— Menina boba, acha que sua velha avó está gagá? — Dona Lopes repreendeu Tainá com um olhar afetuoso.
Em uma situação normal, Lúcio diria "estava com saudade de você"?
— Estão namorando e pronto, a avó não está te culpando. — Todos se sentaram à mesa e a velha senhora disse.
— Vó, eu aceitei há uns dois dias e não tive tempo de lhe contar.
— Não tem problema, a avó não se importa com isso, desde que vocês se deem bem. — A velha senhora sorriu.
Ela já gostava do menino Lúcio, que era capaz e tinha um bom comportamento.
— Pode ficar tranquila, vó. Eu tratarei a Tainá bem. — Lúcio soltou.
Após o jantar, a velha senhora arrastou Tainá silenciosamente para o quarto.
— Vó, por que me trouxe para este quarto? O Lúcio e eu ainda temos trabalho para fazer.
A velha senhora sentiu-se um pouco frustrada com a teimosia de Tainá: — Eu te trouxe aqui por um motivo.
— Que trabalho? Na vida inteira o trabalho não acaba, por que não largar isso um pouco?
— Você sustenta tantas pessoas sob as suas asas e todas elas só recebem sem trabalhar?
Foi a primeira vez que Tainá sentiu o quão dominadora a velha senhora podia ser.
— Mas...
No entender de Tainá, os subordinados eram como pipas e o chefe era a pessoa que segurava a linha. Como a pipa voava e em qual direção iria era determinado pelo chefe.
Por isso, o trabalho do chefe era insubstituível.
— Eu sei o que você quer dizer. A carreira é importante, é claro, mas o casamento e a família são as bases da vida, e são igualmente importantes.
— Sua carreira requer tempo e esforço, o amor também precisa de dedicação.
— Não é fácil encontrar a pessoa certa e você deve valorizar isso.
Como a velha senhora já tinha uma certa idade e havia dito várias palavras sem pausar, sentiu-se um pouco sem fôlego. Tainá ouviu essas palavras e esperou em silêncio.

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