Olívia estava sentada no sofá, mas se levantou no mesmo instante em que viu os pais. O movimento foi rápido demais para o corpo machucado, e ela precisou apoiar uma das mãos no encosto por um segundo.
Fabrício parou.
Os olhos dele percorreram a filha devagar demais.
E pararam.
Nos cortes. Nos arranhões. Nas olheiras profundas. Na expressão abatida que ela tentava esconder sem sucesso.
— Filha… — a voz saiu baixa, quase um sopro.
Ele deu dois passos e parou a poucos centímetros dela, como se tivesse medo de encostar e machucá-la ainda mais. A mão subiu, hesitou no ar e então tocou de leve o rosto dela, com um cuidado quase doloroso.
— O que aconteceu com você?
O polegar roçou perto de um corte. Os olhos dele escureceram na mesma hora.
Olívia forçou um sorriso pequeno, cansado.
— Eu estou bem, pai…
A voz saiu mais fraca do que ela queria.
— O senhor está bem? Chegou bem? O Victor…
Fabrício fechou os olhos por um segundo, respirando fundo como se tentasse se manter inteiro.
— Olha pra você… — murmurou, com a dor presa na garganta. — E ainda está preocupada comigo?
Ele segurou o rosto dela com mais firmeza, obrigando-a a encará-lo.
— O que aconteceu, minha Pérola Negra?
Olívia desviou o olhar.
E aquilo foi o suficiente.
— Filha… — a voz dele mudou, mais grave, mais firme. — O que você não está me contando?
Ana se aproximou devagar, já com os olhos cheios de lágrimas, e tocou o braço da filha com delicadeza.
— Meu amor… o que houve com você? — perguntou, a voz tremendo. — Por favor, nós somos seus pais. Precisamos saber para te ajudar. Você nunca escondeu nada de nós.
Olívia fechou os olhos por um segundo quando a mãe a abraçou. Por um instante, pareceu pequena demais dentro daquele colo.
Quando se afastou, respirou fundo.
— Eu estou bem…
Ninguém acreditou.
Fabrício passou a mão pelo rosto, tentando manter o controle, mas o olhar continuava preso nela.
— Cadê a Meredith? Ela também está machucada?
— No quarto. — respondeu Olívia, quase no automático. — Dormindo. Ela está bem, sem nenhum ferimento.
Um alívio breve atravessou o rosto dos dois.
Mas durou pouco.
Porque algo estava errado demais.
André trocou um olhar rápido com Amanda, que havia parado ao lado dele, silenciosa.
— Nós vamos dar um tempo para vocês conversarem a sós. — disse ele, com respeito. Depois olhou para Olívia, sério. — Mas não temos muito tempo.
Amanda assentiu.
— Qualquer coisa… estamos no escritório.
Os dois saíram em silêncio.
E então ficaram só eles três.
Família.
Fabrício cruzou os braços por um segundo, descruzou, passou a mão pela nuca. Não conseguia parar de olhar para a filha.
— Agora você vai me explicar o que está acontecendo.
Olívia fechou os olhos.
Respirou fundo.
Quando abriu, já não havia mais como fugir por inteiro.
— Eu não posso falar tudo…
A voz falhou.
— Mas tentaram matar a mim e a Meredith.
O silêncio que se seguiu foi brutal.
Fabrício ficou completamente imóvel.
Ana levou a mão à boca, horrorizada.
Olívia continuou rápido, tentando montar uma explicação que parecesse convincente.
— Eu estava indo para um evento… um encontro das amantes de Orgulho e Preconceito, com a Meredith. Eu só queria ter uma vida normal por algumas horas. Fui de Uber, saí sem os seguranças… eu não sabia que estava sendo seguida.
A respiração descompassou.
— Eles tentaram matar a gente.
Ana chorou na mesma hora.
— Meu Deus, filha… como você faz uma coisa dessas? — perguntou, segurando as mãos dela. — Depois que você casou com Liam, sua vida mudou, meu amor. Você não pode mais agir como antes.
Fabrício passou a mão no rosto, absorvendo cada palavra com um peso quase físico.
— Filha… — disse devagar — isso não fecha.
Os olhos dele voltaram para ela. Firmes. Investigativos.
— Isso vai acabar com a gente, Olívia…
Olívia levou a mão à boca, o corpo começando a tremer.
— Eu sei… eu sei…
As lágrimas começaram a cair.
— Mas tenta me entender. É para salvar a minha vida e a vida da minha filha.
Ela respirou com dificuldade.
— Eu não tenho alternativa, mãe. Eles vão tentar de novo se descobrirem que sobrevivemos.
Fabrício apertou os olhos por um segundo.
Quando abriu, havia guerra ali.
Mas também medo.
— Tem gente muito poderosa nisso, pai… — a voz dela saiu quebrada. — Eu não posso enfrentar isso de frente.
Ele passou a mão pelos cabelos, tentando raciocinar.
— E a justiça? — questionou, firme. — Você vai se sujar nisso?
Olívia negou rapidamente.
— Não. Tudo vai ser feito legalmente. André está cuidando de tudo. Eu vou para o Brasil com uma nova identidade. Vou morar por um tempo na casa que a família dele tem na Ilha da Madeira. Só preciso do apoio de vocês e o silêncio. Ninguém pode saber, ninguém!
Fabrício soltou um riso curto, incrédulo.
— André…
Olhou direto para ela.
— Você está se esquecendo de que já se relacionou com ele no passado?
O peso da frase caiu entre eles.
— Você conhece seu marido melhor do que eu. Quando Liam descobrir isso… o que você acha que ele vai pensar?
Olívia não respondeu.
Porque sabia.
— E com razão. — completou Fabrício.
O silêncio esmagou o ambiente.
Então ela não aguentou mais.
As pernas cederam.
Olívia caiu de joelhos diante dele.
— Papai… — o choro veio forte, sem controle. — Por favor…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
559 parou ja ter 3 semanas como podem....
Cadê o comprometimento com o leitor? Oque custa posta td livro?...
Falta de comprometimento com o leitor...
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......
Fica difícil acompanhar a história pq demora muito para desbloquear os capítulos, está parado no 534 a muitos dias....