Capítulo 195
Derrick
O ar da noite tinha aquele gosto de trégua que a gente quase não acredita de primeira.
O jardim estava calmo, o vento batia de leve nas folhas e o som da risada da Mia cortava o fim de tarde como uma benção. Eu estava sentado no banco de madeira, Andrew dormindo pesado no meu colo, o pequeno peito subindo e descendo num ritmo que lembrava o mar.
Rúbia vinha vindo devagar, com aquele jeito sereno que só ela tem quando o mundo finalmente para de gritar.
— Dormiu? — perguntou, baixinho.
— Tá num sono que nem granada acorda. — respondi, e ela riu.
Por um instante, o som da risada dela bastou pra me lembrar o porquê de tudo.
Toda a guerra, toda a poeira, toda a merda que a gente teve que engolir.
Olhei pra ela.
— Agora vai voltar tudo ao normal, Rúbia. — disse, firme. — Os Mendez acabaram. A Amercana tá limpa. Ninguém mais encosta em você, nas crianças, em nada do que é nosso.
Ela assentiu, os olhos marejando sem precisar de palavra.
— Eu só queria isso. Um pouco de paz.
— Pois é o que você vai ter. — garanti, ajeitando o bebê nos braços. — Palavra.
— Ainda bem.
O céu começava a escurecer. As luzes do jardim acendiam devagar, como se a própria casa soubesse que podia respirar outra vez.
Rúbia chamou Mia, que corria atrás das borboletas perto das roseiras.
— Vem, mocinha, já tá na hora de entrar! — disse, e a menina veio saltitando, rindo, o cabelo preso de qualquer jeito.
Entramos juntos. A casa cheirava a jasmim e comida boa. Coloquei Andrew no berço, ajeitei o cobertor e fiquei observando um instante — o jeito que ele se mexia, o rosto tranquilo, a semelhança absurda com a mãe.
Rúbia levou Mia pro banho. O som da água e as risadinhas dela enchiam o corredor de vida, e eu me peguei sorrindo sozinho.
Quando Mia saiu, cheirosa e de pijama, chamei da cozinha:
— Jantar está pronto!


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