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Querido ex, obrigada pela traição romance Capítulo 2

A sala de aula parecia um lugar fora do tempo. O som distante dos disparos cessava e voltava, mas os gritos nos corredores eram constantes e se misturava com a respiração pesada das crianças, que prendiam o fôlego a cada estalo.

Noah sentia o coração no pescoço. O ar parecia rarefeito, e embora estivesse sentado, tinha a impressão de que suas pernas iam ceder a qualquer instante. Do lado dele, Lucas mordia o lábio até quase sangrar; Kaio escondia o rosto nos braços sobre a mesa; Tobi olhava fixamente para a porta, como se esperasse que ela fosse arrebentada a qualquer momento.

A professora, senhorita Hompkins, uma mulher na casa dos 40, geralmente firme e paciente, agora tremia tanto que mal conseguia manter a voz firme.

— Está tudo bem, crianças… — murmurou, tentando convencer a si mesma mais do que os alunos. — Vai ficar tudo bem…

Ninguém acreditava naquelas palavras.

De repente, um som diferente ecoou pelo corredor. Passos apressados. Vários. Não era a mesma correria caótica de antes, mas algo mais concentrado, como um grupo que vinha direto naquela direção.

Os alunos da sala prenderam a respiração.

As maçanetas das portas de outras salas bateram, portas foram abertas, fechadas de novo. E então, finalmente, um bater desesperado ecoou na porta da sala deles.

— Abre! Pelo amor de Deus, abre! — a voz era de um menino. Um adolescente.

— Eles estão vindo! Abre logo!

O choque fez alguns alunos chorarem em silêncio. A professora levou a mão à boca, indecisa. Os olhos dela correram pela turma como se pedissem permissão.

— Não! — sussurrou Tobi, com a voz embargada. — Pode ser uma armadilha.

— Mas pode ser outros alunos também! — retrucou Lucas, nervoso.

O bater na porta ficou mais intenso, mais desesperado.

— Eles vão matar a gente aqui fora! Professora, por favor!

A senhorita Hompkins hesitou por alguns segundos que pareceram eternos, mas no fim, seu instinto falou mais alto. Rapidamente girou a chave e puxou a porta, deixando um grupo de quatro adolescentes entrar às pressas. Assim que passaram, ela fechou novamente, trancando de novo com as mãos trêmulas.

O silêncio na sala foi substituído pelos soluços pesados dos novos ocupantes. Dois meninos e duas meninas, todos aparentando uns 14 anos, deviam estar na oitava série. Tinham os rostos suados, os olhos arregalados de terror, e marcas de sangue nos braços. Uma das meninas, loira de trança, tinha a blusa quase completamente manchada de vermelho.

— Você está ferida? — A professora perguntou, alarmada.

— Não… não é meu sangue. — A garota respondeu, com a voz falha. — É da Camilla… ela… ela ficou no corredor… Ela... Ah meu Deus!

Ela não conseguiu terminar. As lágrimas tomaram conta e ela desabou sobre uma das carteiras, cobrindo o rosto.

O silêncio que se seguiu era ainda mais insuportável.

Noah, com o coração em disparada, trocou olhares rápidos com Lucas. O amigo parecia tão em choque quanto ele.

Um dos meninos recém-chegados, de cabelo raspado e respiração arfante, ergueu a cabeça e falou em voz baixa:

— Não são adultos. Não é nenhum terrorista. São alunos do ensino medio.

A revelação caiu como uma bomba na sala.

— O quê? — A professora sussurrou, incapaz de acreditar. — Alunos?

O garoto assentiu, com os olhos cheios de lágrimas.

— São quatro. Quatro garotos do segundo ano. Eu conheço dois deles… eles entraram com armas e facas, começaram a atirar no pátio, nas salas… eles… eles estão caçando a gente.

Um arrepio percorreu cada centímetro do corpo de Noah. O ar parecia se esvair da sala. Ele olhou ao redor: colegas pálidos, alguns chorando baixinho, outros imóveis como estátuas.

A professora balançava a cabeça, tentando assimilar.

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