Uma multidão se reuniu ao redor, apontando e sussurrando sobre Ângela com olhares estranhos.
“Ela é o tipo de pessoa que é incapaz de encontrar a própria felicidade e sempre tenta perturbar a dos outros para autossatisfação!”
“Você ouviu o que aquela senhora disse? Ela até mandou o marido da prima para a prisão.”
Vários discutiam o assunto parecendo indignados. “Que tipo de pessoa faz isso? São família! Não importa o erro, por que mandar alguém para a prisão? E ainda assim, esse tipo de pessoa conseguiu entrar nesta faculdade.”
“Mas e se a culpa foi do cara? Por que a polícia o prenderia se fosse inocente?” Uma voz suave se juntou à conversa.
Se prenderam, como essas acusações poderiam estar certas?
“Bem, nunca se sabe. Algumas pessoas são más por natureza, causando problemas aonde quer que vão!”, zombou uma garota na multidão, olhando para Ângela com nojo nos olhos.
Alguém perguntou: “Você a conhece?”
“Sim. É a irmã mais nova de minha amiga. Ela a intimidava e roubava dela! Saber que a irmã gostava de Christopher Sanders não a impediu de interferir no relacionamento deles sem qualquer vergonha!”, pronunciou-se Stella cada vez mais irritada e indignada.
Dava indícios de que queria marchar até a jovem e dar-lhe uma boa surra.
“Ah... eu conheço Christopher! É o bonitão do Departamento de Línguas Estrangeiras, né? Ouvi dizer que está noivo!”
Stella disse com orgulho: “Sim, minha amiga e ele estão noivos. É uma sorte que essa cobra não tenha conseguido separá-los.”
“Então, se tentou roubar até o namorado da própria irmã, o que não faria para acabar com o casamento da prima, né?”, disse resmungando com frieza. E continuou: “Ângela foi colocada para fora de casa, foi o tio quem a acolheu. Mal sabia que estava convidando problemas para dentro de casa, arruinando a felicidade da própria filha. Está estudando medicina, mas quem teria coragem de ser paciente dela?”
“Ângela está se esforçando muito, então não diga essas coisas. Eu e Christopher estamos bem e vamos nos casar em breve, não a culpo”, disse Fernanda, que apareceu do nada.
Parecia etérea conforme se aproximava, os longos cabelos pretos fluíam até a cintura; ela usava um casaco de marca sobre uma blusa bege, uma jovem pura e elegante.
Stella entrelaçou seu braço no da amiga. “Isso porque é gentil, e você e Christopher são inseparáveis. Todos sabem que ele te ama”, provocou, com um tom brincalhão.
Fernanda tinha uma expressão tímida no belo rosto, fingindo estar irritada enquanto lançava à garota ao seu lado um olhar de esguelha.
Então, voltou-se para sua irmã caçula cercada pela multidão. “Me preocupa o que estão fazendo, intimidando-a. Mesmo que tenha feito algo errado, ainda é minha irmã. Como eu ficaria parada sem fazer nada?”
A jovem mulher suspirou e abriu caminho pela multidão.
“Fernanda é tão gentil.”
“Se eu tivesse uma irmã assim, numa mais olharia na cara dela!”
Ouvindo os elogios que a seguiam, a recém-chegada sorriu devagar, com satisfação nos olhos.

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