Apenas quando a família terminou o jantar, Martim Torres perguntou sobre o que havia acontecido.
— O quê? Aquele Lúcio nem sequer as recebeu? Que sujeito ingrato.
Thiago pensou consigo mesmo: *Quem elas acham que são? Que todos deveriam reverenciá-las?*
Ele lançou um olhar para o pai. — O Grupo Gusmão também enviou representantes ontem e não voltaram de mãos vazias?
Como esperavam fechar um negócio enviando uma garota sem a menor experiência?
— Pai, eu vi a minha irmã. Ela também foi à empresa de bicicletas, entrou direto e ainda estava acompanhada de seguranças.
Fernanda interveio: — Tainá parece ter um relacionamento incomum com aquela empresa. — Ela sugeriu sutilmente que talvez pudessem usar a influência da garota.
O patriarca lembrou-se de ter visto Tainá com Lúcio na delegacia, mas, no momento, isso estava fora do seu controle. — Não liguem para ela.
— Pai, você acha que ela está sendo sustentada por algum velho rico? — Essa era a venenosa insinuação que Laura guardava para o final.
— Que absurdo! O que se passa nessa sua cabeça? Você acha que a Tainá é igual a você? Que não faz nada de útil o dia inteiro? Lúcio é veterano da Tainá, você não sabia? Como tudo que sai da sua boca tem que ser tão sujo?
Thiago não conseguiu conter a raiva, pois já não suportava ouvir Laura caluniando a irmã caçula. A raiz do rompimento de Tainá com a família estava ali, bem na sua frente.
Laura atirou-se nos braços de Viviane, com o rosto pálido. Jamais imaginou que, por uma simples pergunta, o irmão mais velho gritaria com ela; ele nunca fora assim, e a culpa de tudo era de Tainá.
Alexandre exclamou: — Thiago, você enlouqueceu?!
— Thiago, o que significa isso? Laura só está pensando no bem da família. E daí se ela escolheu mal as palavras? — A mãe estava com os olhos faiscando de fúria, acariciando gentilmente os cabelos de Laura com uma das mãos.
— Ela se tornou isso que é hoje porque vocês a mimaram! Ela escolheu mal as palavras? Ela estava claramente caluniando a Tainá, com maldade no coração.
— Fora daqui! — rugiu Martim, fuzilando Thiago com o olhar.
— Continuem mimando. Vamos ver que tipo de monstro vocês vão criar — retrucou Thiago, virando as costas e caminhando para o quarto.
Ele raramente perdia a paciência, mas naquele dia a frustração transbordou. Agora, mais do que nunca, com os pais parecendo enfeitiçados, ele precisava assumir o controle do Grupo Torres o quanto antes para garantir a estabilidade.
O executivo responsável por abrir uma nova região manteria a gestão sobre ela, garantindo uma porcentagem da receita futura do local.
Aliando o esforço ao retorno financeiro, eles criavam a motivação necessária; do contrário, quem estaria disposto a gastar tanta energia desenvolvendo filiais alheias?
Lúcio, como Sr. Índigo e diretor-geral, assumiria a coordenação matriz de todas as grandes regionais.
Nos próximos anos, a ideia era implementar um sistema de classificação de desempenho entre as filiais, premiando polpudamente as três melhores. Claro, isso seria planejado mais adiante.
Na diretoria, alguns temiam que o ritmo frenético e o alto consumo de capital resultassem em colapsos gerenciais e rupturas no fluxo de caixa, sugerindo que diminuíssem a marcha.
Mas o Sr. Índigo discordava veementemente; para ele, recuar era desnecessário.
Afinal, cada novo território era conquistado passo a passo. Por mais ágil que fosse o avanço, a estrutura de gestão permanecia sólida e sem grandes falhas.
Quanto às finanças, a estratégia atual era de autossuficiência bélica corporativa: os depósitos de garantia e as receitas das regiões iniciais financiavam as novas investidas, eliminando qualquer risco de escassez de recursos até o momento.

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