Entrar Via

Renascida e Desalmada: Meus irmãos imploram por perdão romance Capítulo 243

— É verdade, tem caroço nesse angu — concordou Vagner.

— Como pode existir uma mulher assim no mundo? — indignou-se Suzi, o coração apertado.

Ela mesma havia criado o filho sozinha, trabalhando arduamente como governanta na Família Torres depois de perder o marido. Sabia bem o que era a luta.

— Ana, que tal você se tornar minha afilhada? Quando chegar a hora da universidade, a madrinha aqui paga os seus estudos.

— Não sei se é uma boa ideia... — murmurou Ana, incerta, virando o rosto para Tainá, sua âncora nos momentos difíceis.

Para Ana, as decisões da amiga eram sempre o norte correto a seguir.

— Suzi, você ainda tem que ajudar o Jonas a comprar um apartamento e se casar — pontuou Tainá. Ela não queria sobrecarregar a mulher; criar um filho sozinha já era um feito gigantesco, e assumir as despesas estudantis de Ana seria um fardo pesado demais.

Embora fosse amiga íntima de Ana, Tainá priorizava o bem-estar de Suzi.

Ainda assim, a palavra final pertencia a elas. Tainá estava apenas oferecendo sua perspectiva.

Ana concordou suavemente: — Preciso conversar com o meu pai sobre isso primeiro.

Já era tarde. Tainá entregou os celulares usados de Vagner e Lino para a amiga: — Estes são os antigos aparelhos dos dois grandalhões aqui. Um para você e outro para o seu pai.

Com os celulares em mãos, a comunicação ficaria mais fácil e, em caso de perigo, eles teriam como ligar para a polícia. O único revés era o acréscimo de uma nova despesa mensal.

— Muito obrigada aos dois! Quanto devo por eles?

— Não precisa pagar nada, pode levar — disseram os seguranças em uníssono.

Mas Tainá conhecia Ana; ela detestava se aproveitar da caridade alheia.

— Dê dez reais a cada um, assim a conta fica acertada.

Seria um gesto simbólico. Se fossem avaliar pelo preço de mercado, apesar de usados, os aparelhos eram de boa marca e estavam em ótimo estado. Valeriam tranquilamente entre cinquenta e cem reais cada. Era claro que Vagner e Lino queriam apenas ajudar.

No dia seguinte, no colégio, Carlos Xavier se aproximou de Tainá: — Meu pai concordou em vender o edifício-sede, mas quer reverter todo o capital da venda em ações da empresa de bicicletas.

Foi preciso Vagner pigarrear ao seu lado para trazê-la de volta à realidade.

Com as ruas movimentadas e os ouvidos atentos, ela preferiu esperar chegar em casa para telefonar a Lúcio. Explicou a situação de Carlos Xavier e pediu que ele preparasse o advogado e avisasse o Mestre Lago.

As transferências de ações e a escritura do edifício seriam assinadas em instantes.

Após o almoço, enquanto se preparavam para ir ao escritório, o celular de Tainá tocou. Era Ana.

— Tainá, anote meu número novo. Ah, e o meu pai disse que prefere que eu não seja afilhada de ninguém. Por favor, peça desculpas à Suzi por mim.

O pai de Ana provavelmente vivera apavorado com as tramoias da ex-mulher, desenvolvendo um pavor enorme de que alguém tentasse lhe tomar a filha.

No fim das contas, foi melhor assim. Suzi não nadava em dinheiro e ainda não havia garantido o apartamento do filho; sua casa no interior era modesta.

Se não fosse pelo faro financeiro de Tainá no mercado de ações, as economias de Suzi mal dariam para a entrada do imóvel.

Tainá temia que a generosidade da governanta em ajudar Ana pudesse criar ressentimentos futuros com Jonas e sua futura esposa, gerando conflitos familiares desnecessários.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Renascida e Desalmada: Meus irmãos imploram por perdão