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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 516

A enfermeira levantou-se.

— Ele tem que dar ordens é na cama e domar essa ferinha que está bem na minha frente. — Fez um gesto na direção de Olívia e deu dois passos para trás antes que ela resolvesse atacá-la.

Olívia levantou indignada. A enfermeira gargalhou.

— Vamos arrumar suas coisas antes que ele apareça aqui. — O sorriso diminuiu. — Você agora precisa mais do que nunca ser forte. Vou sentir saudades de vocês.

Olívia respirou fundo.

— Vai arrumar suas coisas também... você vai voltar comigo. — Segurou a mão dela com firmeza e apertou seus dedos. — Eu estou falando sério.

A enfermeira piscou surpresa.

— Olívia... sério, não precisa. Eu não quero ser mais um motivo de brigas entre vocês dois. Eu vim de avião comercial e vou voltar. Meu patrão vai pagar meu voo. — Levantou as mãos em rendição enquanto ria baixinho.

Olívia negou imediatamente.

— Eu vou falar com André que agora você vai ser minha funcionária. — Os olhos marejaram outra vez. — Meredith e eu nos apegamos demais a você. — A garganta apertou. — E fora que sou muito grata por tudo que fez por mim.

A enfermeira imediatamente a abraçou. Cheio de carinho.

— Seu Mozão vai surtar, sabia? Ele não quer voltar com nada que diz respeito ao André. — Aproximou-se e abaixou a voz como se estivesse compartilhando um segredo perigosíssimo.

Olívia enxugou as lágrimas. Então abriu um sorriso desafiador.

— Você vai comigo ou eu não me chamo Olívia Bittencourt. — Cruzou os braços e ergueu o queixo em desafio. — E você sabe que eu sempre consigo o que quero.

A enfermeira riu. E puxou Olívia pela mão.

— Então vamos arrumar suas coisas antes que o seu Mozão resolva subir aqui. — A enfermeira segurou a mão dela e começou a puxá-la na direção do closet. — Porque eu tenho a impressão de que a paciência daquele homem já acabou há umas três horas.

Liam esperou cinco minutos. Depois sete. Depois dez.

Os olhos permaneceram fixos na escada enquanto a paciência desaparecia pouco a pouco. A mandíbula travou. Ele já tinha dado tempo suficiente.

Sem dizer uma palavra, levantou-se do sofá e seguiu em direção ao andar superior. Os passos pesados ecoaram pelo corredor silencioso da mansão até que ele parou diante da porta do quarto.

Bateu uma vez.

Nenhuma resposta.

Bateu outra.

Nada.

Liam fechou os olhos por um breve instante, respirou fundo e girou a maçaneta.

A porta abriu.

O quarto estava mergulhado numa tranquilidade quase irritante.

A primeira coisa que ele viu foi Meredith.

A menina dormia profundamente no berço, com uma das mãozinhas fechada ao redor de um brinquedo. Completamente alheia ao caos que os pais estavam provocando ao redor dela.

Algo vacilou dentro de Liam.

Os passos perderam parte da rigidez enquanto ele se aproximava devagar. Quando chegou ao berço, passou os dedos pelos cabelinhos escuros da filha com uma delicadeza que poucas pessoas imaginariam existir nele.

Como se tivesse medo de acordá-la.

Como se ainda tivesse medo de descobrir que aquilo não passava de mais um sonho cruel.

Durante meses acreditou que jamais voltaria a vê-la e que aquela menina estava morta.

A garganta apertou imediatamente.

— Eu te amo, minha vida... — murmurou tão baixo que pareceu uma oração.

Então inclinou-se e beijou demoradamente a testa da filha, permanecendo ali por alguns segundos, apenas observando-a dormir e tentando gravar cada detalhe na memória.

O olhar foi para a porta do closet. Entreaberta. E imediatamente a mente começou a trabalhar contra ele.

Aquela casa.

Aquele quarto.

André.

A imagem surgiu sozinha.

Cruel.

Violenta.

Insuportável.

A mandíbula travou ainda mais. Liam empurrou a porta do closet. E congelou.

Olívia estava diante do espelho. Usando apenas lingerie. Os cabelos ainda estavam levemente úmidos. A pele iluminada pela luz suave do ambiente.

Por um segundo. Apenas um segundo. Nenhum dos dois conseguiu falar. O impacto foi instantâneo. Brutal.

Os olhos dela encontraram os dele pelo reflexo. E o ar pareceu desaparecer. Liam desviou o olhar imediatamente. Como se tivesse encostado numa superfície em chamas.

— Por que você não está pronta? — perguntou com a voz baixa.

Controlada.

— Ou o quê? — ergueu o queixo lentamente. — Vai perder o controle?

A velha Olívia estava ali. A mulher que o afrontava. Que o enlouquecia. Que sabia exatamente onde machucar.

— Vai ser interessante. — Um sorriso venenoso apareceu em seus lábios. — A esposa do CEO da Trident saindo nas manchetes usando só lingerie.

Os olhos permaneceram presos nos dele.

— Imagina quantos homens vão ficar curiosos. — A voz diminuiu propositalmente. — Me olhando... imaginando coisas...

Liam travou o maxilar. O peito subiu pesadamente.

— Olívia. — O aviso veio baixo. Mortal. — Chega.

— O que será que vão pensar? — perguntou provocadora enquanto se aproximava mais um passo. — O que será que vão querer fazer?

Foi a gota d'água. Liam avançou. As mãos seguraram os braços dela. Firmemente. Sem machucar. Mas sem permitir fuga.

O corpo dela colidiu contra o dele. E os dois congelaram. Porque a proximidade era pior do que qualquer briga.

O cheiro dele.

O perfume.

O calor.

Tudo continuava igual.

Os dedos de Olívia apertaram o tecido da camisa dele involuntariamente. Liam percebeu. E isso só piorou tudo.

— Você é um demônio. — A voz saiu rouca enquanto os olhos percorriam o rosto dela. — Entrou na minha vida para acabar comigo.

Os olhos dela encheram-se de lágrimas imediatamente. Mas o orgulho falou mais alto.

— Engraçado. — Sorriu sem humor, sustentando o olhar nele. — Não era isso que você dizia quando eu estava por cima de você.

O silêncio explodiu entre eles. O peito dele subiu lentamente. Os dedos apertaram os braços dela um pouco mais.

— Olívia... — O nome saiu carregado de tensão. Quase um aviso. Quase uma súplica. — Não faz isso.

— Não era isso que você dizia quando estava louco de desejo. — Ela sustentou o olhar dele sem recuar. — Você dizia que eu tinha te enfeitiçado.

O peito dele subiu e desceu lentamente. Tentando controlar alguma coisa. Talvez a raiva. Talvez algo muito pior.

Liam inclinou o rosto. Devagar. Os lábios ficaram próximos demais. Olívia parou de respirar. O coração disparou. Os dedos apertaram ainda mais a camisa dele.

Por um segundo absurdo. Doloroso. Ela acreditou que ele iria beijá-la. Então viu. O sorriso frio. Sombrio. Cruel. Ele desapareceu tão rápido quanto surgiu.

— A mulher que me enfeitiçou morreu. — A voz saiu baixa enquanto os olhos percorriam o rosto dela sem qualquer piedade. — E eu joguei as cinzas dela no mar.

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