Em determinado momento, Laura conseguiu cochilar alguns minutinhos. Edgar permaneceu sentado ao lado da banheira observando ela em silêncio.
E Liam ficou mais afastado no quarto.
Quieto.
Mas atento.
Era quase duas da madrugada quando Laura voltou para a bola. Dessa vez quicava devagar enquanto respirava fundo entre uma contração e outra.
O quarto estava mais silencioso agora. As luzes baixas deixavam tudo com um ar íntimo demais para aquela madrugada longa.
Edgar e Liam conversavam próximos da janela, em vozes baixas, enquanto observavam Laura se movimentar lentamente sobre a bola.
Até que ela olhou pros dois. E soltou naturalmente.
— Queria estar quicando em outra coisa agora.
Liam fechou os olhos imediatamente.
— Não. — apontou sem olhar pra ela. — Me recuso a ouvir isso.
Edgar começou a rir baixo. Laura abriu um sorriso safado mesmo cansada.
— Ué… o trabalho de parto desperta emoções.
Edgar aproximou-se devagar dela. Então se inclinou perto do ouvido da esposa e murmurou baixo.
— Então imagina que é em mim, amor.
Laura começou a rir imediatamente. Mas naquele instante… Algo atingiu Liam em cheio. A lembrança veio forte demais. Olívia sentada na bola no dia do parto.
Liam não pensou duas vezes. Se inclinou e a abraçou com cuidado, envolvendo Olívia por trás.
— Ei… — murmurou, beijando a lateral da cabeça dela — eu vou te ajudar… nós estamos juntos nisso…
Ele se afastou um pouco, olhando para ela, tentando arrancar um sorriso.
— Amor… vamos fazer o que você mais gosta… — disse, com um leve sorriso de canto — dar uma quicadinha na bola…
Ele se aproximou mais, abaixando um pouco a voz.
— Aí você pensa que é em mim.
Por um segundo… Silêncio. E então… A enfermeira soltou uma risada baixa, sem conseguir segurar. Olívia arregalou os olhos… e acabou rindo também, mesmo no meio da dor.
— Liam, pelo amor de Deus… — disse, rindo entre o cansaço e a contração que começava a vir — isso é coisa que se fale numa hora dessas? — levou a mão à testa, ainda sorrindo.
A enfermeira balançou a cabeça, divertida.
— Muito bem, paizinho… — disse, com um sorriso — você está certo. Ajuda sua esposa a dar essa “quicadinha”.
Liam abaixou a cabeça imediatamente. E sem perceber… As lágrimas começaram a cair.
Silenciosas.
Pesadas.
Laura percebeu na mesma hora. O sorriso desapareceu instantaneamente do rosto dela. Ela parou de quicar na bola.
— Liam… — chamou baixinho, os olhos enchendo de culpa. — Eu te fiz lembrar de alguma coisa?
Ele não respondeu. Apenas passou a mão rapidamente pelo rosto tentando disfarçar. Laura sentiu o peito apertar imediatamente.
— Me perdoa… — pediu emocionada. — Eu juro que vou controlar minha língua.
Liam respirou fundo. Depois caminhou devagar até ela. Se abaixou na frente da irmã, mesmo ainda tentando controlar as próprias emoções.
Os olhos estavam vermelhos. Mas o carinho ali continuava intacto.
— Ei… — murmurou rouco. — Está tudo bem, Princesa.
Levantou a mão e enxugou delicadamente uma lágrima que escorria pelo rosto dela.
— Você pode falar o que quiser.
A voz falhou discretamente no final. Mas ele continuou.
— Esse momento é seu.
Então beijou demoradamente a testa da irmã. Depois segurou a mão dela com firmeza.
— Quando a próxima contração vier… pode apertar minha mão com força.
Laura começou a chorar imediatamente. E Liam… Mesmo destruído… Continuava ali.
Por volta das três da madrugada, o quarto estava mergulhado numa calmaria estranha.
As luzes continuavam baixas, o som suave das músicas preenchia o ambiente e, por alguns instantes, parecia até que o tempo tinha diminuído o ritmo para acompanhar Laura.
Ela estava inclinada sobre a cama, respirando fundo durante mais uma contração.
Uma das mãos apoiava o colchão enquanto Edgar permanecia atrás dela, massageando lentamente a lombar da esposa.
As mãos grandes pressionavam os pontos certos com paciência infinita.
Laura soltou o ar devagar. Os olhos fechados. O corpo cansado. Mas relaxando aos poucos sob o toque dele.
— Assim está melhor? — Edgar perguntou baixo perto do ouvido dela.
Laura assentiu lentamente.
— Muito…
A voz saiu quase sonolenta. Minutos depois, a contração começou a aliviar. Edgar deslizou os braços ao redor dela devagar, abraçando-a por trás.
As mãos dele pousaram sobre a barriga enorme enquanto Laura imediatamente encostou a cabeça no peitoral dele.
Os dois começaram a balançar o corpo lentamente. Quase como uma dança silenciosa.
Edgar apoiou o rosto no pescoço dela, fechando os olhos por alguns segundos. Laura segurou uma das mãos dele sobre a barriga. E sorriu fraquinho quando Isaac se mexeu.
— Seu filho está animado.
Edgar soltou uma risada baixa no pescoço dela.
Outra contração veio forte. Ela gritou de dor imediatamente. Liam segurou a irmã para manter ela inclinada enquanto Edgar massageava a lombar dela com firmeza.
— Respira comigo, amor… — Edgar orientava tentando manter a própria calma. — Isso… olha pra mim…
Laura negava chorando.
— Eu não tenho mais forças…
Respirou fundo tentando continuar.
— Filho… agora mamãe está pedindo… sai do forninho… por favor…
A mão dela apertou forte a de Liam.
— Eu quero pegar você no colo…
As lágrimas escorriam sem controle.
— Mamãe está tentando ser forte… está lutando pra não tomar anestesia…
A voz saiu quase infantilizada pela dor.
— Eu tenho medo dela…
Edgar beijou a cabeça dela imediatamente.
— Você está indo muito bem, amor. Muito bem…
Laura soluçou.
— Eu respeitei seu tempo, meu lindo… mas agora colabora com a mamãe…
A mão dela foi automaticamente até os próprios seios.
— Seu Tetê está cheio de leitinho pra você…
Outra contração atravessou ela inteira. Laura gritou novamente. Foi nesse instante que a porta se abriu. Doutor Luiz entrou rapidamente junto da equipe. O olhar experiente avaliou toda a situação em segundos.
— Vamos trazer esse meninão ao mundo, Laura. — disse calmo enquanto colocava as luvas. — Vamos pra cama.
Laura negou imediatamente chorando.
— Doutor… eu não aguento ficar naquela cama… dói demais…
Doutor Luiz observou ela por alguns segundos. Depois assentiu rapidamente.
— Então vamos no chão.
Olhou imediatamente para Edgar.
— Você vai sentar naquela poltrona.
A equipe começou a se movimentar rápido organizando tudo.
— Laura vai ficar entre as pernas dele.
Em poucos segundos improvisaram um apoio confortável no chão, parecido com uma cadeira baixa de parto. Edgar sentou-se imediatamente enquanto Laura era ajudada a ficar entre as pernas dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
559 parou ja ter 3 semanas como podem....
Cadê o comprometimento com o leitor? Oque custa posta td livro?...
Falta de comprometimento com o leitor...
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......
Fica difícil acompanhar a história pq demora muito para desbloquear os capítulos, está parado no 534 a muitos dias....