— Eu não tenho a menor intenção de estrear na indústria do entretenimento. Para que eu iria querer os recursos de vocês? — Tainá lançou-lhe um olhar cortante ao retrucar.
— Então por que decidiu participar do festival de talentos? — ele indagou.
— Por pura diversão. Afinal, não posso cultivar meus hobbies? — Um sorriso frio despontou nos lábios dela. — Além disso, as imagens das câmeras de segurança de ontem à noite, quando vocês tentaram roubar a minha vaga, já estão bem guardadas. Se ousarem sabotar as minhas notas durante a competição, o vídeo será vazado na mesma hora. Se não têm medo de ter a reputação destruída, fiquem à vontade para tentar.
Ele observou Tainá em silêncio. O longo rabo de cavalo balançava a cada palavra pronunciada com firmeza. Seu rosto continuava tão delicado e deslumbrante quanto antes, mas agora estava tomado por uma severidade implacável. O coração de Alexandre afundou no peito. Onde fora parar aquela irmã doce, obediente e que sempre fazia de tudo para agradá-lo? Como ele raramente parava em casa, sequer havia notado quando as relações familiares haviam se deteriorado daquela maneira. Teria sido tudo por causa da chegada de Laura e do favoritismo descarado que demonstraram? Seria possível existir um rancor tão profundo entre pessoas do mesmo sangue?
Sem poder fazer nada, ele apenas assistiu enquanto Tainá entrava em seu quarto e batia a porta com força. Ao se virar para caminhar em direção ao próprio quarto, quase colidiu de frente com uma figura imponente.
— Thiago!
— Não duvide das palavras da Tainá, pois ela definitivamente cumprirá o que prometeu. — O irmão mais velho o encarou com seriedade. — Espero que você consiga ser digno do título de jurado.
— Mas e a reputação da Laura? — Alexandre questionou, ansioso.
— Teremos que pensar em outra alternativa.
— Entendido. Contudo, ainda há algo que não consigo compreender. A relação da nossa família parece ter mudado drasticamente.
— Nossos pais protegem a Laura sem qualquer critério. Você acha isso normal? Nós mesmos a favorecemos de forma desmedida. Isso é normal? Portanto, a reação da Tainá em relação à família é mais do que justificada.
— Mas precisava chegar a um extremo tão grave? — murmurou.
Na concepção de Alexandre, a família deveria ser um porto seguro inabalável. Mesmo que alguém cometesse um erro imperdoável, os laços de sangue garantiriam o perdão. O que ele falhava em enxergar era a ironia da situação: quando Tainá foi falsamente acusada, por acaso a família a acolheu? Ninguém se deu ao trabalho sequer de ouvir a sua defesa.
No dia seguinte, durante a sua aula de defesa pessoal avançada, Tainá virou-se para o instrutor e indagou:


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