Quando todos foram embora de sua casa, Max se esvaziou como um balão, sua força foi pura aparência; hoje ele tinha conseguido vestir um terno, mas não tinha se barbeado nada e parecia um morador de rua de terno.
Julieta tinha visto a notícia, não tinha provas, apenas um frio pressentimento de que já havia visto a notícia e ela talvez não acreditaria em sua versão.
— Você vai mesmo processar? — questionou Marcelo, curioso.
— Não sei, só sinto que esse filho não é meu — admiteu Max — não me lembro de nada daquela noite, mesmo assim não me vejo dormindo com qualquer mulher.
— Você sempre foi seletivo com esse assunto — murmurou Marcelo em concordância — posso investigar a vida dela, se você quiser.
— Sim, quero chegar ao fundo de tudo — esfregou a testa, sentindo-se muito cansado e com vontade de dormir.
— Seus remédios? — perguntou Marcelo.
— Já tomei — lembrou Max — só preciso... descansar.
— Você não me disse como foi com a Julieta — disse, enquanto caminhava atrás dele, esperando que não caísse ou desmaiasse.
— Não pude fazer nada... ela viu a notícia e te digo que pude ver como quebrei o coração dela de novo — lamentou Max.
Só pensar no rosto dela contraído pela tristeza e pálido o fez querer se apunhalar, tudo é culpa dele. Não havia mais ninguém para culpar.
— Ai, m****a — lamentou Marcelo — mande flores para ela, ou peça um encontro.
A proposta de Marcelo não era tão absurda. Mas ela o tinha tirado de sua vida.
— Ela me colocou na lista negra dos contatos dela, não posso ligar ou me comunicar com ela — informou Max com os dentes apertados — ela estava com outro homem... não era Callum, mas e se ela deixou o Callum Rutland e me superou?
— Não acho que isso seja tão simples de fazer, ela te amou por muito tempo... não é fácil deixar um amor assim — Marcelo tirou uma conclusão apressada — isso leva tempo, talvez você deva fazer o mesmo que ela, focar em si mesmo e superar sua doença.
— Eu... não quero. Se ela não estiver ao meu lado, não quero nada — explicou enquanto Marcelo o ajuda a se deitar na cama.
Solta um suspiro cansado e fecha os olhos, sentindo-se exausto e triste.
***
Na casa de Julieta.
Julieta conversava animadamente com Stefan quando recebeu muitas notificações ao mesmo tempo, mas só abriu a que Isabel lhe enviou com uma carinha triste e quase desmaiou de impressão.
— O que foi, Juliette? — perguntou Stefan, curioso.
Meu coração se sentia apertado e dolorido, minha alma se sentia seca.
Quantas vezes meu coração pode ser quebrado pelo mesmo homem?
Julieta nunca lhe perguntou sobre aquela foto que viu semanas atrás de Liliane com sua camisa vestida na cozinha, agora tudo estava evidente. Só conseguiu correr deixando seu irmão para trás, ouviu que a chamavam, mas ela ignorou a todos. Precisava ficar sozinha.
Julieta fechou a porta do seu quarto com um baque surdo, sentindo como se a notícia que acabava de receber fosse um tapa inesperado. As palavras dos internautas ressoavam em sua mente: "O senhor Maximiliano será pai"
O jantar transcorreu entre conversas triviais, até que seu pai, o conde Beaumont, pigarreou, chamando a atenção de todos.
— Estivemos conversando com Callum e acreditamos que o melhor seria organizar um jantar de ensaio para o casamento — anunciou com autoridade. — Julieta, sabemos que este é um momento importante para você. Pensamos que é o momento adequado para apresentá-la oficialmente à sociedade, como a filha mais nova do conde Beaumont.
Julieta, ainda com o eco da notícia de Maximiliano em sua mente, sentiu o peso das expectativas. Mas sabia que não podia decepcionar sua família. Além disso, Callum, embora distante em comparação com o amor que uma vez sentiu por Max, sempre tinha sido leal e atencioso com ela.
— Sim, claro — respondeu Julieta, endireitando-se na cadeira e tentando mostrar-se segura. — O fim de semana será perfeito para isso.
Os olhos de sua mãe brilharam com orgulho, e seus irmãos trocaram olhares cúmplices, já antecipando a importância do evento. Callum, por sua parte, parecia desconfortável com sua resposta.
— Convidaremos a todos — acrescentou Julieta, com um sorriso forçado. — Será um acontecimento que ninguém vai querer perder.
A conversa retomou seu curso habitual, enquanto os detalhes do evento começavam a ser discutidos com entusiasmo por sua família. Julieta, no entanto, mal participava. Sua mente, embora presente no jantar, vagava em outra direção: no que havia perdido e no que ainda não se atrevia a contar.
— Preciso dizer algo a vocês e este é o momento oportuno — falou alto e claro para que a escutem.
— Bem... pode falar — disse sua mãe, dando-lhe a palavra.
O olhar de Julieta pousa em Callum que, adivinhando o que ela quer dizer, assente imperceptivelmente.
— Não há muitas coisas para dizer e não há palavras bonitas para disfarçar esta notícia, mas é o que é e espero que aceitem — comecou dizendo, depois suspira — estou grávida e o pai não é Callum — apressou-se a esclarecer.
Aparentemente todos tinham prendido a respiração, o silêncio que se seguiu à sua revelação a deixou nervosa. Poderia se ouvir um alfinete cair em um dos quartos superiores com todo o silêncio que caiu.

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