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Quebrando o coração de gelo do CEO romance Capítulo 1

Renata

Eu estava escrevendo como se minha vida dependesse disso — e, bem, dependia mesmo. O zumbido do ar-condicionado era meu único companheiro naquele escritório, enquanto o relógio na parede marcava 17h45. Faltavam 15 minutos para o expediente acabar, mas eu sabia que ficaria até tarde. Marcelo Almeida não é o tipo de chefe que nos permite sonhar com um jantar quentinho em casa. Ele é mais como um tornado de terno caro, convencido de que o mundo começa e termina na porta da empresa.

Olhei para a porta fechada do escritório dele, com a luz ainda acesa. Lá estava ele, provavelmente massacrando uma planilha ou algum fornecedor ao telefone. Sempre o imaginei como vilão de novela — bonito demais, com aquele cabelo impecavelmente penteado para trás e uma expressão de quem pode te destruir com um simples olhar. Há cinco anos, danço conforme a música dele, sendo a secretária invisível que nunca diz não. Aprendi que é melhor um emprego ruim com um chefe ruim do que uma criança chorando em casa sem saber como vou sustentá-la. A vida não espera você se recompor. Sorria, acene, engula o choro — meu lema para sobreviver ao carrasco e pagar as contas.

"Renata, preciso do relatório da obra da Avenida Paulista até amanhã cedo", ele disse hoje, sem nem me olhar. "Sim, senhor", respondi, claro. Dizer “não” para Marcelo Almeida é o mesmo que pedir demissão com direito a fogos de artifício. Ele nem imagina que isso significa mais uma noite longe da minha pequena. Minha melhor amiga, Helena, tem ficado com ela à noite, mas sei que não posso abusar disso para sempre. Helena e o namorado dizem que não se importam, mas um dia vão cansar de ser minha babá extraoficial. E então, eu terei que arrumar outro emprego.

Puxei o ar, tentando não surtar. Não era hora para isso, Renata.

— Acho que ele não vai sair tão cedo — disse Duda, a recepcionista, aproximando-se da minha mesa. Ela fica no térreo, e o correto é só ir embora quando todos saem, mas sempre a libero. Fico com pena de deixá-la presa aqui comigo e Marcelo Almeida até ele decidir que o dia terminou.

— Vai, pode ir. Eu fico de olho nas câmeras. Ele sai pela garagem mesmo. Cuido de tudo e aviso o segurança — falei, forçando um sorriso cansado.

Duda me olhou com pena.

— Vai ser uma noite longa — disse ela, encarando a porta de Marcelo Almeida. — Ele precisa arrumar uma namorada. Quem sabe assim descobre que existe vida fora daqui.

Soltei uma risada.

— Esqueça, Duda. Cinco anos aqui e nunca vi uma ligação de mulher, nunca mandei flores para ninguém. Sei a agenda dele de cor, e ele não tem nem um mísero date. Às vezes acho que a esposa dele é essa empresa. Coitada da próxima que tentar se meter nesse casamento.

Duda riu, balançando a cabeça.

— Inventa um imprevisto, Renata — sugeriu ela, com aquele tom de quem tem dó de mim.

— Ele não aceita imprevistos — revirei os olhos. — Nem gripe eu tenho direito de pegar. O cara é um carrasco.

Capítulo 1 1

Capítulo 1 2

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