O Rolls-Royce parou diante da entrada principal da Trident. A fachada de vidro refletia o movimento da cidade.
O motorista desceu primeiro. Abriu a porta traseira. Frederico saiu sem pressa. A bengala tocou o chão. Uma vez. Duas. Três. Então o motorista abriu a outra porta.
Olívia permaneceu sentada por alguns segundos. Os olhos erguidos para o prédio. Durante alguns meses aquele lugar tinha sido sua segunda casa. Agora parecia território estrangeiro.
— Se estiver esperando a coragem aparecer, não recomendo.
A voz de Frederico veio ao seu lado. Olívia soltou uma respiração lenta.
— Eu odeio quando o senhor está certo.
— Não. — Frederico ajeitou o paletó. — Você odeia quando eu digo em voz alta aquilo que já sabe.
Aquilo arrancou dela um olhar atravessado. Frederico ignorou. Olívia saiu do carro. O salto tocou a calçada. Seu estômago apertou imediatamente.
Frederico observou. Não comentou. Os dois caminharam em direção à entrada. As portas de vidro se abriram automaticamente. O efeito foi instantâneo.
Um segurança ergueu os olhos. Congelou. A mulher que passava pela catraca parou no meio do movimento. Um grupo próximo aos elevadores ficou imóvel. Um telefone escorregou da mão de alguém.
O silêncio começou pequeno. Depois cresceu. Como uma onda. Olívia percebeu. Cada olhar. Cada expressão. Cada sussurro.
— Meu Deus...
— É ela?
— Não pode ser...
— Eu achei que ela estivesse morta.
— Então ela está viva esse tempo todo?
— A mídia vai enlouquecer quando descobrir.
— Meu Deus...
— Eu juro que achei que estava vendo um fantasma.
Frederico continuou andando. Nem mais rápido. Nem mais devagar. Exatamente no mesmo ritmo. Porque aquilo também fazia parte da operação. Olívia percebeu.
Ele poderia ter usado a entrada privativa. Poderia ter usado a garagem executiva. Poderia ter evitado aquilo tudo. Mas não evitou. Porque queria que todos vissem. Porque rumores morrem mais rápido quando confrontados com a realidade.
— O senhor planejou isso.
Frederico não olhou para ela.
— Evidentemente.
— Eu odeio admitir que isso funcionou.
— Ainda bem. Sua opinião não altera os resultados.
O saguão inteiro parecia ter esquecido como funcionava. As conversas morriam no meio das frases. Os passos diminuíam. Os olhares acompanhavam Olívia por onde passava. Ela manteve o queixo erguido.
Frederico continuava caminhando ao seu lado como se nada estivesse acontecendo. Como se não estivesse atravessando o centro de uma explosão.
Os elevadores se abriram. Algumas pessoas saíram. Pararam. Congelaram. Uma analista levou a mão à boca. Outro funcionário arregalou os olhos.
— Senhora Holt...
A voz saiu quase num sussurro. Olívia apenas assentiu. Entrou no elevador. Frederico entrou logo depois. As portas se fecharam. O silêncio finalmente os envolveu. Olívia soltou o ar devagar.
— O senhor realmente gosta de causar caos.
Frederico observava os números mudando no painel.
— Não.
— Não?
— Gosto de eficiência.
Olívia soltou uma risada sem humor.
— Existe alguma diferença?
— Uma enorme. — O elevador continuou subindo. — Caos é quando você perde o controle da situação. — A bengala girou levemente entre seus dedos. — Isto foi planejado.
Olívia balançou a cabeça.
— Claro que foi.
— Você precisava voltar.
— Discordo.
— Não.
Ela lançou um olhar irritado para ele. Frederico finalmente virou o rosto.
— Você precisava voltar antes que começasse a acreditar que sua vida acabou.
O silêncio caiu imediatamente. Olívia desviou os olhos. Frederico voltou a olhar para frente. Como se não tivesse acabado de acertar uma flecha no centro da ferida.
Quando as portas se abriram no andar da diretoria, a notícia já havia chegado antes deles. Os corredores estavam silenciosos demais. Olhares demais. Funcionários demais fingindo trabalhar.
Atravessaram o corredor principal. Até que chegaram à sala de diretoria de operações. A porta foi aberta. A secretária estava organizando alguns documentos sobre a mesa.
Levantou os olhos. E congelou. A pasta escorregou de suas mãos. As folhas espalharam-se pelo chão.
— Meu Deus...
Olívia fechou os olhos por um segundo. Já esperava aquilo. Mas ainda era estranho.
— Oi, Clara.
A mulher piscou várias vezes. Como se estivesse tentando convencer o próprio cérebro de que aquilo era real.
— Senhora Olívia...
A voz falhou. Os olhos encheram-se imediatamente.
— Isso não pode ser real...
Não havia acusação. Não havia perguntas. Só alívio. Olívia sentiu algo apertar dentro do peito. Porque Clara tinha trabalhado ao seu lado depois que Ísis se desligou da empresa e ambas criaram uma conexão.
— Voltei.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......
Fica difícil acompanhar a história pq demora muito para desbloquear os capítulos, está parado no 534 a muitos dias....
Era bom que fossem divulgado 3 capítulo por dia como era antes, pq fica muito chato esperar 2 ou 3 semanas pra ler...
Espero que não demore muito pra divulgar o capítulo 552 pq passou 3 semanas pra postar os capítulos 530 a 551. Mal posso esperar...
pelo amor de deus não nos abandone mais, "ansiosicima" para os demais capítulos...