Essa garota foi envenenada pelos mimos da Família Torres. Sofria de um delírio de grandeza terminal, ignorava as regras mais básicas de sobrevivência do mundo dos negócios e ainda tinha a necessidade doentia de se exibir.
*Suspiro.* O trabalho de transformá-la em algo útil seria monumental.
Mesmo enquanto era empurrada, a boca de Laura continuava disparando ressentimento: — Por que ela pôde entrar com aquela facilidade?! Por quê?!
Assim que puseram os pés no mármore da entrada do arranha-céu, os seguranças da família, que esperavam no frio, correram para abrir as portas do veículo.
Ao se jogar no banco de trás, a imagem sombria de Tainá acompanhada por seus próprios brutamontes atravessou a mente de Laura como um relâmpago.
— Por que a maldita tem a regalia de arrastar seguranças para dentro de um prédio executivo?!
E os seguranças do grandioso Grupo Torres eram obrigados a mofar na calçada.
Fernanda tentou não perder a paciência. — Minha criança, você precisa parar de se colocar num pedestal tão alto, principalmente quando está no território inimigo pedindo favores.
O peso do título de 'Herdeira da Família Torres' só intimida os pequenos e os aproveitadores que dependem das nossas migalhas. Para corporações desse calibre, isso não vale de nada.
— Está me dizendo que essa empresa de bicicletas vagabundas não teme a influência da Família Torres?!
Aquilo abalava toda a fundação de sua arrogância.
Fernanda assentiu seriamente. — A julgar pelo comportamento implacável daquela recepcionista, não. Eles não nos temem nem um pouco.
Se você não aprender a enxergar a realidade cruel do mercado, isso será a sua ruína.
— Mas e quanto à Tainá?! Como ela caminhou por aquele saguão como se fosse a dona do universo? Vocês viram a reverência com que a recepcionista a tratou?!
Ela rosnou, trincando os dentes. A inveja queimava suas entranhas.
A voz de Fernanda, contudo, permaneceu fria e calculista. — A resposta para a sua dúvida é a mesma que explica o motivo pelo qual os seguranças dela não foram barrados.
Ter um passe-livre VIP desse nível dentro de uma corporação fechada só deixa espaço para duas teorias.
Primeira: ela mantém um relacionamento incrivelmente profundo e antigo com o manda-chuva do império, sendo uma visitante honorária.
Segunda: ela é o próprio manda-chuva. Ela é a presidente da companhia.
A capacidade de dedução de Fernanda era assustadora.
— Impossível! Absurdo! — Laura guinchou. — Como aquela zé-ninguém poderia ser a dona disso tudo?!
— Analisando as capacidades financeiras e o currículo atual dela, também acho a segunda hipótese fantasiosa. O que nos prende à primeira teoria.
— Eu mesma a vi andando a tiracolo com aquele tal de Lúcio Índigo... Você acha que ele a sustenta como amante?
— Amante? Cuidado com as atrocidades que saem da sua boca, menina!

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