Quando retorna ao salão onde ocorreria o jantar, Madeline se aproxima de Brian Ford, filho de um político muito influente da cidade. Ela não tinha simpatia por ele, mas foi a única pessoa disponível para conversar naquele momento, uma vez que ela percebeu que Richard a observava.
— Eu sabia que você e o Richard acabariam juntos, afinal nunca acreditei nessa história de amizade entre homem e mulher — diz Brian.
— Quer você acredite ou não, a amizade entre homens e mulheres existe e foi o que aconteceu entre mim e o Richard por muito tempo.
— Acha mesmo que caio nessa história? Madeline, todos sabem que você estava completamente apaixonada pelo Richard e era ele quem não lhe dava atenção. Para ser sincero, parece que ainda é só você que está animada com essa ideia, porque cá para nós, o Carter parece estar aqui à força.
— Como você é frívolo, Brian. — Madeline o adverte.
Madeline queria sair dali e deixar aquela conversa desagradável de lado, mas estava contando que Richard viria atrás dela.
— Só sou sincero — Brian continua com o seu atrevimento. — Achei estranho demais ao saber do noivado de vocês, já que o Carter nunca assumiu uma mulher publicamente.
— Não parou para pensar que ele não assumiu ninguém porque a única pessoa que lhe importa sou eu, e é por isso que o Richard quer se casar comigo? — comenta.
— Tudo bem, não precisa ficar nervosinha, ainda mais após conseguir o que sempre quis — zomba. — De qualquer forma, eu desejo felicidades, com esse casamento vocês ficarão mais ricos e influentes na sociedade.
— Não ligo para essas coisas, meu foco nesse casamento é o amor e a cumplicidade — ela explica, mas Brian cai na risada.
— Como você é inocente, achei que quando crescesse mudaria essas suas ideias conservadoras idiotas — zomba.
— Acho que essa conversa já durou mais do que devia, com licença, Brian.
Madeline sai dali, deixando Brian rindo sozinho. Ela passa por Richard, que está conversando com um casal, mas o ignora, indo em direção à escada que dá acesso ao seu quarto.
Richard percebe que Madeline mudou de atitude e pede licença ao casal com quem conversa. Ele procura por Madeline em meio as outras pessoas e após perguntar a um funcionário da casa, descobre que ela foi para o quarto.
Richard anda até o quarto da moça e b**e na porta, após alguns segundos ela a abre com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar.
— Madeline, o que aconteceu? — Richard a questiona tentando se aproximar, mas ela se afasta bruscamente, entrando no quarto e sentando-se na cama.
Ele entra, mas deixa a porta aberta, por saber que os pais dela não são de acordo da filha ficar no quarto com a porta fechada com um homem, ainda mais sendo o seu namorado.
— Você ainda me pergunta, Richard? — Ela diz com a voz embargada.
— Do que está falando? — pergunta, sem entender o que está acontecendo.
— Madeline por favor, não fica assim — pede Richard, se aproximando. Desta vez ela não se afasta. — Só está sendo difícil para mim assimilar as coisas, entende?
— Se não quer se casar comigo, pode dizer — diz ela com a cabeça baixa. — Vou conseguir suportar essa humilhação sozinha, não se preocupe comigo.
— Ei — toca o queixo dela com carinho. — Eu não vou mudar a minha decisão, ainda mais agora que todos já estão sabendo. Jamais deixarei que passe por isso sozinha.
— Está fazendo isso só por pena de mim? — o questiona.
— Não quero mentir, que ainda não consigo enxergar você com outros olhos, além de amigo, mas prometo que irei me esforçar para que não se sinta mais assim, ainda mais por conta de um erro que cometi.
— Richard, eu amo você — diz ela, encarando os lábios dele.
Richard não sente nada além de pena por Madeline, mas ele possuía a convicção de que, após aquele passo, deveria tratá-la como uma mulher. Mesmo que houvesse dito que não teria nenhuma relação íntima antes do casamento, sabia que deveria ao menos mostrar um pouco de afeto para que ela não se sentisse pior do que já estava. Pelo jeito que Madeline encarava seus lábios, ele sabia que ela esperava um beijo e, mesmo que não quisesse dar, sentia que aquele era o único jeito de acalmá-la naquela situação.
Sem querer pensar muito no assunto, Richard fecha os olhos e aproxima os seus lábios dos dela. Tudo é frio e sem graça, não há amor, nem desejo. Não há arrepios nem um frio na espinha.
— O que estão fazendo aqui sozinhos? — Uma voz estrondosa os interrompe.

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