Gustavo Peixoto sempre foi um homem de temperamento calmo e opiniões firmes; em casa, sua palavra tinha peso, até mesmo seu pai o respeitava. No entanto, havia apenas uma pessoa diante da qual ele recuava: sua mãe, uma renomada cantora, Susana Cavalcanti.
Talvez por estar acostumada a ser o centro das atenções, Susana Cavalcanti agia sempre de maneira decidida e, muitas vezes, irredutível — principalmente quando se tratava de mimar Daniela Peixoto.
Desta vez, porém, Gustavo Peixoto sabia que tinha errado. Ele tentou suavizar o tom:
— Mãe...
— Não me chame de mãe! Eu não tenho um filho assim!
O rosto de Susana Cavalcanti ficou rubro, tomada por uma raiva intensa.
— Dentro de casa tudo bem, mas até fora você não poupa a Dany de constrangimento. Se não fosse por sua complacência, aquela garota da família Barbosa teria ousado ser tão insolente?
— Eu...
— O quê? Ainda vai querer se justificar? — Susana Cavalcanti se levantou de repente, impondo toda a sua autoridade.
Gustavo Peixoto sentiu-se extremamente constrangido e, sem querer, lançou um olhar para a irmã, que estava deitada no leito.
Sentindo o olhar do irmão, Daniela Peixoto não conseguiu conter uma careta, revirando os olhos em pensamento:
“Bem feito! Agora a sorte mudou de lado!”
Ao captar a mensagem silenciosa da garota, Samuel Rodrigues, que até então mantinha um semblante frio, relaxou um pouco, esboçando um sorriso contido.
Percebendo o sorriso irônico de Samuel Rodrigues, Gustavo Peixoto ficou ainda mais desconfortável. Tossiu discretamente e disse:
— Mãe, a Dany ainda está doente. Vamos conversar lá fora.
Sem esperar resposta, puxou Susana Cavalcanti para fora do pequeno consultório.
Vendo o Presidente Peixoto sair, e percebendo que Samuel estava claramente preocupado com a Srta. Peixoto, William entendeu que ali seria apenas um estorvo. Discretamente, também deixou o ambiente.
Logo, o quarto ficou vazio.
Restaram apenas Daniela Peixoto e Samuel Rodrigues. A atmosfera carregada ao redor do homem parecia quase palpável, tornando difícil para ela até respirar.
A alegria de ver o irmão em apuros havia desaparecido.
Daniela Peixoto apertou o lençol com nervosismo, forçando um sorriso desajeitado:
— Hehe... Samuel Rodrigues, obr... obrigada...
O sorriso de Samuel Rodrigues também congelou no rosto. Seus olhos profundamente escuros fixaram-se nela, sem perder o nervosismo e a inquietação refletidos em seu olhar.
O clima entre eles rapidamente carregou-se de tensão. As palavras que Daniela dissera em pensamento ecoavam na mente de Samuel, como agulhas espetando seu coração.
Ela o chamara de demônio.
— Você já agradeceu, não foi? — Samuel baixou o olhar, tentando esconder o frio em seus olhos e suavizar o tom de voz.
Daniela Peixoto ficou sem palavras, lamentando internamente:
“É que o senhor parado aí desse jeito dá medo... Só queria uma desculpa pra pedir que se retirasse.”

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