Tainá Torres desligou o telefone abruptamente e, em seguida, discou para o Mestre Lago.
— Mestre, preciso que encontre dois guarda-costas de elite para mim. — Ela foi direto ao ponto.
— Para quando? — indagou o homem do outro lado da linha.
— O mais rápido possível. Para agora, se der. O pagamento não será problema.
— Se você precisa deles imediatamente, é melhor pedir ao Lúcio para ajudá-la primeiro. — O tom do Mestre Lago era pragmático. — Especialistas de alto nível precisam ser agendados. Não há muitos disponíveis em Valenúbia no momento, todos estão em missões. E profissionais de nível mediano não serviriam para você.
Ele tinha razão. Com as habilidades marciais atuais de Tainá, combinadas ao seu domínio da Farmacologia Ancestral, ela conseguia lidar com praticamente qualquer ameaça, a menos que estivesse em desvantagem numérica absurda ou enfrentasse mestres de elite. Procurar guarda-costas era apenas uma medida de precaução.
A situação atual com a Família Torres já era algo que Tainá havia previsto há muito tempo. Caso contrário, por que teria treinado tão arduamente e se dedicado de corpo e alma às fórmulas de seus remédios naturais?
— Vamos fazer assim, então. Peça para o Lúcio vir me buscar. Se houver algum guarda-costas disponível, mesmo que seja de nível comum, peça para ele trazer um. — Tainá sugeriu, pensativa. Na verdade, a empresa de segurança do Mestre Lago era referência no mercado; até mesmo os profissionais considerados "comuns" por eles estavam longe de ser fracos. — Só estou preocupada que eles tentem sequestrar a dona Suzi.
— Dos comuns, eu tenho disponíveis. Custam cerca de dez mil por mês. Um só é suficiente?
— Então me mande dois.
Caso Suzi precisasse sair para ir ao supermercado ou resolver algo, um deles teria que ficar de guarda no apartamento.
Lúcio ainda precisava recrutar pessoal para a nova empresa. Ele podia até servir de motorista ocasionalmente, mas não poderia ficar de plantão o tempo todo.
Após acertar os detalhes, Tainá se voltou para Suzi.
— A senhora ouviu o que eu disse, não é? A Família Torres pode tentar algo contra mim, e há o risco de usarem a senhora como refém. — O olhar da jovem era sério. — Contratei dois guarda-costas. De agora em diante, não saia sozinha para fazer compras. Se precisar de algo, peça para um deles ir. E aqui está a Droga Sonífera. Leve sempre com a senhora. Se houver qualquer perigo, jogue no rosto do agressor.
— Essa Laura é um verdadeiro carma! Por que ela simplesmente não desaparece? — Suzi desabafou, incapaz de conter a indignação. — Fez você romper de vez com a sua família e agora nos obriga a viver com o coração na mão. E ainda por cima, gastando uma fortuna com seguranças.
Para Tainá, se Laura morresse agora, seria um desfecho muito fácil. Ela precisava sofrer muito mais, e a Família Torres tinha que desmoronar antes que a garota tivesse o privilégio do descanso final.
— Não se preocupe com o dinheiro, dona Suzi. Eu posso pagar. — Tainá sorriu levemente para tranquilizá-la. — O único incômodo é que, a partir de hoje, a senhora terá que cozinhar para mais duas pessoas.
Os machucados no braço de Suzi já estavam completamente curados, o que era um alívio.
— Ah, isso não é problema nenhum! — Ela acenou com a mão, desdenhando da dificuldade. — Eu cozinhava para um batalhão na casa dos Torres e nunca achei cansativo.
— De qualquer forma, tome muito cuidado ao sair de casa.
— Pode deixar. A sua tia aqui não nasceu ontem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Renascida e Desalmada: Meus irmãos imploram por perdão