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Querido ex, obrigada pela traição romance Capítulo 3

Na manhã seguinte Eloise acordou mais tarde do que de costume, com os olhos ainda pesados e a mente embaralhada pelos últimos dias. O julgamento, a sentença, a confissãode Jonas. Tudo se misturava como se tivesse sido um sonho confuso demais para ser real. Mas bastou ela ligar a televisão para perceber que não havia sonho algum.

A primeira imagem que apareceu foi a de seu pai, escoltado pelos guardas, sendo levado para fora do tribunal. A manchete, em letras vermelhas, ocupava a parte inferior da tela:

“Jonas Romile condenado a 40 anos de prisão — confissão choca o país.”

Eloise engoliu em seco. O rosto dele estava estampado em todos os canais, em todos os sites que ela abriu pelo celular. As fotos se repetiam: Jonas algemado, Jonas erguendo o rosto com orgulho, Jonas olhando fixamente para ela antes de ser levado.

O telefone vibrou ao lado. Uma mensagem de Katherine:

“Você viu? Está em todo lugar. Quer que eu vá até aí?”

Eloise suspirou. Estava tentada a aceitar, mas sabia que Katherine também tinha a própria vida, os próprios compromissos. E, além disso, Jason já estava cuidando de tudo.

Quase como se tivesse lido seus pensamentos, o celular tocou de novo. Era ele. Havia avisado que sairia cedo para resolver alguns assuntos.

— Bom dia. — a voz grave preencheu seu ouvido.

— Bom dia. — respondeu, ainda sonolenta.

— Não ligue a televisão. — ele disse, firme.

Eloise mordeu o lábio, hesitando.

— Já liguei.

Um silêncio breve do outro lado, como se ele tivesse previsto exatamente isso.

— Então desligue. — pediu, quase numa ordem. — Eu já esperava a repercussão, Eloise. Está pior do que ontem.

Ela apertou o celular contra a orelha.

— Eu não consigo simplesmente desligar, Jason. Ele é meu pai.

— Eu sei. — respondeu, com um tom mais brando. — Mas agora não é só sobre ele. É sobre você também.

Eloise franziu a testa.

— Sobre mim?

— Sim. — Jason suspirou. — Você acha que a imprensa vai se contentar em noticiar apenas os crimes dele? Não. Eles vão querer manchetes novas. E sabe o que vende mais? Você.

Ela fechou os olhos. Claro que ele tinha razão.

— Então o que fazemos? — perguntou, quase em desespero.

Jason respondeu com a calma de quem já havia decidido há horas.

— Eu já comecei a agir. Ontem mesmo entrei em contato com alguns editores. Negociei limites. Eles podem noticiar o julgamento, mas não têm o direito de explorar a sua vida pessoal.

Eloise arqueou as sobrancelhas.

— Eles vão aceitar isso?

— Com um pouco de pressão, eles aceitam. — a voz dele carregava aquela firmeza que sempre a deixava ao mesmo tempo irritada e segura. — Além disso, meu advogado já entrou com notificações formais para qualquer veículo que tentar usar sua imagem sem autorização.

Ela respirou fundo, grata, mas ainda inquieta.

— Mesmo assim… eu sei como funciona. Eles não vão parar. Sempre vai ter alguém querendo manchete.

Jason hesitou por um segundo antes de responder:

— Então eu vou te blindar. Se for preciso, vou comprar os jornais.

Eloise arregalou os olhos, mesmo sozinha.

— Jason…

— Eu não estou brincando. — ele rebateu, sério. — Já fiz isso antes. E não hesitarei em fazer de novo.

— Eu sei que está tentando me proteger. Mas eu também preciso respirar. Preciso sentir que tenho uma vida, entende?

Jason a encarou por alguns segundos, os olhos intensos, antes de soltar o ar devagar.

— Está bem. — cedeu. — Mas pelo menos me deixe colocar alguém com você.

Eloise franziu o cenho.

— Alguém?

— Segurança. — ele respondeu, direto. — Não discuta. Eu vou escolher.

Ela pensou em protestar, mas desistiu. Sabia que ele não iria recuar nesse ponto.

— Tudo bem. — disse, rendida. — Mas que seja alguém discreto.

Jason se aproximou, colocando uma mão firme sobre o ombro dela.

— Sempre. — prometeu.

A repercussão não se limitava às manchetes. Programas de debate discutiam a condenação de Jonas, especialistas em direito davam entrevistas, jornalistas analisavam o “colapso de um império”.

Eloise assistia em silêncio, mesmo contra a vontade de Jason. Ouvia palavras como “escândalo”, “corrupção”, “lavagem de dinheiro”. Mas o que mais lhe doía eram os comentários sobre a família. Alguns apresentadores insinuavam que ela devia ter conhecimento, que ninguém tão próximo poderia ser completamente inocente. Mas o que eles não sabiam é que ela não era próxima dele.

— Eles não sabem de nada. — Jason disse, desligando a televisão sem pedir. — E não têm o direito de falar assim de você.

Ela o olhou, os olhos marejados.

— Mas eles vão continuar falando. Até uma nova noticia surgir.

— Então eu vou criar uma. — Jason respondeu, convicto.

— O que você vai fazer?

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