— Não preciso que vocês me levem, eu vou sozinha. Eu sabia, eu sabia que a senhora já não me tinha no coração, que desde que a Tainá apareceu, os seus sentimentos já estavam todos virados para ela. Se eu não importo para a senhora, não me culpe por não reconhecê-la como minha avó. Já que você a ama tanto, pode morar na casa dela para sempre, e quando não conseguir mais se mover, não nos procure.
— Jéssica, você...?
Dona Viviane também não suportava ver aquilo.
A mãe dela era autoritária, mas era sempre pelo bem dos filhos.
O pai morrera quando eles ainda eram jovens. Foi a mãe quem os protegeu sozinha.
Desde que se lembrava, as ações de sua mãe nunca estavam erradas.
Na juventude, não havia dado ouvidos à mãe, e a vida lhe deu um tremendo tapa.
Mais tarde, sua mãe lhe pedira para manter os olhos em Martim Torres. Ela, também, não dera ouvidos. E se não fosse a ajuda de Thiago e Tainá, hoje em dia seria uma mulher morta.
Jéssica ainda não havia respondido quando a Velha Senhora disse: — Finalmente está dizendo o que tem no coração. Vá embora logo, ingrata. Hum, contar com você para cuidar de mim? Eu não estou tão louca para morrer.
Sob os olhares firmes dos guarda-costas, Jéssica caminhou em direção à porta.
— Jéssica, oiça um conselho da sua tia, Igor não é um bom rapaz. Termine tudo de uma vez. — Dona Viviane a seguiu.
Não podia suportar que sua sobrinha caísse no mesmo poço sem fundo que ela.
— Não preciso da sua falsa simpatia. Você tem coragem de se intrometer depois de fazer uma bagunça de sua própria vida? — E com essas palavras, Jéssica foi embora sem olhar para trás.
— Não ligue para ela. — A Velha Senhora chamou Dona Viviane, aparentemente usando todas as suas energias, a voz trêmula.

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