Richard sabe que Madeline deve estar a par do acordo que fez com o pai, mesmo assim ela finge não saber, desse modo ele também finge que não prometeu nada.
— Acredito que se apaixonar não seja uma escolha e sim algo bem natural — ele responde.
Embora tenha feito o acordo com o pai, Richard está confiante de que, mesmo quando complete seus trinta anos, Madeline não o aceitará por saber que ele não a ama.
— Mas você é um homem que não dá espaços para o amor, Richard — comenta.
— Não é bem assim — responde. — Madeline, serei bem sincero com você — diz ele, aproveitando que continuam sozinhos à mesa. — Se eu pudesse escolher por quem me apaixonaria, pode ter certeza de que eu escolheria você, pois pelo tempo que nos conhecemos, sei o quanto você é uma amiga maravilhosa em todos os sentidos, mas não é assim que as coisas funcionam — explica para ela. — Eu queria muito corresponder às suas expectativas, mas não posso, eu não consigo enxergá-la como mulher, me entende?
A frase a deixa um tanto embaraçada, pois não queria ser descartada daquele jeito, ainda mais numa noite como aquela.
— Sei que não me ama — diz ela. — Mesmo assim, acredito que um dia ainda me olhará com outros olhos.
— Por favor, não tenha esperanças nisso.
— Me deixa sonhar — insiste com os olhos começando a marejar. — Não estrague os meus sonhos, está me ouvindo?
— Cheguei… — Elis aparece, se metendo na conversa dos dois.
Ela havia deixado os gêmeos com uma monitora e resolveu voltar à mesa. Como o ambiente estava vazio, foi fácil escutar um pouco da conversa entre Richard e Madeline, e o fato dele deixar claro que não queria nada de mais com ela, deixa Elis mais calma.
— Sente-se — Richard se levanta e puxa uma cadeira para a irmã se sentar.
— Olha o papai ali — Elis aponta para a porta de entrada, onde seu pai e mãe acabam de entrar.
— Acho que os meus pais também devem chegar em breve — diz Madeline, se ajeitando na cadeira.
— Boa noite a todos — Abraham Carter saúda aos presentes.
— Pensei haverem se perdido — brinca Richard.
— O trânsito desta cidade é horrível, não sei como preferiu trocar a Califórnia por essa selva de pedras — comenta Abraham.
— Feliz aniversário, meu amor — Meredite se aproxima e beija o rosto do filho.
— Obrigada, mamãe — beija a testa da mãe.
— Onde estão os gêmeos? — questiona Meredite.
— Na aérea recreativa.
— E o Steve, já retornou de viagem?
— Ele sairá da Inglaterra ainda hoje.
— Inglaterra — repete Abraham. — Você ficou lá por tantos meses, Richard, mas não trouxe nada interessante para nos apresentar.
Richard sente a indireta do pai, mas resolve ignorar.
— É claro que trouxe algo, um acordo milionário — revela.
— Sabe que não é sobre isso que estou falando — insiste Abraham.
— Esse é o meu aniversário de vinte e nove anos, pai, não se esqueça disso.
— Devia se adiantar.
— Por que não volta conosco, querida? — Pergunta Meredite a Elis, que está com um dos gêmeos no colo, enquanto o seu pai carrega o outro. — O nosso avião está vazio.
Elis olha para Madeline e Richard, que parecem animados, e decide ir embora. Ela não quer que o irmão fique com Madeline, mas sabe que não poderá impedir nada, ficando no apartamento dele.
— Tudo bem.
Todos se despedem indo cada um para suas casas.
Ao chegar a seu apartamento, Richard se sente um pouco tonto, por beber demais.
— Vamos beber novamente? — Pergunta Madeline, trazendo uma garrafa de vinho.
— Já bebi demais — ele responde.
— Mas eu não! Vamos, Richard, não me deixe beber sozinha — insiste, enchendo uma taça para ele.
A cada vez que Richard esvazia a taça, Madeline a enche novamente.
Após algumas horas, percebendo que Richard já está embriagado o suficiente, Madeline decide ir dormir.
— Acho que por hoje é só, vou tomar um banho e me deitar.
— Tudo bem, boa noite — se despede dela.
Madeline sai dali com uma ideia em mente. Ela sabe que é errado, mas acredita que não terá outra oportunidade como aquela tão cedo. Entrando no banheiro social, decide tomar banho ali.
Madeline deixa a porta aberta e espera que Richard a veja nua quando for passar pelo corredor para chegar ao seu quarto.

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