Eduardo e Helena já haviam se afastado do grupo e passaram a cumprimentar outros convidados. Helena o acompanhava com seu sorriso sereno e cordial, enquanto Eduardo conversava com a natural segurança de quem estava habituado àquele ambiente.
Um empresário mais velho, segurando uma taça, aproximou-se.
— Senhor Monteiro, ouvi dizer que a parceria com o Grupo Walker é ainda maior do que imaginávamos. É verdade que o próprio John Walker virá ao Brasil acompanhar a instalação da filial?
Eduardo sustentou o olhar do homem e respondeu com a discrição que lhe era característica:
— Sim. O senhor Walker pretende supervisionar pessoalmente a implantação do projeto. Estamos honrados com a confiança que ele depositou em nossa parceria.
— Impressionante — comentou outro convidado. — Não é todo dia que John Walker decide permanecer meses em um país.
Eduardo limitou-se a um leve sorriso.
— Faremos o possível para corresponder às expectativas.
— Também soube que ele virá acompanhado da família. — Comentou outro empresário.
A notícia espalhou-se rapidamente pelo salão. Em poucos minutos, os murmúrios de admiração e curiosidade tornaram-se inevitáveis: a chegada da família Walker ao Brasil prometia ser o assunto da temporada.
Eduardo que já era um dos centros de atenção daquela noite, acabou sendo abordado por empresários querendo se aproximar e claro com um vislumbre de vantagem no futuro.
*****
O jantar transcorreu em meio a conversas, brindes e pratos impecavelmente preparados. O clima era leve e festivo, e a expectativa pelo restante da noite só aumentava.
Quando a orquestra iniciou uma valsa, Raul conduziu Gabriella ao centro do salão para a tradicional primeira dança. Pai e filha rodopiaram sob os aplausos dos convidados. Ao término da música, vários jovens se aproximaram com a intenção de convidá-la, mas Bernardo foi mais rápido.
Logo outros pares se formaram. Lucas tomou Camila pela mão e a conduziu à pista. Perto dali, Eliane voltou-se para Bruno.
— Você dança?
Ele sorriu.
— Sim. Com prazer.
Os dois seguiram para o salão sob o olhar inevitavelmente melancólico de Bianca. Leonardo, que pretendia convidar Eliane, percebeu que chegara tarde e, com a elegância habitual, ofereceu a mão a Bianca.
— Me concede esta dança?
Ela aceitou, surpresa e agradecida.
Durante toda a noite, Eduardo e Helena haviam sustentado a imagem de um casal perfeito: mãos dadas, sorrisos discretos e conversas cordiais. Helena já se sentia cansada daquela representação quando Eduardo se aproximou.
— Vamos dançar.
O tom continuava sóbrio, quase profissional. Ela aceitou. Diante da sociedade e às vésperas de um acordo histórico, Eduardo sabia que um casamento harmonioso inspirava respeito e reforçava a imagem de sucesso que tanto prezava.
Logo os dois se moviam em perfeita harmonia pela pista, mas Eduardo percebeu a rigidez de Helena. Seus passos, geralmente leves e naturais, estavam quase mecânicos.

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