Rosana mordeu os lábios, tremendo enquanto tirava o casaco de Lucian. Após despir a peça, ela se ergueu com dificuldade.
Daphne lançou-lhe um olhar de desprezo e soltou uma risada irônica:
— Com esse corpo? Ninguém quer ver. Agora, suma daqui.
Rosana, com o rosto pálido, segurou o peito com as mãos e saiu da sala de emergência. Os olhares curiosos das pessoas ao redor recaíram sobre ela, mas, em vez de fugir, ela começou a soluçar baixinho, encolhendo-se como se fosse desmaiar a qualquer momento.
Uma enfermeira comovida se aproximou e a segurou pelo braço:
— Você está bem? O que aconteceu?
— Eu... Eu caí na água... Como vou embora assim, desse jeito? — Rosana respondeu, encolhida e com a voz trêmula.
A enfermeira, com pena dela, colocou um braço ao redor de seus ombros:
— Vou buscar um casaco para você. Não chore mais, está bem?
— Obrigada, obrigada, obrigada... — Rosana soluçava, chorando ainda mais alto.
A enfermeira, vendo o quão miserável Rosana parecia, ficou sem jeito de deixá-la ali.
Rosana sempre soube que sua aparência de fragilidade era sua maior arma e sabia exatamente como usá-la em seu benefício.
Poucos minutos depois, ela saiu do prédio de emergência usando o casaco emprestado, com o rosto calmo e sem lágrimas. Parou na porta principal, virou-se para olhar o edifício, e tocou o rosto dolorido com a ponta dos dedos.
“Florence, Daphne... Vocês não são nada. Esperem para ver. Vou tomar o lugar de vocês!”
…
Lucian subiu as escadas e entrou no quarto de Florence. O que encontrou foi uma cama impecavelmente arrumada, com o cheiro de desinfetante ainda pairando no ar.
Uma funcionária da limpeza saía do banheiro do quarto naquele momento e, ao ver o homem à sua frente, cuja presença exalava poder e riqueza, tratou de agir com cautela.
— O senhor é...
— Onde está a paciente?
— Ela recebeu alta. — Respondeu a mulher, colocando o saco de lixo no chão ao lembrar-se de algo. — Ah, agora me lembrei. Ela deixou um relatório no criado-mudo, pediu para entregar a quem viesse procurá-la.
Lucian caminhou até o móvel, pegou o relatório e olhou para ele, franzindo levemente a testa ao ler as informações.
Enquanto isso, a funcionária limpava a maçaneta da porta e acrescentou, casualmente:
— Coitada. A visão dela acabou de voltar, e agora aparece cheia de ferimentos. O tornozelo estava tão inchado que mal conseguia andar, e os braços todos arranhados. O médico pediu que ela ficasse para observação, mas ela insistiu em ir embora.
Ao ouvir isso, a expressão de Lucian tornou-se sombria e ilegível. Sem dizer mais nada, ele deixou o quarto e foi direto para o escritório de Fernando.
— Você a deixou ir embora?
A pergunta veio com um tom de acusação. A voz fria de Lucian fez Fernando, que estava sentado, levantar-se de imediato, assustado.
— Não entendo.
— Então como você sabe?
— Acho que já vi algo assim antes. — Lucian respondeu, confuso, como se estivesse tentando se lembrar de algo.
Fernando soltou um riso irônico e deu um leve tapa no peito de Lucian:
— Você é mais discreto do que parece! Enquanto uns homens fazem questão de mostrar seu charme, você é do tipo que atrai mulheres sem nem tentar. Quantas já caíram aos seus pés, hein?
Lucian lançou-lhe um olhar gelado, e Fernando imediatamente calou-se, assustado.
— Feche essa boca, Flávia.
— Ei! Não me chame assim! Meu nome é Fernando, não Flávia!
A mãe de Fernando sempre quis ter uma filha e já havia escolhido o nome: Flávia. Quando nasceu um menino, ela, sem paciência para pensar em outro nome, decidiu mantê-lo. O problema era que, na escola, havia uma garota na mesma turma com o mesmo nome. Situações embaraçosas foram inevitáveis.
— Lucian! Volte aqui! Para onde você vai?
Lucian apagou o cigarro no cinzeiro e respondeu, em tom enigmático:
— Minha gata fugiu. Vou buscá-la.

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