Gustavo Peixoto baixou os olhos, vendo Ceci chorar com uma delicadeza que partia o coração, e não pôde evitar franzir o cenho, sentindo um aperto no peito.
Ele levantou a mão para enxugar as lágrimas dela e disse baixinho:
— Não chore. Se ela mesma procurou por isso, um pouco de sofrimento é merecido.
As palavras entrecortadas chegaram aos ouvidos de Daniela Peixoto como um balde de água fria despejado de repente.
A dor avassaladora tomou conta dela, e aquela força e teimosia que sustentava com dificuldade desmoronou diante da frieza do irmão.
— Rápido! Vá buscar o médico da escola!
— É preciso estancar o sangue da cabeça dela primeiro!
A consciência de Daniela começou a se turvar, e antes de desmaiar, teve a sensação de que tudo ao seu redor ficou subitamente silencioso.
O som dos sapatos sociais batendo no chão soou estranhamente alto e nítido.
Uma aura intensa, marcada pelo vigor de alguém acostumado ao comando, pairou sobre ela de forma quase agressiva. Um par de braços fortes a envolveu, levantando-a do chão.
Atordoada, Daniela Peixoto sentiu que aquela pessoa era familiar. O cheiro agradável de tabaco a fez aninhar o rosto no peito do homem e inspirar profundamente, como se buscasse abrigo.
A consciência então se dissolveu na escuridão.
— Presidente Rodrigues...
Todos ficaram estarrecidos.
Ninguém podia acreditar que Samuel Rodrigues, sempre tão obcecado por limpeza, tivesse pegado nos braços a ensanguentada Daniela Peixoto.
O sangue no rosto da garota manchou a camisa branca dele, e naquele instante, o semblante de Samuel estava assustadoramente frio.
— Daniela Peixoto, acorde!
Samuel Rodrigues bateu levemente com a palma da mão no rosto da garota. Ao ver seu estado, com a cabeça coberta de sangue, sentiu o peito estremecer, como se uma mão cruel apertasse seu coração. Pela primeira vez na vida, sentiu-se tomado pelo pânico por causa dela.
Lembrou-se da última vez, no Quintal da Brisa, em que soube do destino dela na vida passada por meio de seus poderes de leitura de pensamentos.
Naquele momento, ele se perguntou, confuso: será que o azar dela nesta vida já começou?
Samuel Rodrigues sempre se irritara com aquela mulher. Até mesmo quando o conflito explodiu, ele apenas assistia de longe, indiferente.
Só que, por mais afastado que estivesse, ainda assim conseguia ouvir os pensamentos dela.
Ela era incompreendida, ferida e isolada, mantendo uma força interior que, por algum motivo, despertava compaixão nele.
Mas o que realmente o enfurecia era: será que esse pessoal tinha perdido o juízo?!

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