Em seguida, Tainá e Lúcio acompanharam o oficial para dentro de uma sala fechada.
Mesmo com as memórias de duas vidas, aquela era a primeira vez que Tainá pisava em uma delegacia.
O ambiente era minúsculo e sufocante. As paredes haviam sido pintadas em um tom pálido e monótono, sem qualquer traço de decoração para quebrar a frieza.
No centro exato do espaço, repousava uma mesa retangular, com uma cadeira voltada para cada lado.
Como Tainá estava acompanhada, o oficial providenciou um assento extra.
Tainá correu os olhos pelo perímetro e notou duas câmeras de segurança, perfeitamente instaladas nos cantos opostos da sala.
Ela não tinha a menor intenção de cruzar olhares com os vândalos que foram contratados. O único motivo de estar ali era vislumbrar a majestosa Laura Torres reduzida a uma mera prisioneira.
Sendo sincera, ela só queria apreciar a humilhação daquela mulher venenosa.
— Tainá! O que você está fazendo aqui?
Quando o policial trouxe Laura, a jovem acreditava fervorosamente que seria o mordomo vindo para resgatá-la.
Jamais imaginou que, num momento de tamanho desespero, daria de cara com a pessoa que mais repudiava na vida.
As mãos de Laura estavam presas por algemas metálicas. Sua elegante jaqueta branca, outrora imaculada, agora exibia marcas de sujeira e dobras encardidas.
Seus olhos estavam injetados de vermelho e seu rosto magro, ainda não totalmente recuperado, contorcia-se em uma mistura grotesca de inveja e puro ódio por Tainá.
— Vim fazer uma visita, é claro. Queria ver de perto toda a sua arrogância e o seu esplendor habitual.
— Veio rir da minha cara?
— E se for? Afinal, o espetáculo de alguém que tentou destruir os outros e acabou trancafiada na delegacia é algo raro de se ver.
Tainá proferiu as palavras com um sorriso afiado.
Laura trincou os dentes de tanta fúria. — Você vai me pagar por isso.
— Lembra daquela vez em que você fingiu cair da escada para me incriminar? O Alexandre deu a ideia de me internar num reformatório, e você concordou maravilhosamente bem. Até soltou aquele discurso moralista, dizendo que lá era um lugar para o governo reeducar jovens, e que, depois de sair, eu dificilmente seguiria o caminho errado de novo. Pois bem, agora é sua vez. Aproveite esses trinta e sete dias aqui para se reeducar de verdade e tentar, no futuro, não seguir por caminhos tortuosos.
Laura mordeu os próprios lábios com tanta força que quase os fez sangrar, mas não tinha argumentos para rebater.
Ela virou a cabeça abruptamente e, de repente, seus olhos pousaram no homem ao lado de Tainá.
— Babar por ele não vai adiantar de nada. Você não conseguiu segurar nem aquele fraco do Henrique que eu joguei fora, e ainda o deixou ser roubado pela Júlia Xavier. Imagine só tentar algo com o homem que está ao meu lado. O simples fato de você ousar cobiçá-lo já é um insulto. Sabe o que você é? Lixo que, se for jogado na rua, ninguém se presta a recolher.
Lúcio virou o rosto para o lado, soltando um suspiro exasperado.
Não havia o que fazer; essa era a sina de ter assumido uma colega tão peculiar sob sua asa.
— Sua maldita... Eu vou matar você!
O oficial prontamente conteve Laura, puxando-a para trás, e virou-se para a dupla: — Acho que já chega por hoje.
Eles não podiam permitir que a detenta perdesse o controle emocional ali mesmo.
Mesmo sendo arrastada para longe, Laura continuava esbravejando contra Tainá: — Eu juro que vou matar você!
Matar-me? Isso já aconteceu na vida passada. Nesta vida, sou eu quem vai destruir você.
No entanto, eu não a deixarei sumir tão fácil. Você vai ter que saborear cada gota do sofrimento que merece.
— O espetáculo terminou. Vamos embora.

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