Cerca de meia hora depois, o remédio começou a fazer efeito lentamente. A respiração dele diminuiu um pouco. Laura finalmente sentou na poltrona próxima à cama, exausta. As lágrimas desciam silenciosas.
— Ele não vai suportar isso… — murmurou olhando para o irmão.
Vânia se aproximou imediatamente e segurou a mão de Laura entre as dela, apertando com carinho ao perceber o quanto ela tremia.
— Não fala assim. — pediu baixinho, acariciando os dedos dela numa tentativa de acalmá-la. — Você também precisa se controlar, meu amor.
Os olhos experientes de Vânia desceram rapidamente até a barriga enorme da jovem antes de voltarem ao rosto molhado de lágrimas.
— Olha o seu estado… — murmurou com preocupação sincera. — Desse jeito você vai acabar entrando em trabalho de parto antes da hora.
Laura passou a mão no rosto molhado. Foi então que os olhos dela caíram sobre a mesa perto da janela.
As urnas.
O peito dela afundou imediatamente. Vânia também olhou. Os olhos marejaram outra vez.
— Foi devastador ver ele chegando aqui com aquilo nos braços…
A voz dela falhou.
— O Liam está revoltado com Deus.
Laura abaixou a cabeça lentamente.
— Quando eu perdi meu primeiro filho… eu também fiquei assim.
Acariciou o ventre por instinto.
— Mas… o sofrimento dele é pior.
Os olhos se encheram de lágrimas.
— O Edgar estava vivo… e agora nós vamos ter outro filho.
Olhou novamente para o irmão desacordado.
— O Liam perdeu tudo de uma vez.
O silêncio pesou. Laura respirou fundo.
— A família inteira está preocupada. Ele não quer ver ninguém.
Vânia assentiu devagar.
— O senhor Fabrício ligou várias vezes perguntando por ele.
Laura fechou os olhos.
— Todos também estão preocupados com o senhor Fabrício.
Vânia levou a mão ao peito.
— Quando ele desmaiou na cremação… achei que o coração dele tinha parado. — A voz tremeu. — Achei que ele tinha morrido ali mesmo.
Antes que Laura respondesse, a porta abriu novamente. Edgar entrou apressado no quarto. Os olhos foram imediatamente para Liam. Depois para Laura. Ele caminhou direto até ela e deu um selinho rápido em sua boca e acariciou o ventre.
— Que bom que você chegou, Nego… — murmurou emocionada.
Edgar acariciou rapidamente o rosto dela.
— Deixa eu ver ele.
Foi até a cama, pegou o termômetro no criado-mudo e verificou a temperatura.
Alguns segundos depois, franziu a testa.
— Ainda está alta.
Levantou os olhos imediatamente.
— Vou colocar ele no chuveiro.
Liam resmungou algo incompreensível quando Edgar começou a levantá-lo.
— Vânia… pega um short dele para eu colocar.
Enquanto ela foi buscar, Edgar tirou a calça de Liam. Quando Vânia voltou, Edgar trocou rapidamente de roupa. Depois praticamente carregou o cunhado até o banheiro.
Laura levantou-se imediatamente e foi atrás deles.
— Amor… ele está se debatendo…
Liam tentava empurrá-lo fraco.
— Me solta… — murmurava rouco. — Me deixa morrer…
Laura sentiu o desespero subir.
— Edgar… ele vai morrer!
Edgar virou o rosto imediatamente. A voz saiu firme. Profissional.
— Laura, olha pra mim.
Esperou ela encará-lo.
— O procedimento é esse. Confia em mim.
Ela assentiu chorando. Edgar entrou no box com Liam e ligou o chuveiro frio. A água caiu forte sobre os dois. Liam reclamou imediatamente, tentando se afastar. Mas Edgar o segurou firme.
— Aguenta.
Minutos depois, a temperatura começou a baixar. Laura e Vânia acabaram saindo do banheiro para dar espaço. Edgar secou Liam devagar depois e o ajudou a vestir outra roupa.
Quando voltou para a cama, Liam parecia menos febril. Exausto. Derrotado. Alguns minutos depois, já sentado encostado na cabeceira, ele passou a mão pelo rosto molhado e murmurou.
— Porque eu me recuso terminantemente a ver o amigão do meu irmão.
Liam acabou soltando uma respiração que parecia quase uma risada fraca. Laura sorriu pequeno.
— Já você…
Ergueu uma sobrancelha.
— Me viu pelada inúmeras vezes quando precisou me colocar debaixo do chuveiro pra curar minhas ressacas universitárias.
Edgar cruzou os braços divertido.
— Eu teria dado umas palmadas na bunda.
Laura olhou novamente para Liam. O sorriso desapareceu devagar. As lágrimas voltaram. Ela segurou a mão dele com força.
— Eu não vou perder você também.
A voz saiu quebrada.
Sincera.
Cheia de amor.
— Nós vamos passar por isso juntos.
Por volta das nove da noite, enquanto nos Estados Unidos a família tentava impedir Liam de afundar junto com a própria dor, na Ilha da Madeira o cenário não era diferente. A dor também havia atravessado o oceano.
O som do mar preenchia o silêncio da enorme mansão à beira da costa. As ondas batiam contra as pedras num ritmo constante, quase hipnótico. O vento quente da noite balançava suavemente as cortinas claras da varanda do quarto. Mas nem a beleza do lugar conseguia aliviar o vazio esmagador que consumia Olívia.
Ela estava parada perto do guarda-corpo. Descalça. Vestindo uma roupa leve emprestada por Amanda. Os braços cruzados sobre o próprio corpo enquanto observava o mar escuro à frente.
As lágrimas escorriam silenciosas. Sem força. Sem pressa. Os cortes nos braços e nas pernas ainda ardiam por baixo das bandagens, mas aquilo parecia pequeno demais perto do vazio dentro dela.
Atrás dela, a porta de vidro se abriu devagar. Amanda surgiu carregando Meredith no colo. A bebê dormia profundamente, aconchegada contra o ombro dela. Amanda sorriu pequeno ao se aproximar.
— A princesinha apagou. — murmurou baixinho. — Ela é muito tranquila.
Olívia virou o rosto imediatamente ao ouvir aquilo. Os olhos suavizaram no mesmo instante em que viu a filha. Aproximou-se devagar e beijou demoradamente a cabecinha de Meredith.
— Agora ela está tranquila… — disse com a voz baixa e emocionada. — Mas nas primeiras semanas de vida… eu e o Mozão sofremos muito com as cólicas dela.
Um sorriso triste apareceu no canto da boca.
— Tinha noite que nós dois parecíamos zumbis pela casa tentando fazer ela parar de chorar.
Amanda soltou uma risadinha baixa.
— Vou colocá-la na cama.
Olívia apenas assentiu. Ficou observando Amanda caminhar até o enorme quarto enquanto acomodava Meredith cuidadosamente no bercinho ao lado da cama.
A bebê nem se mexeu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
559 parou ja ter 3 semanas como podem....
Cadê o comprometimento com o leitor? Oque custa posta td livro?...
Falta de comprometimento com o leitor...
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......
Fica difícil acompanhar a história pq demora muito para desbloquear os capítulos, está parado no 534 a muitos dias....