Havia se transformado de um patinho feio desconhecido para um cisne capaz de encantar corações, enfeitiçando-os.
Ângela tocou o próprio rosto e se perguntou se aquele era o poder da confiança.
Sacudindo o corpo para afastar o cansaço das aulas, cantarolou uma música e seguiu para o refeitório.
Quanto às poucas pessoas que pegou fofocando, suas expressões mudaram de forma drástica e logo se afastaram envergonhadas.
Depois de pegar sua comida, a garota sentou-se em uma mesa aleatória para comer.
Então, pegou o celular para responder à mensagem de Jéssica.
A amiga reclamava sobre a comida no exterior, dizendo que não era boa e que comiam as mesmas coisas todos os dias. Era sempre lanche, e estava ficando cansada daquilo.
Sentia falta da comida de casa, da costela grelhada, do peixe assado, do churrasco e do creme de cebola.
Apesar disso, os professores eram muito gentis, estava aprendendo muito.
Sentia que estava mais perto de seu sonho de se tornar uma diplomata.
Estava contente por Jéssica não ter arrependimentos de sua vida passada, e estava mais perto de seu sonho, assim como pelo divórcio de sua prima e Horácio, e porque não morreram cedo também.
As pessoas com quem se importava estavam seguindo numa direção positiva.
Ao olhar ao redor de modo casual, pensou ter visto Linda.
Mas ela não deveria estar na cadeia? Bem, parece ela, mas não exatamente.
A garota era magra, as roupas pendiam folgadas nela, e caminhava com a cabeça baixa, encolhendo-se de medo. Nada parecido com a orgulhosa Linda de antes.
A jovem queria olhar mais de perto quando alguém tocou seu ombro. Quando olhou para cima, viu Cassie segurando uma bandeja de comida.
“O que está olhando? Eu disse para me esperar. Por que não esperou?”, perguntou. Parecia bastante descontente.
Confusa, respondeu: “Pensei ter visto Linda... deixa pra lá. Você não a conhece.”
“Linda Saw? Como eu não a conheceria? Eu a vi algumas vezes, aquela ali pensa que é superior a todos.” Então sentou-se em frente à colega e continuou: “Mas ouvi dizer que desde que o pai dela caiu em desgraça, tem vivido bem mal.”
Ângela baixou o olhar e permaneceu em silêncio. Não tinha interesse em compadecer-se de alguém que quase a matou.
“Não faz muito tempo, Linda mexeu com alguém e foi presa; foi uma confusão. Um amigo meu disse que não era para ela ter sido solta, e que a pessoa que a denunciou tinha muito poder, mas, de alguma forma, a colocaram em liberdade. Dever ter custado muita grana e, agora, ela está estudando aqui. O pai foi preso por corrupção, a casa foi apreendida e leiloada, o dinheiro também foi apreendido. A família já estava endividada e agora gastaram mais para tirá-la da cadeia. Acho que teria sido melhor para ela se continuasse presa. Pelo menos lá teria o que comer. Aqui fora, ela não só tem que pagar as dívidas, como tem que cuidar da mãe que está doente. Os tios tomaram o que restava da empresa do pai dela e tudo desmoronou num passe de mágica. Minha tia pediu que eu ficasse longe para evitar problemas. Mas com quem será que ela mexeu? Que azar.”
A garota falava com grande interesse. Do outro lado, Ângela terminou de comer, colocou os talheres de lado e limpou a boca com um guardanapo, então mostrou um leve sorriso.
“Você está bem-informada.”
“Bem, uma fofoca não faz mal a ninguém. Onde houver uma, lá eu estarei!”, disse com orgulho, parecendo satisfeita consigo mesma.
A colega sorriu e permaneceu quieta.
Os olhos de Cassie se iluminaram como se tivesse se lembrado de algo, e disse de repente: “Tem tempo livre este fim de semana?”
“Para quê?”, perguntou Ângela.

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