Phillip sentou-se na cadeira, girando seus ombros enquanto folheava as páginas do arquivo à sua frente. Números e contratos se misturavam até que seu telefone pessoal vibrou contra a mesa, quebrando a monotonia.
Olhando para a tela, uma sobrancelha arqueou.
Savannah Evans.
— Alô?
— Phillip — disse a voz familiar.
Ao ouvi-la, a preocupação novamente se dissolveu. O alívio o invadiu.
— Savannah. Eu ia te ligar em alguns minutos. Eu...
— Ah, Phillip, não se atreva a se desculpar outra vez. — ela o interrompeu com um tom esperto. — Eu sabia das traições dele há muito tempo. Estava apaixonada. Quis acreditar que ele mudaria. O fato de você abrir os meus olhos não te torna responsável por nada.
Phillip expirou devagar, compreendendo bem aquele sentimento. A primeira vez que flagrou Emma lhe traindo, sentiu como se tivesse levado um soco no estômago, uma dor que deixa qualquer homem atordoado. Mas acreditou quando ela jurou que fora um erro, que não se repetiria. O amor o tornara ingênuo. Agarrara-se à esperança de que ela pudesse ser diferente, de que o que tinham valia a pena. Mas era só uma mentira. No fim, ela repetiu o padrão até acabar.
— Mas chega da minha trágica vida amorosa. — continuou Savannah, com um suspiro teatral. — O que eu realmente quero saber é da sua.
Phillip esboçou um sorriso contido.
— Ah, é?
— Sim, porque eu preciso conhecer a mulher que transformou Phillip Hastings num completo idiota. Uma mulher dessas não é comum.
Ele soltou uma risada baixa e mais divertida do que esperava.
— Eu não sou um idiota.
— Phillip, você me ligou duas vezes só para ter certeza de que eu estava bem. E se referiu à sua noiva como um cavaleiro medieval. Por favor. O Phillip de antes teria encerrado essa ligação cinco minutos atrás.
— Nunca fui tão frio.
— Isso é o que você acha.— provocou ela, bem-humorada. — Mas falando sério, quando vou conhecê-la? Quero ver de perto o que ela tem de tão especial.
Ele pensou em Katherine, o olhar, a seriedade que escondia sob a doçura, e respondeu:
— Em breve, Savannah. Muito em breve.
— Ótimo. Estou curiosa. Agora que deixamos claro que você perdeu essa batalha, me diga: o que vai fazer a seguir?
Phillip desviou a pergunta:
— Eu poderia te perguntar o mesmo. Qual é o seu plano?
Ela suspirou com exagero.
— Vou me divorciar daquele imbecil. Mas quero fazer isso com estilo.
— Deixaram isso na porta hoje de manhã. A pessoa estava de capuz e máscara. As câmeras só pegaram fragmentos. Nada nítido.
Phillip pegou o envelope. Ao retirar o conteúdo, o sangue pareceu parar de circular.
Fotografias. Katherine em diferentes momentos: no trabalho, saindo do prédio, almoçando, lendo. Algumas com ele, outras sozinha.
E então, ele viu marcas vermelhas sobre o pescoço dela em uma imagem. Rabiscos sobre os olhos em outra. Palavras escritas de forma distorcida, quase infantis.
Alvo.
Posse.
Perigo.
A raiva surgiu com força bruta. Seus dedos se fecharam ao redor das fotos, os músculos da mandíbula travando. Seu corpo inteiro ficou tenso, a respiração pesada. Empurrou a cadeira para trás, levantando-se em um movimento brusco.
Outra coisa lhe chamou sua atenção. Um detalhe discreto em uma das imagens, uma mancha no canto. Observando de perto, identificou o logotipo quase apagado de um tipo específico de papel fotográfico. Não era comercial e podia ser uma pista.
— Noah. — chamou controlando melhor seu temperamento. — Ligue para o Josh. Agora. Katherine não pode sair sozinha. Ela terá escolta ao lado dela o tempo todo. E rastreie de onde isso foi impresso.
Noah já pegava o celular enquanto saía às pressas do escritório.
Phillip permaneceu imóvel, encarando as fotos. Quem ousou fazer isso cometeu um grande erro. Porque Phillip Hastings agora tinha um alvo. E faria essa pessoa desejar nunca ter respirado na direção de Katherine.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido ex, obrigada pela traição