— Eu falo! Eu falo tudo!
Antes mesmo que Tainá pudesse terminar a frase, Lia se antecipou, desesperada.
— A Senhorita Laura me pagava mil reais a mais por mês para vigiar cada passo seu e relatar tudo a ela. Também me mandava inventar mentiras e fazer fofocas sobre você para o patrão, para a senhora e para os rapazes...
— Lia, você está pedindo para morrer!
Laura, que antes fingia estar desmaiada, encontrou forças sabe-se lá de onde. Ela avançou em um ímpeto, derrubando a empregada no chão.
Naquele momento de fúria, ela sequer se importava com o próprio braço que Tainá havia fraturado...
O objetivo havia sido alcançado. Tainá não precisaria mover um músculo; elas mesmas se destruiriam.
Viviane Lopes correu logo em seguida, com o coração partido, segurando a filha.
— Laura, meu bem, sua saúde é mais importante. Deixe para castigá-la depois.
Martim Torres rugiu, a plenos pulmões:
— Thiago, ligue para o advogado! Mande-o trazer um documento de rompimento de laços familiares agora mesmo.
Thiago Torres não conseguiu se conter.
— Pai, a Tainá ainda é muito jovem. Ela é só uma garota. Se cortarmos os laços agora, como ela vai sobreviver? O que aconteceu hoje não é culpa exclusiva dela. O que a Laura fez com a Suzi também passou dos limites...
Ele não estava em casa no momento do incidente; quando chegou, o estrago já estava feito.
— Cale a boca! Não quero ouvir mais nada. Não quero olhar para a cara dela nem por mais um segundo.
Martim apontou o dedo trêmulo para Tainá.
— Pai, ela ainda está na escola. Se a expulsar da Família Torres, o que será do futuro dela?
— Não tente me convencer. De hoje em diante, se ela morrer na rua, não será problema nosso.
— Mande-a ir embora de uma vez! Não vê que esta casa virou um inferno e nunca mais tivemos paz? — sibilou Viviane, finalmente desviando os olhos de Laura e contendo as lágrimas, com os dentes cerrados.
Suzi não aguentou calada.
— Senhor Torres, o senhor pode me punir do jeito que quiser, mas não abandone a Senhorita Tainá. Ela ainda é menor de idade, está estudando, ela precisa...
— Cale-se! Quem lhe deu permissão para falar? Este é um assunto de família. Você é apenas uma funcionária, por que está se intrometendo? Toda essa confusão hoje começou por sua causa. Se não ficar quieta, uma surra será o menor dos seus problemas.
Havia três cópias do contrato: uma para Martim Torres, uma para Tainá, e a última para os registros oficiais.
Tainá leu o documento minuciosamente, confirmando que, assim que assinasse, o rompimento seria definitivo.
A partir daquele instante, ela não teria qualquer conexão com a Família Torres. Nenhuma das partes teria direitos ou obrigações sobre a outra.
O advogado pigarreou, tentando manter um tom profissional.
— Antes de formalizar o corte de relações, peço que ambas as partes pensem com muito cuidado. Assim que o contrato entrar em vigor, ninguém terá o direito de revogá-lo. Isso significa que o senhor Martim Torres não terá mais qualquer obrigação financeira ou de guarda sobre a jovem, e os bens da família não lhe dirão mais respeito. Em contrapartida, as ações e os bens futuros da senhorita Tainá também não terão vínculo com a Família Torres e ela estará isenta de prestar assistência aos senhores na velhice.
— Não há o que pensar. A partir de hoje, ela deixa de ser minha filha. O que acontecer com ela será problema apenas do destino.
— Pai... Tainá... Vocês não podem simplesmente ceder um pouco?
— Não.
Martim Torres assinou o papel primeiro, demonstrando que não havia espaço para qualquer negociação.
Viviane soltou um suspiro pesado, convencendo a si mesma de que a garota precisava daquela punição para aprender.

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