Tainá adiantou o pagamento de uma semana inteira de aulas.
A essa altura, suas economias haviam caído para setenta e seis mil reais. Ela precisava bolar uma estratégia para ganhar dinheiro rapidamente.
Quando finalizou tudo, já passava das onze da manhã. Estava prestes a caminhar até a praça de alimentação quando avistou Henrique Alves e seu quarto irmão, Giovani Torres, vindo em sua direção. Laura vinha logo atrás deles.
Giovani raramente parava em casa. Ele era piloto de corrida e vivia em busca de adrenalina.
Por mais que Viviane Lopes e Martim Torres insistissem para que ele assumisse algum cargo na empresa da família, ele simplesmente ignorava. Com o tempo, desistiram de tentar e o deixaram seguir o próprio caminho.
Tainá não tinha o menor interesse em encontrá-los, mas infelizmente, já havia sido notada.
Tanto Henrique quanto Giovani vestiam roupas de ginástica. Pelo rumo que seguiam, deviam ter acabado de jogar basquete, e Laura certamente estava ali apenas para fazer figuração e bajulá-los.
— Tainá, o que você está fazendo aqui? — perguntou Henrique.
— Por acaso é proibido?
Ao ver Tainá, Laura prontamente entrelaçou o braço no de Henrique e, com uma voz doce e afetada, começou o seu teatro.
— Irmãzinha, você devia ter avisado que vinha para cá. Poderíamos ter vindo todos juntos.
— Eu não me atreveria a andar ao seu lado. Vai que você decide tropeçar e dizer que fui eu quem te empurrou de novo.
— Irmãzinha...
Lágrimas brotaram quase que instantaneamente nos olhos de Laura, enquanto ela lançava um olhar de puro desamparo para os dois homens ao seu lado.
— Tsc, tsc. Com essa atuação dramática, você já pode ganhar um Oscar de melhor atriz.
— Tainá! Que jeito de falar com a sua irmã é esse? — Giovani gritou, exaltado.
— Isso se chama instinto de sobrevivência. Foram lições aprendidas com sangue. Se a verdade ofende os seus ouvidos, é só manter distância.
— Sua... rebelde irresponsável!
Giovani tinha o pavio curtíssimo. Ele rangeu os dentes, furioso, mas não se atreveu a fazer um escândalo em público com medo de virar piada.
— O que te importa?
Sem dar-lhes a chance de responder, Tainá virou as costas e seguiu em direção à área dos restaurantes.
Os três a observaram pedir um filé mignon e um suco de laranja natural, sentando-se para comer e beber com a maior naturalidade do mundo.
Mesmo fervendo de raiva, não podiam fazer nada. Laura olhou para Giovani. — Giovani, como ela ainda tem dinheiro?
Após o incidente com a pulseira de jade, Viviane Lopes havia suspendido toda a mesada de Tainá. E não apenas isso, haviam confiscado todas as suas economias e objetos de valor.
Giovani olhou de soslaio para Laura. De repente, uma sombra de dúvida cruzou sua mente. Parecia que a sua nova irmã era mais cruel do que aparentava, querendo ver Tainá literalmente na miséria.
Pela primeira vez em muito tempo, ele optou por ignorar uma pergunta dela.
Ele começou a caminhar, murmurando: — Laura, não importa a situação, é sempre bom deixar uma margem de escape. Seja com a família ou com os amigos, não os empurre para o precipício.
Laura percebeu o deslize na mesma hora. — Giovani, não foi isso que eu quis dizer! Eu só estava preocupada com ela...

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