Aquele não era mais um pedido qualquer de um ex-namorado e sim de uma pessoa praticamente no leito de morte. Porque sabia a real situação de Endrick e de tudo que ele estava passando.
Endrick não estava fazendo um pedido por capricho e sim porque só tinha aquela oportunidade para fazer aquilo. Não haveria um depois.
Se ela não concordasse com aquele pedido, tinha a impressão de que se arrependeria por toda a sua existência após a morte dele. O que seriam alguns dias de folga na faculdade em relação a tudo que poderia recuperar no futuro? Alice tinha uma vida pela frente, enquanto Endrick estava com os seus dias contados.
Ela se aproxima de Endrick, sentando-se ao seu lado na cama.
— Essa viagem é mesmo muito importante para você, não é? — pergunta, fazendo cafuné em sua cabeça.
— Você nem imagina o quanto — ele responde, fechando os olhos demonstrando estar gostando do afeto.
— Tudo bem, Endrick, eu irei com você — revela.
Rapidamente, ele abre os olhos e a encara fixamente, então, dos olhos de Endrick começam a cair lágrimas.
— Muito obrigado por isso, você não imagina o quão feliz está me fazendo agora — começa a soluçar.
— Então, pare com isso, senão eu também vou começar a chorar — ela diz, abraçando-o.
— Sei que está fazendo isso apenas por estar com pena de mim, mesmo assim serei eternamente grato.
— Não é por pena e sim porque tenho esperança de que essa viagem te anime bastante e te deixe mais disposto para tudo — explica rapidamente.
Endrick não diz mais nada, apenas chora ao lado dela, até cair no sono.
Alice está sentada numa poltrona ao lado da cama de Endrick, pensando na promessa que fez para ele, simultaneamente olha para o celular, pensando em como diria para Richard que não passaria a noite em casa.
— Com licença. — Uma enfermeira baixinha entra no quarto, saudando-a. — Vim ver como o paciente está — diz ela, averiguando os batimentos cardíacos de Endrick.
— Faz um tempinho que ele dormiu — diz Alice.
— Eu sei, os medicamentos que ele tomou são fortes e dá muito sono — a mulher comenta observando Endrick dormir. — Ele é o seu namorado? — pergunta.
— Éramos — responde sem graça. — Terminamos há um tempo.
— Você deve amá-lo muito por estar aqui com ele — diz a mulher.
— Eu o amo como um amigo — responde.
— Se depois do término conseguiram se tornar amigos, significa que ele é um rapaz maravilhoso — comenta. — É triste ver um jovem cheio de vida numa situação assim.
— Acredito que ele vai sair dessa e que tudo não passará de uma fase ruim.
— Você é esperançosa e isso é bom, mas deve ser realista também. — A enfermeira se aproxima da porta, insinuando que irá sair, mas para e volta a olhar para Alice. — Aproveite tudo que puder aproveitar com ele, infelizmente, de agora em diante o tempo passará mais rápido do que você imagina e todos os dias poderão ser o último.
Após a mulher sair e deixar aquela frase na cabeça de Alice, ela olha para Endrick e o observa dormir.
Ela suspira e volta a olhar para o celular, já são mais de dez da noite. Tudo o que planejava foi de água abaixo, talvez aquilo fosse um sinal da vida lhe mostrando que as coisas poderiam ser imprevisíveis.
Seu celular começa a tocar.
O nome de Richard na tela lhe traz de volta à realidade. Sabe que terá que lhe dar algumas explicações, contudo entendia que não seria certo por telefone. Ela sai do quarto para atender.

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