Daniela Peixoto sentiu como se seu corpo estivesse submerso no mar, gélido e sufocante.
Mãos grandes e cruéis apertavam sua garganta.
— Eu te avisei, não mexa com a Ceci!
No sonho, a voz do homem era impiedosa e definitiva.
Ela estremeceu, a voz trêmula:
— Por quê... por quê?
Por que, quando ela te machucou tanto, você conseguiu permanecer indiferente?
Por que tudo que faço, mesmo sendo por você, não vale nada aos seus olhos?
Ela se arrependera.
Queria dar um tapa em si mesma, para acordar daquela paixão cega!
Daniela Peixoto despertou do pesadelo, com as costas encharcadas de suor frio.
O rosto úmido, o ar impregnado pelo cheiro de álcool hospitalar.
De repente, abriu os olhos e viu, ampliado à sua frente, o mesmo rosto do demônio dos seus sonhos.
— Não se aproxime!
Daniela Peixoto recuou por instinto.
Sua reação repentina deixou Samuel Rodrigues ainda mais sombrio. Ele jogou fora o algodão ensanguentado que segurava e, com firmeza, agarrou o pulso dela, puxando-a de volta.
Ela tentou se debater, mas Samuel Rodrigues, com o olhar escurecido, usou o joelho para imobilizar sua cintura, sem qualquer traço de paciência.
Com a sobrancelha franzida, os dedos ásperos apertaram o queixo dela.
Daniela Peixoto sentiu dor no rosto, ficou tão assustada que quase se tornou uma estátua.
— Samuel Rodrigues, eu sei que errei, foi minha culpa. Eu deveria ter evitado a Cecília Peixoto! Por favor, não marque nada no meu rosto.
“Faça algo digno, homem! Tratar assim uma mulher que te ama, não tem medo de ir para o inferno depois?”
“Ai, meu rosto dói! Esse demônio vai cortar minha cara?”
Ouvindo os pensamentos ingênuos daquela mulher, Samuel Rodrigues ficou com o rosto tão fechado quanto o fundo de uma panela.
— Bateu a cabeça e danificou o hipocampo, foi?
A voz, grave e exasperada, transbordava impaciência.
Daniela Peixoto levou a mão à testa dolorida, sentindo uma camada de gaze, e as lembranças voltaram em flashes.
Ela havia caído e ferido a cabeça; o arranhão no rosto fora obra das unhas de Zoé Barbosa.
Ainda bem!
Por um triz não pensou que o possessivo Samuel queria silenciá-la para sempre.
Mas, se não era intenção de matar, por que ele estava ali, no quarto do hospital?
Samuel Rodrigues ficou em silêncio.
O homem abaixou as pálpebras, e o pequeno sinal avermelhado no canto do olho parecia ainda mais intenso. Ao reabrir os olhos, curvou levemente os lábios, afagando o queixo dela com delicadeza.
— Dói?
A voz aveludada percorreu-lhe os ouvidos, provocando um arrepio elétrico.
Daniela Peixoto imediatamente ficou alerta.
“O que há com esse homem? Tomou o remédio errado?”

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