Ísis ficou quieta, emocionada.
— Eu tenho orgulho de apresentar você como minha esposa. — Ele continuou, dirigindo com calma. — Orgulho de ter casado com uma mulher negra maravilhosa. Orgulho da nossa mistura. Orgulho dos filhos lindos que você me deu.
O olhar dele foi ao retrovisor por um segundo.
— Thales e Zaya são a melhor parte de nós dois.
Ísis sorriu olhando para trás.
— São mesmo.
Alex hesitou por um instante.
— Eu ainda queria tentar mais um.
Ela virou o rosto imediatamente.
— Alex...
— Eu sei. — Ele beijou a mão dela antes que ela terminasse. — Você não quer. E eu respeito.
A expressão dela suavizou.
— Obrigada.
— Inclusive... — Ele manteve os olhos na rua. — Mês que vem faço a vasectomia.
Ísis ficou imóvel por um segundo.
— Você marcou?
— Marquei.
A voz dela saiu menor.
— Sem me pressionar de novo?
— Sem te pressionar. — Alex acariciou os dedos dela. — Nosso casamento não é um tribunal onde eu preciso vencer uma causa. Você me disse o que queria. Eu ouvi.
Ísis levou a mão dele aos lábios e beijou demoradamente.
— Obrigada por me respeitar.
— Obrigado por confiar em mim para construir uma família com você.
O silêncio que veio depois não foi vazio. Foi cheio de tudo que tinham vivido. Ísis olhou pela janela e franziu a testa ao perceber que não reconhecia o caminho.
— Amor...
— Hum?
— Para onde você está me levando?
O sorriso de Alex voltou. Lento. Perigoso. Do jeito que sempre fazia o coração dela desconfiar de alguma coisa.
— Surpresa.
— Alexandre...
— Quando você me chama pelo nome completo, eu sei que acertei.
Ela estreitou os olhos.
— Eu deveria me preocupar?
— Só se tiver medo de ser muito amada.
Ísis tentou manter a expressão séria. Não conseguiu.
— Conquistador barato.
— Seu conquistador barato.
— Infelizmente.
Alex riu baixo.
— Ela diz infelizmente, mas continua segurando minha mão.
Ísis apertou os dedos dele.
— Dirige logo antes que eu me arrependa.
— Tarde demais, Preta. — Ele sorriu. — Hoje você não tem para onde fugir.
Poucos minutos depois, o carro entrou em uma rua mais tranquila e parou diante de um galpão antigo, imponente, com a fachada restaurada e as luzes acesas como se esperasse por ela.
Ísis olhou para fora sem entender.
— O que estamos fazendo aqui?
Alex desligou o carro e virou-se para ela com um sorriso contido demais para ser inocente.
— Vem comigo.
— Alex...
— Confia em mim?
Ela olhou para os bebês dormindo no banco de trás, depois para ele.
— Confio.
— Então vem.
Ele desceu primeiro, abriu a porta para ela e depois retirou Thales e Zaya com cuidado, cada um em seu bebê-conforto. Os dois continuaram dormindo, pesados de sono, enquanto Alex os levava para dentro com a naturalidade de quem já havia planejado cada detalhe.
No saguão, havia duas poltronas preparadas próximas à entrada lateral. Alex acomodou os bebês ali, verificou as mantinhas, passou os dedos com cuidado pela testa de cada um e só então voltou para Ísis.
— Agora fecha os olhos.
Ela estreitou o olhar.
— Por quê?
— Porque eu estou tentando ser romântico.
— Você é perigoso quando tenta ser romântico.
— E irresistível.
— Convencido.
— Realista. — Ele tirou uma faixa de seda do bolso e aproximou-se por trás dela. — Fecha os olhos, Preta.
— Você é louco.
— Por você, desde o primeiro dia.
Ela riu chorando.
— Isso é enorme.
— Você também é.
Alex segurou o rosto dela com as duas mãos.
— Eu conheço a mulher que tenho ao meu lado. Sei de onde você saiu. Sei tudo o que precisou vencer depois que deixou o orfanato, depois que perdeu o Caio... e até quando nossa separação fez você esquecer do próprio valor. Por isso eu nunca enxerguei só uma atriz. Eu sempre enxerguei a mulher inteira.
Os olhos dela transbordaram.
— Eu não sei o que dizer.
— Não precisa dizer nada agora. — Ele sorriu de canto. — Só precisa aceitar que seu marido, além de bonito, rico e absurdamente apaixonado, também sabe cumprir promessa.
Ísis soltou uma risada emocionada e bateu de leve no peito dele.
— Você não tem jeito.
— Tenho. — Ele a puxou para perto. — O seu.
Ela o abraçou com força, escondendo o rosto no peito dele.
Alex a envolveu imediatamente, firme, protetor, beijando seus cabelos com uma delicadeza que contrastava com o tamanho da surpresa.
— Obrigada... — ela sussurrou, a voz abafada contra ele. — Por acreditar em mim desse jeito.
— Eu acredito em você porque eu conheço você.
Ele a afastou apenas o suficiente para olhar em seus olhos.
— Bem-vinda ao seu teatro, Preta.
Ísis olhou novamente para o palco. O lugar parecia grande demais. Bonito demais. Real demais.
Então voltou para Alex, ainda chorando, mas agora sorrindo.
— Eu te amo.
Alex sorriu daquele jeito que sempre desmontava qualquer defesa dela.
— Eu sei.
Ela arregalou os olhos.
— Alex!
— O quê? — Ele riu, puxando-a outra vez. — Eu também te amo. Mas eu precisava manter minha reputação de conquistador barato.
Ísis riu contra a boca dele.
E, quando Alex a beijou no meio daquele teatro vazio, com os filhos dormindo a poucos metros e uma vida inteira se abrindo diante dela, Ísis entendeu que algumas surpresas não eram apenas presentes.
Eram promessas cumpridas.
O dia havia começado antes mesmo de o sol nascer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Aguardando para novos capítulos, voltou a ficar interessante...
Aí meu Deus, n demora com os próximos pfvr!...
Demora pra sair novos capítulos?...
Ahhhhh cadê novos capítulos? Isso tá muito chato....
E os capítulos novos nada de publicação...
Ohhh ansiedade Senhora autora,por favor para quando novos capítulos...
E os novos capítulos nada ainda...
Ansiosa de mais para os próximos capítulos! 😃...
E os novos capítulos, já tá na hora da Olívia ter um pouco de trégua no sofrimento...
Amanhã terá novos capítulos?...