Alguns dias depois, enquanto Daphne continuava suas provocações contra Isadora, Florence, de maneira discreta, finalizou seu próprio design.
Com receio de que algo saísse errado, ela mesma levou a peça até a empresa de Lavínia.
Lavínia analisava o design com satisfação, passando os dedos pelas joias com delicadeza. Ela ergueu as sobrancelhas e lançou um olhar direto para Florence:
— Você não quer saber por que eu decidi encomendar também o seu design?
Florence, ciente de sua posição, sabia que algumas perguntas simplesmente não deveriam ser feitas. Com um sorriso leve, respondeu:
— O importante é que a senhora gostou.
Lavínia apoiou o queixo na mão, com um brilho sugestivo nos olhos, e comentou:
— Alguém está gastando uma fortuna.
— Perdão? Como assim? — Florence perguntou, confusa, encarando Lavínia.
Mas, antes que Lavínia respondesse, ela mudou de assunto:
— Como você veio?
Florence hesitou por um instante e respondeu:
— De táxi.
Lavínia sorriu, com um olhar carregado de insinuações.
— Então, vou pedir para alguém te levar de volta.
— Não precisa, eu posso...
Antes que Florence pudesse recusar, Lavínia virou-se para o escritório e chamou em voz alta:
— Você ainda está lendo o contrato? Se não sair logo, ela vai embora.
Florence ergueu os olhos na direção do escritório, curiosa. A porta se abriu, e uma figura alta e imponente saiu caminhando lentamente.
Quando Florence reconheceu o rosto, o sorriso desapareceu imediatamente.
Ela franziu o cenho e deu um passo para trás, tentando manter distância de Lucian. Mas Lavínia segurou seu braço com firmeza e, inclinando-se em sua direção, sussurrou:
— Por que tanto estranhamento? Não me diga que minha vela aromática foi acesa à toa.
Ao ouvir aquilo, Florence lembrou-se vagamente da sensação de torpor que havia sentido na presença de Lucian naquela noite. Seu rosto ficou quente de repente.
— Eu... Eu não sabia que vocês estavam discutindo negócios. Desculpe por atrapalhar. Vou indo agora. — Disse Florence rapidamente, dando meia-volta e caminhando apressada em direção ao elevador.
Lavínia observou a cena com divertimento, depois virou-se para Lucian.
— Não vai atrás dela? Olha só o susto que você deu na pobre Florence. Da próxima vez, em vez de fogos de artifício, por que você não usa logo dinamites?
Lucian permaneceu em silêncio, mas começou a seguir Florence com passos firmes.
Mas, no segundo seguinte, uma mão forte a puxou para dentro do elevador. Antes que ela pudesse se equilibrar, seu corpo foi pressionado contra a parede do elevador.
Lucian aproximou-se, seu corpo rígido se movendo contra o dela. O tecido do terno roçava levemente na pele sensível de Florence, enquanto ela tentava recuar, apenas para perceber que não havia espaço.
Quanto mais ela tentava escapar, mais ele a encurralava, até que seus corpos estavam completamente colados.
— Naquela noite, você usou o que queria de mim e agora quer fingir que não me conhece? — Lucian murmurou, seus olhos escuros fixos em Florence, com uma intensidade que fazia sua pele arrepiar.
Florence, tomada pelo nervosismo, protestou:
— Eu não fiz nada naquela noite!
Lucian inclinou-se ainda mais, seus rostos ficando perigosamente próximos. Seus olhos profundos a encaravam como se ela fosse uma presa encurralada.
— Ah, então você se lembra? Eu achei que tivesse perdido a memória.
Foi só naquele momento que Florence percebeu que havia se entregado com as próprias palavras. Ela mordeu os lábios, tentando recuperar o controle da situação.
Apontando para cima, ela disse:
— Sr. Lucian, tem câmeras aqui. Eu sugiro que você não faça nenhuma besteira.
Lucian ergueu as sobrancelhas com indiferença, tirou o celular do bolso, pressionou alguns botões e voltou a encará-la.
— Não tem mais.

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