A medida que o tempo foi passando, cada dia que Lily resistia à UTI neonatal era uma vitória para Alice, que já havia recebido alta hospitalar, mas ficava mais tempo no hospital do que em casa. Alice vivia só para a filha, deixando todos os problemas de lado para pensar no melhor, para ver a sua filha saindo vitoriosa daquele hospital e indo para sua casa, onde tudo estava preparado com amor e carinho.
Já ia fazer quase um mês e meio que Lily havia nascido e, mesmo que estivesse se alimentando sem sonda, precisava ficar no hospital para continuar em observação. Alice ordenhava seu leite para alimentar a filha e ficava com ela por alguns minutos durante o dia. Após isso, saía do hospital e depois voltava para casa, à espera do horário em que poderia rever a filha novamente.
— Mãe, cheguei — diz Alice, entrando no apartamento dos pais.
Por mais que estivesse se alimentando bem por conta da filha, Alice estava abatida e com olheiras ao redor dos olhos.
— Estou na cozinha — Silvia grita, para a filha ir até lá. Quando Alice adentra a cozinha, Silvia a questiona. — Como está a nossa princesa?
— Ela está reagindo tão bem, mamãe. Hoje, quando a peguei no colo, eu a vi dar um leve sorriso — responde animada.
— Ela é uma menina muito forte, tenho fé que sairá em breve do hospital.
Silvia está arrumando a mesa para o almoço e Alice resolve ajudá-la enquanto conversam.
— Sei disso e por isso decidi que hoje à tarde irei começar a procurar por um emprego — Alice revela, colocando uma travessa de vidro que contém carne de boi assada, com algumas batatas ao redor.
— Emprego? — Silvia para e olha para a filha, com um olhar perplexo.
— Isso mesmo, se tudo der certo, quero alugar um apartamento para nós duas morarmos.
— Você não precisa sair daqui — anuncia. — Não posso deixar que volte para Londres.
— Eu não retornarei a Londres, procurarei um apartamento por aqui mesmo, assim ficarei perto de vocês.
— Se quer ficar perto, continue morando conosco — rebate.
— Não é isso, mãe, mas já faz muito tempo que não moro com vocês e já me acostumei com essa vida. Para mim, é estranho voltar a morar com meus pais.
— Como irá cuidar da Lily sozinha?
— Vou arrumar um emprego de meio período por enquanto — responde.
— E no tempo que estiver trabalhando, com quem ela irá ficar?
— Não sei, acho que irei contratar uma babá.
— Irá pagar aluguel, babá e as despesas de casa, tudo com o dinheiro de meio período de trabalho? — Silvia questiona-se, tendo em vista que a ideia da filha é completamente absurda.
— Estou pensando em vender o meu carro para auxiliar nas despesas.
— E como irá carregar a sua filha por aí?
— Posso pegar o seu carro emprestado quando precisar — argumenta.
— Isso não está certo — afirma Silvia, voltando a arrumar a mesa.
— O que está acontecendo? — George entra na cozinha e escuta um pedaço da conversa das duas mulheres.
— Por que não? Já fez isso uma vez, pode fazer novamente — argumenta.
— Sei disso, mas a vez em que o aluguei foi apenas por uma exceção, já que o rapaz que morou lá o queria apenas por alguns meses — George explica a situação que o levou a alugar o apartamento.
— É verdade, aquele rapaz — finge tentar lembrar o nome do antigo inquilino. — Como era o nome dele mesmo? — Silvia questiona, querendo ver a reação da filha ao ouvir o nome do pai de Lily.
— Richard Carter — responde George.
— Ah, é mesmo, havia me esquecido — comenta sorrindo. — Fiquei surpresa quando soube que ele é rico e bem-sucedido, fiquei até impressionada quando descobri que ele queria morar no nosso apartamento, que nem é lá essas coisas — sorri. — Vocês se deram bem nos dias convividos, Alice? — insiste Silvia, vendo que a filha parece ignorar a conversar.
— Foram poucos dias, nem me lembro direito — Alice responde, voltando a comer em silêncio.
— Achei que se identificou com ele — questiona Silvia.
— O quer dizer com isso, mãe? — pergunta nervosa.
— Não sei, achei que, pelo fato dele também ser arquiteto, faria com que vocês criassem afinidade.
— Ele é arquiteto? — George questiona surpreso. — Não me lembrava disso.
— Sim, um ótimo arquiteto, acredito que a Alice se daria muito bem com ele se convivessem mais. Creio que, se o Richard Carter visse o talento de nossa filha, a contrataria e até sugeriria levá-la para Nova York, não é mesmo, Alice? — A fala de Silvia gera inquietação. Alice olha nos olhos da mãe e percebe que Silvia a encara de um jeito diferente.
Ela sabe sobre Richard!

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido CEO, seu bebê quer te conhecer!