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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 476

Cerca de meia hora depois, o remédio começou a fazer efeito lentamente. A respiração dele diminuiu um pouco. Laura finalmente sentou na poltrona próxima à cama, exausta. As lágrimas desciam silenciosas.

— Ele não vai suportar isso… — murmurou olhando para o irmão.

Vânia se aproximou imediatamente e segurou a mão de Laura entre as dela, apertando com carinho ao perceber o quanto ela tremia.

— Não fala assim. — pediu baixinho, acariciando os dedos dela numa tentativa de acalmá-la. — Você também precisa se controlar, meu amor.

Os olhos experientes de Vânia desceram rapidamente até a barriga enorme da jovem antes de voltarem ao rosto molhado de lágrimas.

— Olha o seu estado… — murmurou com preocupação sincera. — Desse jeito você vai acabar entrando em trabalho de parto antes da hora.

Laura passou a mão no rosto molhado. Foi então que os olhos dela caíram sobre a mesa perto da janela.

As urnas.

O peito dela afundou imediatamente. Vânia também olhou. Os olhos marejaram outra vez.

— Foi devastador ver ele chegando aqui com aquilo nos braços…

A voz dela falhou.

— O Liam está revoltado com Deus.

Laura abaixou a cabeça lentamente.

— Quando eu perdi meu primeiro filho… eu também fiquei assim.

Acariciou o ventre por instinto.

— Mas… o sofrimento dele é pior.

Os olhos se encheram de lágrimas.

— O Edgar estava vivo… e agora nós vamos ter outro filho.

Olhou novamente para o irmão desacordado.

— O Liam perdeu tudo de uma vez.

O silêncio pesou. Laura respirou fundo.

— A família inteira está preocupada. Ele não quer ver ninguém.

Vânia assentiu devagar.

— O senhor Fabrício ligou várias vezes perguntando por ele.

Laura fechou os olhos.

— Todos também estão preocupados com o senhor Fabrício.

Vânia levou a mão ao peito.

— Quando ele desmaiou na cremação… achei que o coração dele tinha parado. — A voz tremeu. — Achei que ele tinha morrido ali mesmo.

Antes que Laura respondesse, a porta abriu novamente. Edgar entrou apressado no quarto. Os olhos foram imediatamente para Liam. Depois para Laura. Ele caminhou direto até ela e deu um selinho rápido em sua boca e acariciou o ventre.

— Que bom que você chegou, Nego… — murmurou emocionada.

Edgar acariciou rapidamente o rosto dela.

— Deixa eu ver ele.

Foi até a cama, pegou o termômetro no criado-mudo e verificou a temperatura.

Alguns segundos depois, franziu a testa.

— Ainda está alta.

Levantou os olhos imediatamente.

— Vou colocar ele no chuveiro.

Liam resmungou algo incompreensível quando Edgar começou a levantá-lo.

— Vânia… pega um short dele para eu colocar.

Enquanto ela foi buscar, Edgar tirou a calça de Liam. Quando Vânia voltou, Edgar trocou rapidamente de roupa. Depois praticamente carregou o cunhado até o banheiro.

Laura levantou-se imediatamente e foi atrás deles.

— Amor… ele está se debatendo…

Liam tentava empurrá-lo fraco.

— Me solta… — murmurava rouco. — Me deixa morrer…

Laura sentiu o desespero subir.

— Edgar… ele vai morrer!

Edgar virou o rosto imediatamente. A voz saiu firme. Profissional.

— Laura, olha pra mim.

Esperou ela encará-lo.

— O procedimento é esse. Confia em mim.

Ela assentiu chorando. Edgar entrou no box com Liam e ligou o chuveiro frio. A água caiu forte sobre os dois. Liam reclamou imediatamente, tentando se afastar. Mas Edgar o segurou firme.

— Aguenta.

Minutos depois, a temperatura começou a baixar. Laura e Vânia acabaram saindo do banheiro para dar espaço. Edgar secou Liam devagar depois e o ajudou a vestir outra roupa.

Quando voltou para a cama, Liam parecia menos febril. Exausto. Derrotado. Alguns minutos depois, já sentado encostado na cabeceira, ele passou a mão pelo rosto molhado e murmurou.

— Porque eu me recuso terminantemente a ver o amigão do meu irmão.

Liam acabou soltando uma respiração que parecia quase uma risada fraca. Laura sorriu pequeno.

— Já você…

Ergueu uma sobrancelha.

— Me viu pelada inúmeras vezes quando precisou me colocar debaixo do chuveiro pra curar minhas ressacas universitárias.

Edgar cruzou os braços divertido.

— Eu teria dado umas palmadas na bunda.

Laura olhou novamente para Liam. O sorriso desapareceu devagar. As lágrimas voltaram. Ela segurou a mão dele com força.

— Eu não vou perder você também.

A voz saiu quebrada.

Sincera.

Cheia de amor.

— Nós vamos passar por isso juntos.

Por volta das nove da noite, enquanto nos Estados Unidos a família tentava impedir Liam de afundar junto com a própria dor, na Ilha da Madeira o cenário não era diferente. A dor também havia atravessado o oceano.

O som do mar preenchia o silêncio da enorme mansão à beira da costa. As ondas batiam contra as pedras num ritmo constante, quase hipnótico. O vento quente da noite balançava suavemente as cortinas claras da varanda do quarto. Mas nem a beleza do lugar conseguia aliviar o vazio esmagador que consumia Olívia.

Ela estava parada perto do guarda-corpo. Descalça. Vestindo uma roupa leve emprestada por Amanda. Os braços cruzados sobre o próprio corpo enquanto observava o mar escuro à frente.

As lágrimas escorriam silenciosas. Sem força. Sem pressa. Os cortes nos braços e nas pernas ainda ardiam por baixo das bandagens, mas aquilo parecia pequeno demais perto do vazio dentro dela.

Atrás dela, a porta de vidro se abriu devagar. Amanda surgiu carregando Meredith no colo. A bebê dormia profundamente, aconchegada contra o ombro dela. Amanda sorriu pequeno ao se aproximar.

— A princesinha apagou. — murmurou baixinho. — Ela é muito tranquila.

Olívia virou o rosto imediatamente ao ouvir aquilo. Os olhos suavizaram no mesmo instante em que viu a filha. Aproximou-se devagar e beijou demoradamente a cabecinha de Meredith.

— Agora ela está tranquila… — disse com a voz baixa e emocionada. — Mas nas primeiras semanas de vida… eu e o Mozão sofremos muito com as cólicas dela.

Um sorriso triste apareceu no canto da boca.

— Tinha noite que nós dois parecíamos zumbis pela casa tentando fazer ela parar de chorar.

Amanda soltou uma risadinha baixa.

— Vou colocá-la na cama.

Olívia apenas assentiu. Ficou observando Amanda caminhar até o enorme quarto enquanto acomodava Meredith cuidadosamente no bercinho ao lado da cama.

A bebê nem se mexeu.

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