A voz grave de Lucian, misturada à frieza da névoa matinal, soou firme enquanto ele segurava Florence com força.
Florence ergueu os olhos e encontrou o olhar profundo dele. Ficou momentaneamente confusa. Não era Lyra quem deveria estar ali?
Ela encostou os pés descalços no chão. O frio das lajotas úmidas a despertou de imediato.
— Onde está minha mãe?
— Ela torceu a coluna. — Lucian respondeu com a voz gelada.
— Eu mesma chamo um carro, não precisa se incomodar. — Florence disse, virando-se rapidamente e começando a pular com um pé só.
Atrás dela, Cláudio, com uma expressão de quem não sabia o que fazer, levantou uma das pantufas.
— Srta. Florence, seu sapato.
— Pode deixar... Ah!
As lajotas, cobertas por uma fina camada de orvalho, estavam escorregadias. Florence tinha dado apenas dois saltos antes de perder o equilíbrio e cair.
Antes que pudesse atingir o chão, uma mão firme a puxou de volta. Ela se chocou contra o peito de Lucian, o impacto tão forte que sentiu o peito vibrar.
Enquanto ela tentava se recuperar, a mão dele que a segurava parecia ficar ainda mais firme. Ele baixou o olhar para ela, e sua voz rouca soou baixa o suficiente para que apenas os dois ouvissem:
— Você desceu sem usar sutiã?
Florence ficou paralisada, seu olhar vacilante. Quem dorme toda arrumada? Além disso, ela achava que seria apenas a mãe dela!
Sem tempo para reagir, ela colocou as mãos entre eles, tentando criar uma distância. Mesmo com o rosto aparentemente calmo, as orelhas dela começaram a ficar visivelmente vermelhas.
— Eu estou usando um casaco. — Enfatizou ela.
Lucian, ignorando a tentativa de explicação dela, estreitou os olhos e murmurou:
— E se algum homem notasse?
Florence se remexeu, tentando se afastar.
— Tio, aqui é o dormitório feminino! Além de você, que outro homem estaria aqui? Agora me solte!
— Eu não conto. — Ele inclinou a cabeça ligeiramente, olhando para Cláudio, que ainda segurava a pantufa.
Cláudio, confuso, apontou para si mesmo.
— Eu conto? Ah... Sim, claro. — Ele rapidamente virou as costas, aceitando a lógica do chefe sem questionar.
Talvez o barulho tenha sido alto demais, porque a porta do dormitório se abriu, revelando a zeladora.

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