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Renascida e Desalmada: Meus irmãos imploram por perdão romance Capítulo 193

— O espetáculo terminou. Vamos embora.

Tainá lançou um último olhar calculista para Laura, atendeu ao chamado de Lúcio e levantou-se para segui-lo em direção à saída.

— Laura, como você chegou a esse estado?!

Assim que Martim Torres adentrou a delegacia, sua primeira visão foi a da filha, completamente desgrenhada e sendo contida pelo policial.

— Pai!

Laura tentou se jogar nos braços de Martim, mas foi prontamente arrastada para trás por dois oficiais.

Havia protocolos rígidos que precisavam ser respeitados quando um detento recebia familiares.

— Tainá, o que você está fazendo aqui?

Martim a fitou, os olhos arregalados de choque e incredulidade.

Desde que a garota rompera com a Família Torres, aquela era a primeira vez que se cruzavam.

Após quase três meses, Tainá não estava jogada na miséria como ele previra. Muito pelo contrário: ela irradiava uma sofisticação inegável, esbanjando uma aura de maturidade e eficiência afiada.

Tainá ignorou a presença dele e continuou caminhando a passos firmes.

Ele transferiu seu olhar inquisitivo para Lúcio, que acompanhava a jovem.

— Quem é ele?

Martim perguntou, com um vinco profundo de desagrado na testa.

— É o Senhor Índigo, o gerente geral da empresa de bicicletas.

O oficial informou com formalidade.

— E por que vocês dois estão juntos?

Martim voltou a fuzilar Tainá com os olhos.

— Olha só, Senhor Torres, o senhor não acha que está se metendo demais onde não é chamado?

— Filha rebelde, como ousa me chamar assim?!

O oficial ao lado franziu o cenho, claramente confuso. — Qual é o grau de parentesco de vocês?

— Ele é o meu ex-pai.

Martim abriu e fechou a boca sob o olhar afiado de Tainá, sem conseguir articular uma única resposta.

— Ex-pai? Que tipo de relação é essa?

O policial conhecia ex-marido e ex-esposa, mas "ex-pai" era uma novidade absoluta.

— Provavelmente, é algo parecido com um padrasto.

Lúcio interferiu calmamente, oferecendo uma explicação no lugar de Tainá.

— E quem disse que eu sou o padrasto dela?!

O patriarca dos Torres rugiu, com as veias do pescoço saltando de tanta raiva.

— Não, ele não tem a decência de ser um padrasto. Ele era meu pai no passado. Hoje, não há mais absolutamente nada entre nós.

Por não conseguir resolver o problema, o patrão secreto ainda teve a ousadia de chamar Adalberto de incompetente.

Do outro lado, Dona Viviane Lopes inundava seu celular com ligações frenéticas, interrogando-o sobre a demora e o andamento da confusão.

A vida dele estava um inferno. Ser um agente duplo era a tarefa mais desgastante do mundo.

Sem outra alternativa, Adalberto resolveu jogar limpo e narrou todos os absurdos que Laura havia cometido, descarregando o problema nas costas de Viviane.

Já que passavam os dias bajulando a garota de forma incondicional e cega, que tivessem o prazer de colher a tempestade.

Após as palavras do mordomo, Martim Torres sentiu como se tivesse levado um balde de água fria: eles precisavam desesperadamente daquele documento assinado pela empresa vítima.

— Esperem um segundo.

— Nós jamais ofereceremos acordo para delinquentes que contratam vândalos para destruir nossos bens.

Lúcio disparou a recusa por cima do ombro, sem diminuir o ritmo dos seus passos.

— Filha rebelde...

Tainá, por sua vez, parou e virou o pescoço levemente na direção dele.

— O que foi? Vai me implorar para convencê-lo?

— Senhorita Tainá...

Tainá ergueu a palma da mão num gesto brusco de parada. — Guarde suas súplicas. Eu não aceito tamanho fardo.

Em seguida, focou seu olhar cortante em Martim. — Lembro-me muito bem do dia em que fui embora. Você deixou claro que se eu morresse na rua, não seria problema seu.

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