Mesmo ouvindo aquele absurdo, Júlia manteve o controle, respirando fundo.
— Fale logo. Quanto você quer?
— Dinheiro? — Laura riu, desdenhosa. — Eu sou a herdeira da Família Torres. Acha mesmo que eu preciso do seu dinheiro?
— O que será necessário para você tirar essa criança?
— Eu já deixei claro: não vou abortar! O Henrique sempre amou a mim. Nós crescemos brincando juntos, compartilhamos momentos inesquecíveis. Você não passa de uma ferramenta de casamento sem sentimentos.
A paciência de Júlia finalmente se esgotou.
— Se ele a ama tanto, por que você precisou arquitetar aquele teatrinho barato para levá-lo para a cama no hotel? Acha que eu sou burra?
Júlia deu um passo em direção a ela, a voz carregada de nojo:
— Eu mandei investigar cada detalhe daquela noite. Foi você quem armou tudo. Você se jogou no noivo alheio como uma garota barata, e agora quer posar de ofendida?
As palavras de Júlia eram lâminas.
— Você é um veneno puro. Uma praga. Assim que pisou na casa dos Torres, começou a destruir a vida da sua própria irmã, espalhando intrigas até despedaçar a família dela. E agora? Ela os deixou para trás e vive mil vezes melhor do que você jamais viverá! A Tainá nasceu para brilhar nos palcos, enquanto você é apenas uma sanguessuga chafurdando na lama. Sinceramente, gente da sua laia devia estar vendendo o corpo na rua, porque é só para isso que serve.
Júlia respirou pesadamente, cravando o olhar nela.
— Vou perguntar pela última vez: você vai tirar essa criança ou não?
A raiva que consumira Júlia nos últimos dias finalmente transbordou de maneira cruel.
— Eu não vou tirar! E o que você vai fazer sobre isso? — Laura provocou, sustentando um olhar desafiador. — Você pode xingar o quanto quiser, suas palavras não passam de vento. O que importa é que o sangue do Henrique está crescendo dentro de mim.
Naquele segundo, o fio da racionalidade de Júlia Xavier arrebentou.
Como uma garota mimada e nascida em berço de ouro, ela não suportava a insolência.
— Então você não vai abortar por bem? — murmurou Júlia, o tom caindo para um sussurro perigoso.
— O... o que você pensa que vai fazer? — Ao ver a expressão assassina no rosto de Júlia, Laura deu um passo para trás, o pânico subindo pela garganta.
— Já que você é tão egoísta e ameaça a minha felicidade e do meu noivo, não me deixa outra escolha a não ser fazer o trabalho sujo por você.
Quando os punhos começaram a doer, Júlia passou a usar os sapatos de salto, chutando Laura com selvageria no chão. Ela só parou de bater quando a garota desfaleceu completamente e uma poça de sangue espesso começou a se formar no piso de madeira.
Satisfeita, Júlia ajeitou as roupas amassadas e caminhou até a porta.
No corredor, parou de frente para um garçom assustado.
— A pessoa na sala desmaiou. Entre e chame uma ambulância — ordenou friamente, antes de desaparecer rumo à saída.
Quando os Torres finalmente receberam a ligação, Laura já estava sendo internada na UTI do Hospital Concórdia.
O dono da casa de chás quase teve um colapso quando viu o banho de sangue em seu estabelecimento. Aterrorizados de que a garota morresse ali mesmo, os funcionários chamaram o resgate imediatamente. Procurando documentos nos pertences de Laura na ambulância, os paramédicos encontraram o contato da família.
Eram onze horas da noite. Tainá estava dormindo profundamente quando seu celular vibrou. Ao ver que era um número desconhecido, ela rejeitou a chamada na mesma hora.
Ela mantinha um padrão rigoroso de oito horas de sono e não permitiria que nada no mundo a interrompesse.
Mas o aparelho voltou a tocar em seguida.
Irritada com a persistência, Tainá desligou o celular.

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