— Então a sua família não vai sair ganhando com isso?
Tainá perguntou a Carlos Xavier.
— Sim, de certa forma.
Diante dos fatos, Carlos não tentou esconder.
— E vocês ainda vão se aliar à Família Torres?
— Sim, senão a Família Xavier não daria conta do projeto sozinha.
Tainá assentiu.
— Portanto, o Thiago prefere ceder a oportunidade para a Família Xavier, do que permitir que a Família Gusmão ganhe a concorrência. Ao menos assim ele também tira a sua própria lasquinha.
— Obviamente que sim. Se invertermos os papéis, ele agiria assim da mesma forma e, ainda que perdessem, não o dariam ao seu inimigo.
— Inimigo? Carlos, você tem ciência sobre a origem dos impasses entre as famílias Torres e Gusmão?
No trem, Carlos Xavier, Tainá e Ana sentavam-se juntos na mesma fileira de bancos, com Henrique Alves e o Professor Fábio na frente deles.
Ao longo do percurso, Ana não fez mais do que cochilar e o Professor Fábio e Henrique mal mantinham diálogos breves; sobrando Tainá conversando constantemente com Carlos.
Por mais próximas que Tainá e Ana fossem, o tema de assunto que ligava Tainá a Carlos era consideravelmente extenso.
— Sobre as razões explícitas para tais fatos, não estou a par.
Carlos espiou Tainá por relance. — Das coisas que eu retenho e observo internamente nesses convívios laborais, é como se os líderes evitassem o confronto iminente.
— E quem é o pilar nefasto perante tudo isso?
Tainá se importava demasiadamente pelos bastidores desse repúdio obscuro.
— Seria, invariavelmente, a Família Gusmão. Em todos os impasses o Gusmão persegue a Família Torres de forma furtiva; no arrastar dos tempos o antagonismo virou uma guerra prolongada. Se a causa fosse de procedência corporativa comercial não explicaria o ódio exacerbado no íntimo do Hélder pela Família Torres.
— Por quê?

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