Amélie Petit
A cerimônia do casamento da Elisa foi lindo e sei muito bem que os planos que a madame Enora e a Noely bolaram no escritório vão começar a pôr em prática.
Porque me deixar sentada ao lado do Tommáz enquanto o casamento rolava foi algo que elas mudaram em cima da hora, já que seria Eve que sentaria ali, mas agora sentada ao seu lado e sentindo seu olhar em cima de mim, acho que elas acertaram em fazer isso.
Mas onde eu estava com a cabeça em aceitar participar disso, como posso fazer um mulherengo como ele se interessar por mim, quando ele descobrir que sou a mulher da máscara, tenho certeza que o interesse que ele criou por mim acabará. Não tenho nada a contribuir para esse casamento. Fecho os olhos ouvindo o sermão do celebrante e deixo a mente voltar para a conversa com a madame Enora.
— Minha vida nunca foi fácil, perdi a minha mãe muito cedo e em consequência disso o meu pai entrou em uma depressão profunda. — Deixo uma respiração pesada sair.
Minha adolescência é uma época que odeio me recordar, mas sei que preciso contar para elas, principalmente por elas estarem tão determinadas em me unir com um membro de sua família.
— Meu pai se entregou para a compulsão de jogos e a cada dia entravamos em um buraco de dívidas e favores, precisei desistir de algumas coisas para poder ajudar com as contar do meu pai, a sua dívida um dia ficou tão grande que ele ofereceu a minha virgindade para um dos homens que ele devia. — Faço uma pauso e observo o olhar perplexo das minhas chefes. — Naquela noite fugi de casa e passei a morar em abrigos que consegui uma vaga.
Sinto a mão de madame Enora em minha mão, sinto o seu conforto e em seu olhar não havia pena e nem julgamento, via apenas uma velhinha amável me confortando.
— Passei um ano nessa situação, até que um dia encontrei a Laura, minha amiga, ela acabou entrando para o Moulin Rouge e nunca me chamou para fazer o mesmo. — Lembro com carinho do nosso início.
— Ela começou a trabalhar em comércios, limpezas, mas como eu ainda era uma adolescente acabou tomando para si a responsabilidade que o meu pai deixou de cumprir, ela começou a se prostituir para nos dar um pouco mais de conforto e principalmente para que pudesse voltar para a escola.
Lembro do acordo mirabolante que ela quis fazer, quando me senti culpada por ela estar vendendo o corpo para pagar o aluguel e por comida na mesa.
— O que aconteceu para estar lá foi um ato desesperado, um dos credores do meu pai me encontrou uns meses atrás, e me deu um ano para pagar uma quantia enorme, me desesperei e aceitei a oferta da Laura. — Digo para elas envergonhada, coloco as mãos no rosto e deixo o choro do desespero sair.
Choro na frente das duas mulheres, sinto vergonha por precisar recorrer a essa prática para me livrar do perigo que o meu próprio pai me colocou.
— Quanto seu pai está devendo para esse homem? — Noely me pergunta com um tom um pouco mais preocupado.
— Novecentos e sessenta mil. — Ouço-a arfando quando digo o alto valor.
— Céus, e você já conseguiu juntar quanto? — Olho para elas ainda envergonhada.
— Um pouco mais de trezentos, o seu salário é muito bom, quando você me dá algumas peças exclusivas as vendo e guardo todo o dinheiro, e ontem acabei recebendo um pouco mais de dez mil. — Digo rindo para as duas que caem na gargalhada.
— Ele deu por vontade própria? — Madame Enora pergunta e apenas confirmo com a cabeça.
— Acho que ele nem sabia quanto tinha na sua carteira, ele puxou todas as notas e me entregou, ainda recebi várias gorjetas durante a minha apresentação e fora o pagamento por dançar. — Digo para as duas que podia ver o quanto estavam se corroendo de curiosidade.
— Aceite em se casar com meu neto Amélie, tenho certeza que ele não deixará nada acontecer com você. — Ouço a velhinha falar e uma gargalhada surge em meio ao meu pânico.
— Como pode me pedir para atrelar outra pessoa na mira desse louco? — Digo com sinceridade.
Com um gesto carinhoso ela apenas toca em minha mão e com seus dedos ergue meu queixo para olhar em seus olhos.
— Você não recebeu o amor de um homem de verdade querida, mas se conquistar o meu neto, tenho certeza que ele não permitirá que nada lhe aconteça, principalmente por Tom ser filho de quem é. — Observo o olhar cúmplice que as duas trocam entre si.
— E como seria isso madame? — Pergunto o óbvio.
— Um contrato bem detalhado, tenho certeza que ele providenciará um, mas quero entregar a vocês um totalmente diferente, apenas confie em mim. — Olho para o sorriso das duas e não vejo porque não confiar.
Elas sempre me ajudaram e principalmente me trataram tão bem desde que iniciei minha jornada com as Miller.
Entro correndo onde as modelos da Miller estavam, coloco o saco com o meu vestido exclusivo e começo a organizar tudo com as modelos, deixando elas prontas para que a minha chefe apenas brilhe em mais uma temporada de sucesso.
Com tudo organizado, meu cabelo arrumado decido brincar um pouco com a mente do Tom, ele pode não saber o meu rosto, porém ele se lembra muito bem da minha máscara, pego algumas penas de pavão que estavam ali na decoração e peço para o cabeleireiro usar em meu cabelo, o vejo rir do meu pedido mais põe assim mesmo.
Olho para o relógio, já estava com cabelo e maquiagem prontos, as modelos apenas esperando o momento para entrarem, decido pôr o meu vestido.
Entro no vestido preto, com um decote que ia até o vale dos meus seios, deixando eles bem estruturados e chamativos, a frente do vestido era um pouco menor que atrás, deixando o aspecto de uma cauda, o que fez ele ficar ainda mais lindo. O estilista que trabalha com a Miller, colocou um pequeno cinto de pedras em minha cintura e calcei um scarpan para completar o meu visual.
Termino de me arrumar no exato momento que a família chega para assistir o desfile.
— Querida, você está linda, mas agora preciso que assista o desfile das outras casa e tome nota de tudo, tem uma cadeira vaga para você. — Estreito meus olhos para a Noely que beija a minha bochecha e me enxota do staff.
Caminho para as fileiras de cadeiras dispostas nas laterais da passarela e a única cadeira, que estava vaga, era ao lado do Tom, ele se levanta e como um bom cavalheiro me indica a cadeira ao seu lado.
— Você está linda Amélie. — Sinto meu rosto corar com o seu elogio, ele se aproxima mais ainda e pega a minha mão e deposita um beijo. — Ficou ainda mais linda com esse rubor.
A fragrância que exalava dele me deixou desnorteada e com cuidado me sentei ao seu lado, pego o tablet e começo a fazer pequenas anotações observando as tendências para a nova temporada, cruzo as pernas com os pensamentos pecaminosos que começo a ter com o homem ao meu lado.
Senhor me proteja do meu desejo de agarrar esse homem outra vez, ele estava com o mesmo perfume que demorei horas para retirar do meu corpo e principalmente do meu cabelo, estava enebriada com o perfume amadeirado dele, que estava dando um comando direto para a musculatura entre as minhas pernas…
Nossos olhares se encontram e posso ver o desejo ali estampado na sua cara e tenho certeza que no meu rosto estava do mesmo jeito.
Mas agora é hora de trabalhar e me concentrar no desfile da Miller que vai começar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Procura-se Uma Noiva
Alguém tem o livro completo ?...
Boa tarde... O resto da história, estava a adorar e do nada acabou......