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Renascida e Desalmada: Meus irmãos imploram por perdão romance Capítulo 34

Ao olhar para os braços e pernas finas de Tainá, a mentira soou como um insulto à inteligência de todos ali presentes.

— Chega de palhaçada. A partir de amanhã, você receberá dez mil por mês de mesada. E está proibida de sair para esses "trabalhos" — decretou Martim Torres, o tom inquestionável.

O valor padrão que os filhos da Família Torres recebiam era de cem mil por mês.

— Me deem um milhão por dia, ou trinta milhões por mês, e eu até posso considerar a ideia de não passar o dia inteiro fora.

Antes que o Presidente pudesse processar a afronta, Viviane Lopes perdeu as estribeiras.

— Você perdeu o juízo?! Tainá, desde quando se tornou tão asquerosa e gananciosa?

Laura sorriu intimamente. *Um milhão por dia? Por que você não vai assaltar um banco logo?*

No entanto, em um tom meloso e carregado de falsa aflição, ela interveio:

— Papai, mamãe, não fiquem bravos com ela. A minha irmã só está...

— Não tente defendê-la! — interrompeu Martim, cortando o teatro de Laura. Direcionou um olhar glacial para Tainá. — Ou você aceita, ou não teremos mais conversa.

— Maravilha. Sigam o caminho iluminado de vocês e me deixem em paz na minha ponte estreita. É melhor que a água do poço de vocês não se misture com o rio por onde eu navego.

Sem esperar uma réplica, Tainá deu as costas e começou a subir as escadas.

— Irmãzinha, não faça isso! Peça desculpas ao papai e à mamãe, por favor! — exclamou Laura, interpretando com maestria o papel de salvadora da pátria.

— Deixe a ingrata ir. E não pense que verá um centavo desta casa de novo. Nem se dê ao trabalho de pedir para pagarmos a mensalidade do seu colégio quando as aulas voltarem — sentenciou o patriarca.

Os lábios de Laura se curvaram em um sorriso imperceptível antes de ela sussurrar:

— Papai... isso não é cruel demais?

— Ela pediu por isso.

— Tainá, pare de ser tão teimosa com os nossos pais. Peça desculpas agora.

Thiago, o irmão mais velho, havia descido do segundo andar durante a comoção e agora a encarava com um olhar de repreensão.

Pedir desculpas? Por causa das migalhas que eles jogavam na direção dela? Tainá não precisava daquela esmola.

Ela apenas lançou a Thiago um olhar gélido e vazio, deu-lhe as costas de vez e voltou para o quarto. Estava fisicamente exausta e não tinha energia para aqueles delírios de grandeza.

Checou o relógio: passava um pouco das sete. Ao se virar para voltar ao prédio, percebeu que uma roda de espectadores se formara ao seu redor.

A maioria eram idosos em suas caminhadas matinais, mas havia também alguns jovens de terno indo para o trabalho e até crianças pequenas com mochilas escolares.

— A mocinha parece tão frágil, quem diria que a técnica de soco dela seria tão brutal! — exclamou um dos senhores.

— Você se mudou faz pouco tempo, não é? Nunca a vi por aqui.

— Vai treinar de novo amanhã? Nós adoraríamos assistir e tentar aprender alguns movimentos!

Tainá relaxou a postura e ofereceu um sorriso gentil.

— Sim, acabei de me mudar para cá. Daqui para frente, estarei aqui quase todas as manhãs, neste mesmo horário.

Fez um breve aceno de cabeça para o grupo e caminhou de volta ao saguão. Atrás dela, os murmúrios admirados ecoavam.

— Praticar artes marciais é tão bom... não só faz bem para a saúde, como te ensina a se defender.

— É raro ver um jovem disposto a sofrer tanto no treino hoje em dia. A maioria dos garotos passa as férias de verão virando a noite na internet e dormindo o dia inteiro...

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