Richard observa bem a expressão nervosa de sua e vê que ela não parece gostar nada do que está acontecendo, mas ele prefere ignorar aquilo.
— Achei que iria me dar os parabéns como todo mundo — comenta Richard, não considerando a pergunta que a irmã lhe fez.
— Como te darei parabéns por algo tão absurdo? — Elis continua com a sua indignação.
— O que há de absurdo no que está acontecendo?
— Richard, o que aconteceu entre você e a Madeline para de repente se tornarem noivos?
— Percebi que não devo mais ficar adiando o inevitável, nossos pais gostam dela, nossas famílias se dão bem e a conheço há muitos anos.
— Mas você não a ama — protesta.
— E o que isso importa, me diz? Para que serve a droga do amor se não for apenas para machucar as pessoas e as deixarem com expectativas de coisas que nunca irão acontecer? — Interpela nervoso.
— Isso importa muito — se aproxima dele, percebendo o quão alterado fica. — Casamento é uma decisão muito importante, pois você escolherá a pessoa com quem decidirá passar o resto de sua vida.
— Acha que a Madeline não é uma boa opção? — a questiona.
— A Madeline é uma mulher maravilhosa e cheia de virtudes, acredito que o homem que se casar com ela será muito feliz, mas sei que esse homem não é você.
— Quem te garante que não serei?
— Porque não é ela que você ama, se esqueceu do que me disse na noite que conversamos no seu apartamento? Que havia conhecido uma mulher na Inglaterra que mexeu com seus sentimentos.
— Esquece essa mulher — pede, se sentindo nervoso. — Confesso que gostei de alguém, mas isso não foi o bastante, entende? Ela fez pouco caso dos meus sentimentos e me trocou por outra pessoa.
— E você acha que, se casando com a Madeline, conseguirá esquecer a outra? Mesmo que ela tenha te trocado por outra pessoa, você ainda tem sentimentos no seu peito e não é certo para você e nem para a Madeline se casar desse jeito.
Richard respira ofegante e começa a andar de um lado para o outro, tentando pensar no que diria para a irmã. Ele concordava com ela, que não era certo fazer aquilo com Madeline, pois era ciente de que jamais a faria feliz. No entanto, ela o amava e estava satisfeita com aquilo, além disso, havia a questão da virgindade.
— Acredito que com o tempo as coisas possam mudar — diz ele. — A Madeline é uma mulher maravilhosa e sei que no futuro poderei chegar a ter um pouco de afeto por ela.
— Richard, como mudou de ideia em menos de vinte e quatro horas? — Elis o questiona com o olhar triste. Ela consegue perceber que o irmão não está nada a vontade com aquilo.
— Em vinte e quatro horas tudo pode acontecer — comenta, não querendo ir mais afundo na conversa.
— Preciso que me diga o que aconteceu, só assim conseguirei entender o que está fazendo.
— Richard, como foi possível fazer isso?
— Eu não sei — se afasta, desconsolado. — Para ser sincero com você, nem sei como isso aconteceu porque não me lembro de nada, entende? Quando acordei pela manhã, encontrei os lençóis de minha cama manchados de sangue e a Madeline dormindo nua ao meu lado.
Elis fica em choque com aquele relato.
— Então é por isso que irá se casar? Por que tirou a virgindade dela? — questiona.
— Sim — ele responde.
— Meu Deus, a Madeline é tão reservada quanto a isso — comenta. — Por acaso, você a pegou à força? — interroga o irmão com o olhar enigmático. Elis amava Richard, mas jamais passaria a mão na cabeça dele, caso tivesse forçado uma mulher a ficar com ele contra a vontade.
— Não, claro que não — responde rapidamente. — Ela disse que adentrei no banheiro enquanto tomava banho e a beijei. Apesar de estar se sentindo confusa com aquilo, ela não recusou o beijo devido aos sentimentos que sente por mim. Mas acabei ultrapassando a linha.
— Isso é bem a cara dela — analisa Elis. — Por mais que ela seja reservada em relação a toda essa castidade, eu sei que uma hora ou outra poderia cair nos seus encantos. Sinto muito por você e por ela — revela. — Acho que se eu não tivesse ido embora com nossos pais, poderia ter evitado tudo isso — lamenta, com o olhar cheio de lágrimas. — A culpa é minha por acreditar que não haveria risco algum deixar vocês dois sozinhos naquele apartamento.
— Não se culpe por isso, eu também não devia ter bebido demais. — Richard tenta acalmar a irmã.
— A culpa é minha, sim, porque fui embora um dia antes do combinado e, por conta desse erro, aconteceu isso com vocês. Consertarei isso, meu irmão, te prometo que darei um jeito para que nenhum de vocês saia perdendo nesta história. Gosto da Madeline, mas amo você e só quero que se case um dia se for por amor. Vou arrumar um jeito de te tirar desta situação, nem que para isso eu tenha que mover montanhas — garante Elis, olhando nos olhos azuis de Richard.

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