pediu demissão ontem e disse que não volta nem amarrada. Estamos sem ninguém. O Sr. Ferreira é muito ocupado, viaja muito, e não conseguimos contratar substituta. Todas recusam depois de dois dias.

Ah, maravilha. A criança devia ser um anjinho.

Cocei a sobrancelha, incrédula.

— Carla… eu não tenho experiência nenhuma com criança. Assim… NENHUMA. A única vez que cuidei dos filhos da vizinha eu dormi antes deles. E acordei com eles pintando a parede com hidratante.

Carla riu, cobrindo a boca.

— Eu sei que você não tem experiência. Mas você tem jeito, é espontânea, divertida, sabe lidar com situações caóticas… e acredite, a Laura precisa exatamente disso.

Ela então suspirou.

— Seria só por uns meses. Até encontrarmos outra funcionária. E sua vaga na TI está garantida depois disso. Palavra da diretoria.

Fiquei olhando pra ela, meio atordoada.

Babá.

Eu, Mariana Castro, futura gênio da informática, cuidando de um ser humaninho rico e possivelmente astuto.

Mas o salário chamava e a vaga garantida chamava mais ainda.

E minha conta bancária, coitada, já tinha até mandado um “aceita, pelo amor de Deus”.

Respirei fundo, sentindo que minha vida estava prestes a virar do avesso.

— Carla… isso é sério mesmo? — perguntei baixo, como quem pergunta se o mundo acabou e ninguém avisou.

Ela só confirmou com a cabeça, esperançosamente.

E eu… senti que a rasteira do destino tinha acabado de começar.

Fiquei olhando para ela, pensando se aquilo era sério mesmo ou se ela estava fazendo algum teste psicológico comigo. Mas o seu olhar era desesperado demais para ser brincadeira.

Suspirei, afundando na poltrona.

— Tá… — disse, sentindo meu estômago revirar — eu aceito. Relutantemente. MUITO relutantemente. Mas aceito.

Os olhos de Carla brilharam como se eu tivesse acabado de salvar a sua vida.

— Ótimo! — Ela abriu um sorriso enorme e puxou uma pasta. — Então deixa eu te mostrar a proposta financeira.

Eu me inclinei pra frente e aí… meu coração deu um tchan tão forte que quase parei de respirar.

— Isso tudo? — perguntei com a boca aberta.

Carla assentiu, toda orgulhosa.

— Como eu disse, é muito bem remunerado.

Já estava imaginando um apartamento só meu, finalmente liberdade dos meus tios malucos, paz, silêncio, poder andar de toalha pela casa, comprar cortinas bonitas, colocar um tapete peludo que ninguém ia derramar cerveja por cima… ah, o sonho!

Estava sorrindo que nem boba até Carla continuar:

— Claro, você sabe que… nesse período, você teria que morar lá, né?

Meu sorriso morreu na mesma hora.

Caiu.

Despencou.

E bateu no chão.

— O quê? — arregalei os olhos. — Como assim MORAR LÁ?

Ela franziu os lábios, tentando amenizar o impacto.

— Mariana… a Laura só tem seis anos. Ela é muito apegada e o Sr. Ferreira viaja constantemente. A menina praticamente não pode ficar sozinha, entende? Ela precisa de alguém presente no dia a dia.

Fiquei piscando, tentando ver se ouvia direito.

— Morar… na casa do CEO? — falei devagar, como se alguém tivesse mexido no meu processador interno.

— Sim — Carla respondeu baixinho. — É temporário. Alguns meses no máximo e você terá um quarto só seu, totalmente separado, não se preocupe.

Encostei a cabeça na poltrona e soltei o maior suspiro da minha vida.

Morar na casa daquele homem? Do tal Rodrigo Ferreira?

O mito, a lenda, o terror dos funcionários.

Nunca o tinha visto pessoalmente, até porque ele não andava nos andares em que pobres estagiários como eu trabalhavam. Sempre eram os gerentes que subiam até o andar dos deuses, digo, da diretoria.

Mas a fama dele… o homem era mais gelado que ar-condicionado no 16.

Frio, arrogante, sério, o tipo que deve assinar contratos usando sangue de funcionários cansados.

Eu respirei fundo.

— Olha… eu não sei se eu quero morar com um cara que parece um iceberg com CPF… — murmurei.

Carla riu, nervosa.

— Ele não é tão assustador assim.

— É o que vocês dizem quando querem enganar alguém — retruquei.

Mas aí, olhei de novo o valor do salário.

E pensei no meu tio berrando bêbado às três da madrugada. Nos pratos sujos que nunca eram meus, nos gritos, no cheiro de cigarro barato, na falta de privacidade. E na vontade de fugir daquele lugar toda vez que chegava em casa.

Suspirei.

— Esse salário… — murmurei — dá pra eu comprar paz. Pelo menos um pouco.

Carla sorriu, como quem diz sabia que você ia ceder.

— Então… aceita mesmo? — ela perguntou, esperançosa.

Assenti devagar.

— Aceito. Mas que fique claro que se essa menina tentar me enforcar com uma boneca ou atear fogo no meu quarto, eu volto pro RH gritando.

Carla gargalhou.

— Tudo bem. Eu aviso o Sr. Ferreira que você começa amanhã.

Engoli seco.

Ótimo. Na casa do homem mais frio da Cidade Solmare. Cuidando de uma criança que expulsou todas as babás anteriores.

***

Cap.2 1

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