Daniela Peixoto ficou em silêncio.
Seu rosto ficou tão quente que parecia queimar.
“Que vergonha, meu Deus! Será que tem um buraco por aqui pra eu me enfiar?”
— Está com fome?
As sobrancelhas de Samuel Rodrigues se distenderam. O peso abafado em seu peito foi destruído pela confissão impulsiva da garota, e ele não conseguiu conter um sorriso.
Daniela Peixoto esfregou o estômago, constrangida.
— S-sim... estou um pouco com fome. Também não faço ideia de onde a Juliana foi parar. Parece que não tem ninguém em casa.
— Juliana foi para a cidade natal. Seus pais e seu irmão foram ao jantar beneficente, só devem voltar muito tarde hoje. A tia Susana me pediu para cuidar de você.
Samuel Rodrigues limpou as cinzas do cigarro da roupa e disse, em tom grave:
— Vamos.
Daniela Peixoto ficou muda.
Era sério isso? Essa era a mãe dela?
Depois de uma vida inteira, ver Samuel Rodrigues já era motivo suficiente para querer se esconder, e Susana Cavalcanti ainda empurrava ela para o fogo?
Mas ela também não tinha coragem de recusar. Afinal, esse sujeito era tão temperamental quanto rancoroso, e ela ainda queria conquistar alguns pontos com ele.
Não existe nada que baixe mais a guarda de alguém do que uma pessoa aparentemente dócil, sensata e inofensiva.
Ela precisava manter a imagem de apaixonada fiel!
— Sério? Samuel Rodrigues... você... você é muito generoso. — Daniela olhou para ele com olhos brilhantes, apertando nos braços o pacote de ovos cozidos.
A expressão de Samuel Rodrigues ficou ainda mais fechada.
Por algum motivo, o pacote de plástico nos braços da garota o incomodava profundamente.
Ele olhou o relógio.
— Cinco minutos. Troque de roupa e desça.
— Cinco minutos? Tá, você... você me espera! Já volto!
Daniela Peixoto, toda atrapalhada, correu para dentro da casa, largou o pacote na mesa de jantar e subiu as escadas como uma flecha.
A sala ficou em silêncio. Os passos dela ecoaram no piso superior e logo se afastaram.
Samuel Rodrigues entrou, com o ar frio de sempre, mas seus olhos foram imediatamente atraídos pelo pacote deixado sobre a mesa.
Após alguns segundos de hesitação, ele se aproximou, pegou a alça do pacote.
“Ploc!”
O pacote de plástico foi jogado no cesto de lixo.
Assim que terminou o gesto, Samuel ficou paralisado por um instante, tomado por uma irritação inexplicável.
O que ele estava fazendo?
Naquele momento, ouviu-se um barulho no andar de cima: Daniela Peixoto parecia já ter trocado de roupa e estava descendo.
Samuel olhou para a escada, sentindo uma pontada de culpa inesperada.
Rapidamente, esticou a perna e empurrou o cesto de lixo para debaixo da mesa.
Daniela Peixoto apareceu na escada, agora com uma camiseta confortável. Assim que virou o corredor, deu de cara com o peito firme de Samuel Rodrigues.
Ao levantar os olhos para o rosto dele, frio como gelo, ela se assustou e recuou dois passos.

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