A garganta apertou. Ela fechou os olhos por um instante.Tentando controlar o choro. Mas era impossível. Os olhos então foram para a mesa ao lado da cama. E ela congelou outra vez. O colar. O colar estava ali.
O coração acelerou dolorosamente. Olívia pegou-o devagar. Os dedos acariciaram o pingente automaticamente enquanto as lágrimas começaram a cair sem controle.
— Eu senti tanta falta de você... — murmurou com a voz quebrada.
A ponta dos dedos deslizou pela rosa dos ventos gravada. Os olhos fecharam-se imediatamente.
— Pena que o significado não faz mais sentido. — A respiração falhou. — Você disse que esse mapa era você... e que a rosa dos ventos era eu.
Uma lágrima escorreu lentamente pelo rosto dela.
— Que não importava pra onde fosse... eu sempre seria seu norte.
A voz falhou completamente.
Olívia apertou o colar na mão. Como se ainda estivesse tentando se agarrar àquela memória.
— Foram tantas promessas, Liam… — O peito subia e descia rápido demais. — Pra no final eu descobrir que tudo o que você dizia era mentira.
Os olhos apertaram-se com força. As imagens das manchetes voltaram imediatamente. Tudo esmagando ela outra vez.
— Um amor verdadeiro não esquece nem depois da morte. — A voz saiu carregada de mágoa. — E você me esqueceu rápido demais.
As lágrimas continuavam descendo sem controle.
— Deixou outras mulheres te tocarem... sendo que me prometeu que era só meu.
A mão tremia ao redor do colar.
— Burra fui eu... — soltou uma risada fraca, completamente destruída. — Burra fui eu em querer morrer por você.
Olhou novamente para o pingente. O peito queimando.
— Seu amor é uma mentira.
Com cuidado, colocou o colar exatamente no mesmo lugar onde estava. Como se parte dela ainda precisasse acreditar que aquilo significava alguma coisa.
Então caminhou até o closet. Os passos vacilaram ao entrar ali. Porque tudo continuava intacto. As roupas dela. Os sapatos. Os perfumes…
Tudo organizado exatamente como antes. Como se Liam nunca tivesse permitido que ninguém tocasse em nada. A garganta apertou novamente.
Olívia passou para o lado dele do closet. Os dedos deslizaram lentamente pelos paletós alinhados. Pelas camisas. Pelos ternos escuros. Até parar em um deles.
Ela puxou o paletó devagar. Levou-o até o rosto. Fechou os olhos ao sentir o cheiro dele. E aquilo destruiu o pouco controle que ainda restava. A respiração falhou imediatamente. As lágrimas vieram mais fortes.
— Como eu me odeio... — murmurou enquanto apertava o tecido contra o peito. — Como eu me odeio por ser viciada no seu cheiro, Liam. — A voz saiu quebrada. Dolorosa. — Em você por completo.
As pernas enfraqueceram. Ela apoiou uma das mãos na bancada do closet tentando se manter de pé.
— Eu não vou suportar ficar com você aqui.
A garganta queimava. O peito parecia esmagado.
— Eu preciso ir embora dessa casa. — Abriu os olhos lentamente. Completamente destruída. — Esse amor é uma doença.
A cobertura de Alex estava mergulhada num silêncio pesado. Daqueles que não traziam paz. Só desgaste.
Ísis terminou de fechar a mala sobre a cama enquanto Alex permanecia parado perto da janela do quarto, afrouxando lentamente a gravata.
O maxilar estava travado. Os olhos cansados. A expressão fechada. Ela percebeu. Mas já sabia o que viria.
— Você vai continuar me olhando desse jeito o dia inteiro? — perguntou enquanto fechava o zíper da mala com força demais. — Ou vai falar logo o que está te incomodando?
Alex soltou uma risada baixa. Sem humor algum. Virou-se devagar na direção dela.
— Incomodando? — Passou a mão pelo rosto cansado. — Ísis, eu fiquei uma semana sem conseguir ver você e as crianças.
Ela suspirou discretamente. Já começando a perder a paciência.
— Alex...
— Aí eu viajei até você. — continuou ignorando a tentativa dela de interrompê-lo. — Passei três dias lá. Larguei tudo aqui pra ficar com a minha esposa.
Os olhos dela desviaram por um instante. Porque sabia que ele estava dizendo a verdade.
— Depois eu voltei e você ficou mais quatro dias viajando. — Ele abriu os braços lentamente. — Você voltou ontem. — A voz endureceu. — E amanhã já vai viajar de novo.
O silêncio caiu. Pesado. Ísis cruzou os braços defensivamente.
— Você prometeu que apoiaria minha carreira.
Alex riu outra vez. Mas daquela vez havia cansaço na risada. Muito cansaço.
— E eu não estou apoiando? — perguntou encarando-a diretamente. — Porque sinceramente, Preta, eu queria entender em que momento eu não estou.
Ísis respirou fundo. Tentando manter a calma.
— Você está me cobrando porque eu preciso viajar. — A voz saiu mais firme. — Eu não sabia que quando voltasse pras gravações ficaria tantos dias fora.
Alex negou com a cabeça lentamente.
— O problema não é viajar.
Deu alguns passos pelo quarto. Passando as mãos na cintura. Visivelmente tentando controlar a irritação.
— O problema é que isso virou uma rotina absurda.
O silêncio caiu outra vez.
Pesado.
Incômodo.
Até Ísis respirar fundo.
— Isso é ciúme. — A voz saiu mais baixa agora. — Você não foi com a cara do meu novo parceiro de cena.
Alex soltou uma risada curta. Incrédula. Depois aproximou-se mais dela.
— Ciúme? — inclinou levemente a cabeça. — Preta, eu vou sentir ciúme de você até o último dia da minha vida.
Aquilo desmontou um pouco da raiva dela. Só um pouco.
— Eu nunca escondi isso. — continuou olhando diretamente nos olhos dela. — Você é maravilhosa demais pra eu fingir tranquilidade.
Ísis desviou os olhos discretamente. E ele percebeu. Claro que percebeu.
— Eu sei o efeito que você causa nos homens. — A voz diminuiu. — E confio mais em você do que neles e em mim.
Então o semblante dele mudou. Ficou mais sério. Mais cansado. Mais vulnerável.
— Mas não é isso que está me destruindo. — O peito dela apertou. Porque agora ele parecia sinceramente ferido. — Eu não suporto mais ficar longe da minha família.
O silêncio tomou conta do quarto. Alex passou a mão na nuca lentamente. Os olhos cansados.
— Eu nunca escondi de você que quando encontrasse a mulher certa... — A voz falhou discretamente. — ...eu largaria tudo.
Sorriu sem humor.
— Mulheres. Festas. Curtiação. Tudo. — Os olhos prenderam-se nos dela outra vez. — E eu larguei. — A garganta de Ísis apertou imediatamente. — Por você.
Outro silêncio.
Mais pesado.
Mais íntimo.
— Mas desse jeito... — Alex respirou fundo. — Esse casamento tem prazo pra acabar.
Ísis perdeu o ar.
— Não fala isso.
— É a verdade. — A voz saiu baixa. — Eu quero minha esposa presente. Quero meus filhos perto de mim. — Os olhos marejaram discretamente. — Você sabe o quanto eu quis ser pai.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Cadê o comprometimento com o leitor? Oque custa posta td livro?...
Falta de comprometimento com o leitor...
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......
Fica difícil acompanhar a história pq demora muito para desbloquear os capítulos, está parado no 534 a muitos dias....
Era bom que fossem divulgado 3 capítulo por dia como era antes, pq fica muito chato esperar 2 ou 3 semanas pra ler...