Quando Thiago e os outros finalmente chegaram com a segunda mala de dinheiro, os policiais já haviam enviado o corpo gélido de Tainá para o necrotério.
Thiago olhou perplexo para o chão manchado de sangue onde sua irmã havia sido executada e, finalmente, deixou as lágrimas caírem.
Alexandre e César também ostentavam expressões de pura agonia. Afinal, por mais que a relação estivesse abalada, ela ainda era a irmã caçula que um dia eles tanto mimaram.
Foi somente naquele instante brutal que os irmãos perceberam que a vida de Tainá não era indestrutível.
— Thiago... Quem morre não volta mais.
Apesar do choque, nenhum deles admitiu que a decisão de salvar Laura primeiro havia sido um erro.
O que surpreendeu Tainá foi a reação de Giovani, o Esquentadinho, que costumava odiá-la e exigir castigos severos. Ele esmurrava a porta de aço do necrotério como um louco.
— Tainá! Acorda agora! Você não tem permissão para fugir de mim assim...
Depois desse dia, Giovani rompeu totalmente com Laura, passando a boicotá-la e infernizá-la a cada oportunidade.
Mas de que adiantava aquilo agora?
Quando Martim decidiu salvar Laura primeiro, Giovani não moveu uma palha para impedi-lo.
Na verdade, ele ainda zombou: "Tainá é casca-grossa. Um pouco de sofrimento não vai matá-la."
Após o velório, Viviane parou de mimar Laura de forma tão obsessiva. Muitas vezes, era vista abraçada à foto de Tainá, chorando em silêncio pelos cantos da mansão.
Mas, mais uma vez, de que adiantava?
O sequestro, desde o seu planejamento inicial até o desfecho sangrento, fora inteiramente orquestrado por Laura. Foi ela quem entrou em contato e fechou acordo com os sequestradores.
O aumento repentino do resgate? Outra exigência de Laura, combinada previamente com os bandidos.
No entanto, o plano original deles não incluía o assassinato de ninguém.
O submundo sabe que, assim que uma vítima é morta, o cerco se fecha e a situação sai do controle. O objetivo dos sequestradores era apenas extorquir uma fortuna; ninguém, em sã consciência, desejava comprar uma guerra sangrenta contra um titã como a Família Torres.
No mundo corporativo de alto nível, toda família bilionária tem os seus próprios meios sombrios de retaliação.
Foi porque Laura queria Tainá morta que ela enviou uma mensagem silenciosa para a polícia enquanto era levada em segurança, garantindo que o som das sirenes apavorasse os bandidos e resultasse na execução de Tainá.
...
— Tainá! Tainá, acorda!
Tainá foi arrancada de seus pesadelos pelas mãos ansiosas de Débora e Luna. Ao abrir os olhos, a primeira coisa que viu foi o teto branco e estéril.
— Eu estou no hospital?
— Você nos deu um susto terrível ontem à noite! De repente, desmaiou no meio do salão. A ambulância te trouxe direto para o Hospital Concórdia.
O Hospital Concórdia era o centro médico mais prestigioso de Valenúbia, onde seu irmão, César, trabalhava como médico-chefe.
— Você estava sofrendo de desidratação severa e hipoglicemia aguda. Ontem à noite aplicaram um pouco de glicose e deixaram você no soro. O médico recomendou que ficasse internada por alguns dias para recuperar as forças, já que seu corpo ainda está muito debilitado.
— É uma boa ideia.
Quando tivesse alta, muitas batalhas ainda a esperavam. Era essencial nutrir seu corpo e estar preparada.
— Não queríamos te deixar triste, mas achamos que você tem o direito de saber — explicou Luna.
Débora concordou.
— A sua mãe está aqui no hospital, no quarto ao lado. Ontem, logo depois do seu desmaio, a Laura fingiu passar mal também. Sua mãe passou a madrugada inteira do lado daquela dissimulada e não pisou aqui uma única vez para saber se você estava viva.
— Não faz diferença. Eu já não espero mais nada daquela família.
— E tem mais! A Laura foi atendida pessoalmente pelo seu irmão César, mas ele não deu as caras no seu quarto em nenhum momento.
— Ótimo. Assim eu não fico devendo nenhum favor a ele.
— Bem pensado. Como se nós fôssemos depender daquela clínica deprimente dele para te tratar! — Débora retrucou, bufando de ódio.
— E os outros irmãos?
— Ontem à noite vieram todos para cá. Mas assim que o médico disse que as duas estavam estabilizadas, a maioria foi embora.
— O seu irmão mais velho passou rapidinho, perguntou se precisávamos contratar um enfermeiro particular, mas nós dissemos que não.
— Ah, ele também deixou um cartão com dinheiro para as suas despesas. Tainá, a gente banca as suas coisas a partir de agora! Você não precisa usar o dinheiro dele.
— O fato de eu estar jogada numa cama de hospital foi consequência daquela punição doentia deles. Seria burrice não usar esse dinheiro — Tainá respondeu com frieza, pegando o cartão da mesa de cabeceira e o guardando.
— É, pensando por esse lado, você tem razão.
— Tainá, agora a parte boa... Temos uma notícia maravilhosa para você!

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